34x18 Tín Man

Imagem: TingTing Huang

Martín.

Parei para falar contigo, coisa corriqueira, sorrimos, teu celular tocou e eu fui embora.

Só.

Mas eu não queria que fosse só.
Parte de mim foi mesmo pra casa, estudar, ler e devanear ao som de Snaggletooth.
Mas, Martín, parte de mim ficou,
arriscou.

Esperou sua conversa acabar, te puxou pelo braço e te chamou pra um café.

Café rápido, no píer mesmo.
Bebemos devagar, eu consigo até sentir o cheiro doce,
e eu te disse pra não ousar falar sobre coisas acadêmicas.

Falamos de mim, de você. De tudo o que existe de ameno, e nossas pernas se encostaram debaixo da mesa.
Martín, você não sabe, mas me acompanhou até o estacionamento e, quando me deu adeus e me deu as costas, eu te chamei de volta e fui eu quem tomou a iniciativa no nosso primeiro beijo.

Ah, Martín, você não faz ideia, mas nossas férias foram lindas. Tomamos tanto sorvete e eu até sujei seu nariz de chocolate,
Já andamos de mãos dadas por aí e eu te desejei boa noite, bom dia, boa sorte, eu te amo.
Até saímos pra dançar, e você é muito menos desajeitado do que pensa.

Gostei do seu cheiro, da textura da sua pele e escolhi um osso favorito no seu corpo, pra chamar de meu.
Eu fiquei tão zangada, na nossa primeira briga (cujo motivo foi tão irrelevante que nem me lembro dele), que achei que te odiava. Mas passou, em questão de segundos.

Viajamos juntos, cedo demais, foi confuso demais
mas eu já te amava, eu já queria só você e mais ninguém, mas você não entendeu isso até que eu dissesse,
até que eu gritasse bem alto,
bêbada de vodka, amor e intensidade.

Você sentiu medo e eu eu senti medo, mas a gente não sentia medo de sentir medo do futuro.
Dormimos juntos, naquela noite, e em todas as noites seguintes, até à última.
Martín, nós nos amamos tanto.

Mas você não sabe disso,
porque dei as costas,
desci as escadas,
e fui embora sozinha.

E foi só.

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