Tem algo sinistro nas suas vogais.
Sons gélidos, guturais, sombrios.
Você fala, fala e eu só queria que voltasse a ficar em silêncio.
Por que você não fica em silêncio?
Por que você não fica em silêncio?
Silêncio é casa, o espaço entre mundos onde a gente brincava de esconder as coisas, as casas, os rostos, os afetos.
Você fala, e não diz nada.
Tapo os ouvidos, numa tentativa infantil de me proteger das despedidas sucessivas que a vida me obriga a encarar.
Eu não quero dizer adeus.
Eu ainda quero jogar o jogo do siso.
Eu não quero dizer adeus.
Eu ainda quero jogar o jogo do siso.
Quero uma amizade de férias que dure o ano inteiro, e o ano seguinte, e o outro.
Mas você quer falar, e falar, sem dizer nada.
E não quer mais ficar em silêncio.
Mas você quer falar, e falar, sem dizer nada.
E não quer mais ficar em silêncio.
Mas, quando você fala, eu não entendo o que você quer.
Eu não sei quem você é.
Eu não sei quem você é.
E, se eu não sei quem você é, se eu nunca soube, então quem sou eu?
Eu sinto como se você morresse, mas você sempre morreu antes. Tantas e tantas vezes, e você sempre deu um jeito de voltar.
Faça de novo, eu digo, mas sem dizer, eu nunca digo.
E espero que você entenda.
Mas não sei se vai.
Mas não sei se vai.
14/07/2024

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