Imagem: TingTing Huang
Estudei a manhã inteira, a noite inteira.
Dia de prova,
matei aula,
e estudei, estudei.
Fiquei nervosa,
mas escrevi em todas as páginas, furiosa:
uma criança tentando ganhar uma sandália de brilhos.
Eu tô feliz.
Hoje. Inexplicavelmente.
Dou risada de tudo e danço,
eu danço.
Meu cabelo está seco, murcho, mas a gente tá bonito.
Chove muito e eu tudo
e eu muito
E eu saudade,
leio um livro,
como demais
eu jogo
e assisto uma série
mando milhões de áudios,
eu BERRO
e rio nas escadas
que dia bonito.
Que chuva incrível,
essa música.
Eu sou toda amor,
eu quero o teu bem.
Pégaso me diz "Você tá assim 50% do tempo"
e eu sei do que ele tá falando
porque eu tenho medo, muito medo, dos outros 50%
Eu tenho que viver agora, eu tenho que aproveitar esse lado dos 50%
Pra comer um pão, que gosto maravilhoso de pão
eu tenho que cantar
tenho que rir, eu tenho que amar a senhorita agora e
dançar
me deixa cantar em voz alta, rouca, desafinada
Saio correndo na chuva,
eu pego um barco,
eu molho meus tênis,
eu corro pra te ver
eu preciso te ver,
eu preciso me ver
Eu quero estar aqui, agora
eu quero sentir esse gosto,
essa chuva,
esse medo,
essa vergonha,
eu quero essa risada,
esse som,
a música me assombra,
Tô maravilhada, minha boca forma um O,
tô boba,
bato palmas e seguro nas suas mãos,
eu fico na ponta dos pés
e danço esse menino magrelo e cabeludo, meio sonolento, meio barbudo, meio lindo, meio meu
deixo que ele arrepie os cabelos da minha nuca
e deixo a chuva chover
o povo se atrasar
Eu não vou dormir,
eu vou cochilar
sozinha,
no meu sofá,
não vou te contar sobre o meu dia, mas eu vou piscar,
iluminar,
e as pessoas que me amam vão se sentir amadas
porque eu só quero dividir essa sensação.
Eu só quero que essa sensação dure,
só essa
por dias e dias a fio, sem parar
quero tocar as pessoas e contagiá-las
e alguém vai dizer que isso que eu tenho,
isso é doença
isso não é rebeldia, não é um dia bom,
isso é a química errada do meu cérebro
mas ai
ai
me deixa mudar a química do teu cérebro e te ensinar exatamente o que é estar feliz
porque é lindo
as cores
as pessoas
o cheiro da chuva
e o ruído da voz desse magrelo barulhento que eu amo tanto.
Eu quero aproveitar até a última gota desses 50%
porque eu não tenho a menor ideia
de que lado dos 100% eu vou estar amanhã.
Então corro na chuva, crio uma coreografia pra lua,
eu vou morrer de pneumonia,
mas tudo bem se a gente se casar agora,
se você me beijar só um pouquinho
porque eu não sei quem eu vou ser amanhã
mas o que importa é hoje.
Agora.
Vem?
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34x02 Undateable
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
- Eu não posso fazer isso.
Eu não posso.
Porque eu não amo você.
E eu não quero mais não amar alguém.
Eu quero querer você como você me quer.
Mas eu não posso.
Eu posso tentar fingir,
mas meu corpo não consegue mais mentir.
Eu não consigo.
Eu me importo com você, muito muito
o bastante pra não querer fazer isso. Não dessa maneira.
Te observo dormir,
e eu sei que não posso mais fazer isso.
Estou ficando louca.
E eu não quero mais ficar louca.
Eu quero ficar ok.
Eu quero ficar bem.
Eu quero ficar feliz.
E eu tô com medo, um medo estranho, mas com o qual dá pra viver
de que eu só consiga ser feliz assim,
como eu quero ser,
se estiver sozinha.
Como eu sou quando você vai embora,
no silêncio de uma tarde de domingo,
quieta e sã.
Não porque você veio, mas porque você partiu.
Eu sinto muito,
não posso fazer isso.
Nem com você,
nem comigo mesma.
Boa sorte.
29x16 Figs
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Não dormi.
1:00, 2:00. 4:00, depois 6:00 e eu de olhos bem abertos, sem sono, sem nada, o coração estralando as costelas de novo.
Eu tenho medo da vida.
Aí apaguei, acordei tarde, comi, dei risada, dei tanta risada. Estudei, assisti TV, calma. Criei um ambiente seguro pra mim, outra gaiola dentro da gaiola. Tô me mantendo segura. Tô me mantendo sã.
Mas ficar sã, ficar na gaiola, isso não me faz ficar mais forte.
Daqui a pouco é dia 22 e eu tenho que voltar pra lá, e eu não posso me perder de novo.
Enchi a mão de xampu, e lavei os cabelos, mecha por mecha, ao som de músicas da Mallu. Da Mallu, é. E quando ela cantou Sambinha bom, confesso que me deu um medo, um medo de doer, mas não doeu.
Eu respirei fundo e pensei em coisas boas, cabelos brancos, cachinhos curtos, pensei em muitos chocolates, que amores não são perdidos, em um show perdido em algum lugar da memória de Brasília, caído na grama, na lama, no concreto. A canção tocou até o fim, enquanto eu enchia o cabelo de creme e de amor, de amor meu pra mim, cada rolinho uma lembrança boa que eu quero guardar.
Enrolei muito no banheiro, ouvindo cada música que me rasgou a pele meses atrás (quase um ano!), que é música. Não é pra doer.
E aí saí. A pele intacta, o cabelo com cheiro gostoso de carinho e de meu. De mim.
Sentei no sofá, dei minha opinião no grupo das minhas amigas, meu lugar seguro. E uma delas insistiu que eu dissesse pra todo mundo o que pensava. Tive vergonha de dizer que tinha medo, que não ia dizer nada, que meu coração queria sair da boca só de pensar em digitar algo, que minha mão nunca tremeu tanto só porque eu ia dizer que não gostei de algo.
Eu tive tanto medo. E sei que não é normal. Que sou capaz de falar em público, mas não consigo mandar uma mensagem com minha opinião.
Tremi tanto, que não conseguia escrever.
Parei, respirei fundo, mil, trimilhões de vezes.
ô, B. Quem te deixou assim tão covarde?
Queria chorar. Acho curioso que ninguém saiba o quanto me custa mandar uma mensagem.
O peito fica em chamas, o estômago embrulha, os dedos tremem.
Mandei a mensagem, me desculpei pela mensagem, ando me desculpando por existir há um bom tempo.
E as pessoas concordaram comigo.
Gostaram das minhas ideias.
Eu poderia chorar. Gratidão.
Porque eu tô tremendo até agora.
Eu tenho medo da vida.
Eu invento coisas.
E não é só puro estalo, eu leio coisas, eu vejo coisas, eu quero inventar coisas que as pessoas entendam.
Quero ser mais corajosa.
Quero mostrar quem eu sou e o que importa pra mim.
Queria não ter medo de expressar minha opinião, mas queria que as pessoas entendessem esse meu medo.
Esse pavor.
Essa vontade de calar.
Eu tenho medo de viver.
Alguém esbarra em mim e eu peço desculpas.
Desculpe por estar aqui.
Eu não quero mais me sentir segura, porque não é mais suficiente.
Eu quero ser corajosa.
Eu quero me levantar e bater se preciso,
não quero ficar em silêncio.
Não quero me encolher quando alguém muda o tom de voz numa conversa.
Eu quero ser a pessoa que sei que posso ser.
Quero ser minha heroína, meu príncipe do cavalo branco.
Minha casa, meu cavalo, meu cão de caça.
Quero nunca mais tremer ao apertar enviar,
a não ser que seja uma mensagem de amor.
Aí tudo bem.
Esse medo do não eu consigo levar.
Não dormi.
1:00, 2:00. 4:00, depois 6:00 e eu de olhos bem abertos, sem sono, sem nada, o coração estralando as costelas de novo.
Eu tenho medo da vida.
Aí apaguei, acordei tarde, comi, dei risada, dei tanta risada. Estudei, assisti TV, calma. Criei um ambiente seguro pra mim, outra gaiola dentro da gaiola. Tô me mantendo segura. Tô me mantendo sã.
Mas ficar sã, ficar na gaiola, isso não me faz ficar mais forte.
Daqui a pouco é dia 22 e eu tenho que voltar pra lá, e eu não posso me perder de novo.
Enchi a mão de xampu, e lavei os cabelos, mecha por mecha, ao som de músicas da Mallu. Da Mallu, é. E quando ela cantou Sambinha bom, confesso que me deu um medo, um medo de doer, mas não doeu.
Eu respirei fundo e pensei em coisas boas, cabelos brancos, cachinhos curtos, pensei em muitos chocolates, que amores não são perdidos, em um show perdido em algum lugar da memória de Brasília, caído na grama, na lama, no concreto. A canção tocou até o fim, enquanto eu enchia o cabelo de creme e de amor, de amor meu pra mim, cada rolinho uma lembrança boa que eu quero guardar.
Enrolei muito no banheiro, ouvindo cada música que me rasgou a pele meses atrás (quase um ano!), que é música. Não é pra doer.
E aí saí. A pele intacta, o cabelo com cheiro gostoso de carinho e de meu. De mim.
Sentei no sofá, dei minha opinião no grupo das minhas amigas, meu lugar seguro. E uma delas insistiu que eu dissesse pra todo mundo o que pensava. Tive vergonha de dizer que tinha medo, que não ia dizer nada, que meu coração queria sair da boca só de pensar em digitar algo, que minha mão nunca tremeu tanto só porque eu ia dizer que não gostei de algo.
Eu tive tanto medo. E sei que não é normal. Que sou capaz de falar em público, mas não consigo mandar uma mensagem com minha opinião.
Tremi tanto, que não conseguia escrever.
Parei, respirei fundo, mil, trimilhões de vezes.
ô, B. Quem te deixou assim tão covarde?
Queria chorar. Acho curioso que ninguém saiba o quanto me custa mandar uma mensagem.
O peito fica em chamas, o estômago embrulha, os dedos tremem.
Mandei a mensagem, me desculpei pela mensagem, ando me desculpando por existir há um bom tempo.
E as pessoas concordaram comigo.
Gostaram das minhas ideias.
Eu poderia chorar. Gratidão.
Porque eu tô tremendo até agora.
Eu tenho medo da vida.
Eu invento coisas.
E não é só puro estalo, eu leio coisas, eu vejo coisas, eu quero inventar coisas que as pessoas entendam.
Quero ser mais corajosa.
Quero mostrar quem eu sou e o que importa pra mim.
Queria não ter medo de expressar minha opinião, mas queria que as pessoas entendessem esse meu medo.
Esse pavor.
Essa vontade de calar.
Eu tenho medo de viver.
Alguém esbarra em mim e eu peço desculpas.
Desculpe por estar aqui.
Eu não quero mais me sentir segura, porque não é mais suficiente.
Eu quero ser corajosa.
Eu quero me levantar e bater se preciso,
não quero ficar em silêncio.
Não quero me encolher quando alguém muda o tom de voz numa conversa.
Eu quero ser a pessoa que sei que posso ser.
Quero ser minha heroína, meu príncipe do cavalo branco.
Minha casa, meu cavalo, meu cão de caça.
Quero nunca mais tremer ao apertar enviar,
a não ser que seja uma mensagem de amor.
Aí tudo bem.
Esse medo do não eu consigo levar.
20x04 Felix Felicis
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
(Esse dia foi tão bom, tão bom que foi até ruim. Prepare-se)
Um frasco inteiro pra um dia perfeito:
Na hora do almoço, meio sem querer, parece que alguém derrama um pouco no seu suco.
Aí você sai de casa e descobre que ainda é cedo e que o sol deu uma trégua. Descobre que a professora malvada não veio e que o tutor substituto não liga muito se você fala ou não (aparentemente).
E o dia fica tão hilário e você consegue fazer com que alguém novo ria bem alto.
Gira nas cadeiras e brinca porque algo te diz que esse dia não pede esforço, pede pra acontecer, simplesmente.
A aula termina e você não sente vontade de ir embora, só fica e espera enquanto sua amiga termina de copiar, e vocês conversam sobre coisas e apagam quadros e você não sente pressa alguma.
Nas escadas, Aidan chama sua amiga - e você, em anexo - pra irem ao bar. Mas é claro que não vai - embora queira ir onde quer que ele vá - porque a Redhead não vai. Não é? Você pensa: "Eu tenho que ir com o L., cadê o L."
Não. Seu estômago, sua intuição te diz pra ir.
Não.
"Vai, sua boba", diz a Redhead.
Não.
É, ok. Você vai.
Enrolam no laboratório e você convence um amigo a ir porque você quer que todo mundo vá e você se sente bem, mesmo feia.
E você queria, ainda, ser um pouco mais bonita, mas nem tanto como de costume.
Porque você sabe que tem que ir, sabe o que fazer e como agir, mesmo sem saber com que finalidade.
As garotas estão bonitas, brilhantes, de uma maneira que você nunca esteve e nunca vai estar, mas, dessa vez, você não se importa.
Você ri e fala com elas como se fosse uma delas. Faz suas piadas, seu tipo. E parece simplesmente normal.
Vocês chegam ao bar e você só vê ele. Ele parece feliz e bêbado e você quer tanto que ele fale com você, olhe pra você, mas sabe que não vai acontecer e se pergunta logo o que é que te deu pra aparecer ali.
Você bebe e ri e ouve e fala e olha pra ele - obra da sorte, ele está sentado tão perto que você pode olhá-lo sem medo e ouvi-lo falar à vontade, sem esforço.
Os dentes dele, enormes, gigantics, te atraem feito luzes e mariposas, mas você se controla porque algo te diz que não é a hora.
Algo sussurra "divirta-se" e depois "fique" quando você está louca pra ir embora. Ficar te faz sentir bem e seu corpo recusa a ideia de ir.
Você continua bebendo e rindo e olhando pra ele quando pode e as horas passam e você tem tanta coisa pra fazer...
Um vento estranho balança a copa das árvores e alguém anuncia que vai chover.
E você começa a se arrepender de ter ido e tenta contornar as coisas pedindo carona a um amigo. Mas ele vai pro lado contrário.
"Não dou sorte", você diz.
E ele sugere: "Vai com o Aidan".
Seu coração cai e seu estômago afunda, mas você tira coragem sei lá de onde e grita - porque ele trocou de lugar: "Aidan, você pode me dar carona?"
Sim. Você flutua.
Na hora de ir, você descobre que não vão sozinhos e despenca um pouco só porque não ia rolar nada mesmo.
Aí você diz que precisa pegar sua mochila e ele diz "Pode ir, eu te espero" e você corre na chuva, insana, se sentindo uma Elizabeth Bennet indo ao encontro do Sr. Darcy.
Por um segundo, você treme de medo de que ele tenha ido sem você, mas seu coração dá um salto quando você o vê ali, à espera, ainda.
Vocês não se conhecem, falam do tempo, de música, enquanto o céu desaba lá fora e você não liga, silêncio ou diálogo, porque está com ele.
Porque estão tão próximos que você poderia só estender a mão e acariciar os cabelos dele. A possibilidade te anima e é o suficiente.
"Me deixa ali", você diz, porque quer correr na chuva e rir sozinha no meio da rua, mas ele não deixa.
Te deixa em casa, recomenda cuidado, se inclina pra um abraço-beijo que você nem esperava e você, num estalo "tome cuidado", porque isso diz muito.
Quer dizer "quero te ver amanhã, ouvi o que você disse, me preocupo com você". Então é suficiente, por agora.
Você o observa ir e corre para a chuva e dança e ri.
E entende, enfim, como seria fácil se viciar nessa tal de Felix Felicis.
(Esse dia foi tão bom, tão bom que foi até ruim. Prepare-se)
Um frasco inteiro pra um dia perfeito:
Na hora do almoço, meio sem querer, parece que alguém derrama um pouco no seu suco.
Aí você sai de casa e descobre que ainda é cedo e que o sol deu uma trégua. Descobre que a professora malvada não veio e que o tutor substituto não liga muito se você fala ou não (aparentemente).
E o dia fica tão hilário e você consegue fazer com que alguém novo ria bem alto.
Gira nas cadeiras e brinca porque algo te diz que esse dia não pede esforço, pede pra acontecer, simplesmente.
A aula termina e você não sente vontade de ir embora, só fica e espera enquanto sua amiga termina de copiar, e vocês conversam sobre coisas e apagam quadros e você não sente pressa alguma.
Nas escadas, Aidan chama sua amiga - e você, em anexo - pra irem ao bar. Mas é claro que não vai - embora queira ir onde quer que ele vá - porque a Redhead não vai. Não é? Você pensa: "Eu tenho que ir com o L., cadê o L."
Não. Seu estômago, sua intuição te diz pra ir.
Não.
"Vai, sua boba", diz a Redhead.
Não.
É, ok. Você vai.
Enrolam no laboratório e você convence um amigo a ir porque você quer que todo mundo vá e você se sente bem, mesmo feia.
E você queria, ainda, ser um pouco mais bonita, mas nem tanto como de costume.
Porque você sabe que tem que ir, sabe o que fazer e como agir, mesmo sem saber com que finalidade.
As garotas estão bonitas, brilhantes, de uma maneira que você nunca esteve e nunca vai estar, mas, dessa vez, você não se importa.
Você ri e fala com elas como se fosse uma delas. Faz suas piadas, seu tipo. E parece simplesmente normal.
Vocês chegam ao bar e você só vê ele. Ele parece feliz e bêbado e você quer tanto que ele fale com você, olhe pra você, mas sabe que não vai acontecer e se pergunta logo o que é que te deu pra aparecer ali.
Você bebe e ri e ouve e fala e olha pra ele - obra da sorte, ele está sentado tão perto que você pode olhá-lo sem medo e ouvi-lo falar à vontade, sem esforço.
Os dentes dele, enormes, gigantics, te atraem feito luzes e mariposas, mas você se controla porque algo te diz que não é a hora.
Algo sussurra "divirta-se" e depois "fique" quando você está louca pra ir embora. Ficar te faz sentir bem e seu corpo recusa a ideia de ir.
Você continua bebendo e rindo e olhando pra ele quando pode e as horas passam e você tem tanta coisa pra fazer...
Um vento estranho balança a copa das árvores e alguém anuncia que vai chover.
E você começa a se arrepender de ter ido e tenta contornar as coisas pedindo carona a um amigo. Mas ele vai pro lado contrário.
"Não dou sorte", você diz.
E ele sugere: "Vai com o Aidan".
Seu coração cai e seu estômago afunda, mas você tira coragem sei lá de onde e grita - porque ele trocou de lugar: "Aidan, você pode me dar carona?"
Sim. Você flutua.
Na hora de ir, você descobre que não vão sozinhos e despenca um pouco só porque não ia rolar nada mesmo.
Aí você diz que precisa pegar sua mochila e ele diz "Pode ir, eu te espero" e você corre na chuva, insana, se sentindo uma Elizabeth Bennet indo ao encontro do Sr. Darcy.
Por um segundo, você treme de medo de que ele tenha ido sem você, mas seu coração dá um salto quando você o vê ali, à espera, ainda.
Vocês não se conhecem, falam do tempo, de música, enquanto o céu desaba lá fora e você não liga, silêncio ou diálogo, porque está com ele.
Porque estão tão próximos que você poderia só estender a mão e acariciar os cabelos dele. A possibilidade te anima e é o suficiente.
"Me deixa ali", você diz, porque quer correr na chuva e rir sozinha no meio da rua, mas ele não deixa.
Te deixa em casa, recomenda cuidado, se inclina pra um abraço-beijo que você nem esperava e você, num estalo "tome cuidado", porque isso diz muito.
Quer dizer "quero te ver amanhã, ouvi o que você disse, me preocupo com você". Então é suficiente, por agora.
Você o observa ir e corre para a chuva e dança e ri.
E entende, enfim, como seria fácil se viciar nessa tal de Felix Felicis.
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