Imagem: TingTing Huang
Tem esse sol enorme, desaparecendo rápido, as nuvens flutuando nesse céu que parece um domo. Tem esse gosto na minha boca, de chocolate e feijão, talvez um pouco demais de cominho, tem grama, mosquitos, tem o zumbido das pessoas em volta.
Tem você.
Tem essa sensação de paz, segurança e felicidade que eu não sei se já senti antes.
Estamos.
Dorme comigo.
Acorda comigo.
Mora comigo.
Casa comigo.
Sim,
estamos.
Eu caminho nas pontas dos pés pra não te acordar,
e você me deixa dormir até mais tarde.
Coloca as pontas dos dedos no meu cabelo,
acho que somos alguma coisa estranha, estranha feito esse texto.
Uma massa colorida, cheirosa e macia.
Eu te amo.
Eu fico.
Guardo seus segredos,
lavo suas roupas,
seguro sua mão.
Eu fecho meus olhos e é só você.
É sempre você.
"Fui eu quem escolhi", você diz,
e eu não me ofendo.
Você me escolheu.
Você me escolheu.
E eu escolhi você.
Eu escolhi ficar.
E vou ficando,
de manhã,
depois da aula - minha ou tua -,
na cama depois que você sai,
na festa até você vir me buscar.
Eu vou ficando,
sem planos, sem prazos.
Se o pra sempre vai chegar ou não,
a gente só vai saber sabendo.
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40x13 Aquela coisa
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garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Eu estava andando na rua outro dia, desprotegida, sem casaco ou guarda-chuvas, usando minhas botas favoritas
e você passou por mim e me fez sentir aquela coisa.
O que é aquela coisa?
Ah, você sabe, aquela coisa, aquele conjunto de sinais e sintomas que não fazem sentido nenhum, e que você só percebe de qual síndrome fazem parte quando é tarde demais e você já não pode fazer tratamento ambulatorial.
Eu estava sentada, comendo qualquer coisa e aí eu olhei nos seus olhos e senti aquela coisa.
Aí eu sacudi a cabeça e dei aquela risada. É, aquela risada patognomônica, mas eu simplesmente fingi que não aconteceu.
Também teve aquele outro dia, sabe?
Eu fiquei sentada por alguns segundos a mais,
depois olhei pra trás quando você foi embora.
Sabe aquela coisa, aquela que me deixa com um bom humor irritante,
aquela coisa que me fez voltar a me preocupar com o estado caótico do meu cabelo, do meu quarto, do meu rosto, dos meus pensamentos, da minha vida inteira?
Sabe aquela coisa que me faz fechar a porta na sua cara sempre que parece que você vai entrar,
mas aí você de alguma forma coloca o pé pra me impedir de fechar, feito um desenho animado,
e entra e senta sem ser convidado,
deita no sofá, come toda a minha comida, enquanto eu ajeito os óculos, embasbacada, desconcertada, assustada, insegura e incerta sobre o que acabou de acontecer. Sobre o que não acabou de acontecer.
Aquela coisa que faz com que certas coisas comecem a acontecer
e tudo me parece parte de uma encenação bizarra
de uma peça que eu já fiz antes,
mas que está sendo remontada por outras pessoas.
Aquela coisa que me faz dizer umas frases ensaiadas,
umas frases que eu já até sei de cor,
e que eu não quero mais usar.
"Eu quero um texto novo, vamos pelo menos fazer isso diferente, eu não fico em casa sentada esperando,
eu te chamo pra sair,
e a gente vê o que acontece", penso, mas não faço nada, eu me sento em casa, tomo medicação pra ver se aquela coisa passa.
Mas eu acordo e aquela coisa me faz sentir vontade de falar com você,
e eu, horrorizada,
desligo o celular e vou ler um livro.
Descubro uma música nova e me pergunto---
Eu odeio aquela coisa,
aquela cosia viciante
a sensação de acelerar o carro quando você vai passar pelas tesourinhas, só pra sentir um frio na barriga,
querer te ver
não querer te ver
as cores e luzes, músicas, livros, séries
eu adoro aquela coisa
E é, eu sei,
aquela coisa é coisa minha,
começa intensa, passa rápido feito um piscar de olhos,
e eu não posso bagunçar as coisas por causa de um piscar de olhos.
Então, aquela coisa vai ter que ficar aqui, sem nome, sem definição precisa.
Certo?
Quero dizer, é a coisa certa a se fazer, não?
Com aquela coisa?
Aquela coisa, sabe?
Se não souber, tudo bem,
mas você tem que saber,
porque se você não souber
eu não quero saber sozinha.
Eu estava andando na rua outro dia, desprotegida, sem casaco ou guarda-chuvas, usando minhas botas favoritas
e você passou por mim e me fez sentir aquela coisa.
O que é aquela coisa?
Ah, você sabe, aquela coisa, aquele conjunto de sinais e sintomas que não fazem sentido nenhum, e que você só percebe de qual síndrome fazem parte quando é tarde demais e você já não pode fazer tratamento ambulatorial.
Eu estava sentada, comendo qualquer coisa e aí eu olhei nos seus olhos e senti aquela coisa.
Aí eu sacudi a cabeça e dei aquela risada. É, aquela risada patognomônica, mas eu simplesmente fingi que não aconteceu.
Também teve aquele outro dia, sabe?
Eu fiquei sentada por alguns segundos a mais,
depois olhei pra trás quando você foi embora.
Sabe aquela coisa, aquela que me deixa com um bom humor irritante,
aquela coisa que me fez voltar a me preocupar com o estado caótico do meu cabelo, do meu quarto, do meu rosto, dos meus pensamentos, da minha vida inteira?
Sabe aquela coisa que me faz fechar a porta na sua cara sempre que parece que você vai entrar,
mas aí você de alguma forma coloca o pé pra me impedir de fechar, feito um desenho animado,
e entra e senta sem ser convidado,
deita no sofá, come toda a minha comida, enquanto eu ajeito os óculos, embasbacada, desconcertada, assustada, insegura e incerta sobre o que acabou de acontecer. Sobre o que não acabou de acontecer.
Aquela coisa que faz com que certas coisas comecem a acontecer
e tudo me parece parte de uma encenação bizarra
de uma peça que eu já fiz antes,
mas que está sendo remontada por outras pessoas.
Aquela coisa que me faz dizer umas frases ensaiadas,
umas frases que eu já até sei de cor,
e que eu não quero mais usar.
"Eu quero um texto novo, vamos pelo menos fazer isso diferente, eu não fico em casa sentada esperando,
eu te chamo pra sair,
e a gente vê o que acontece", penso, mas não faço nada, eu me sento em casa, tomo medicação pra ver se aquela coisa passa.
Mas eu acordo e aquela coisa me faz sentir vontade de falar com você,
e eu, horrorizada,
desligo o celular e vou ler um livro.
Descubro uma música nova e me pergunto---
Eu odeio aquela coisa,
aquela cosia viciante
a sensação de acelerar o carro quando você vai passar pelas tesourinhas, só pra sentir um frio na barriga,
querer te ver
não querer te ver
as cores e luzes, músicas, livros, séries
eu adoro aquela coisa
E é, eu sei,
aquela coisa é coisa minha,
começa intensa, passa rápido feito um piscar de olhos,
e eu não posso bagunçar as coisas por causa de um piscar de olhos.
Então, aquela coisa vai ter que ficar aqui, sem nome, sem definição precisa.
Certo?
Quero dizer, é a coisa certa a se fazer, não?
Com aquela coisa?
Aquela coisa, sabe?
Se não souber, tudo bem,
mas você tem que saber,
porque se você não souber
eu não quero saber sozinha.
35x13 All the pretty girls
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garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Então, ela me abraçou.
E eu a abracei de volta.
Estou ferida, no queixo, nas costas, costelas, pernas e pés.
Mas vai passar.
Ela me conta uma história, que é a minha história, a nossa história, a história de tantas garotas por aí, mas eu não acho clichê.
Porque eu não me sinto sozinha.
Nós somos tantas, e tão incríveis,
tão cheias de música, poesia e curvas, histórias pra contar.
Por que é que a gente deixa que as pessoas nos digam quem somos e qual é o nosso valor?
Fico de joelhos e olho nos olhos dessa filha que eu quero ter um dia
"Nunca deixe que ninguém te diga o que você tem que ser, o quanto você vale ou quem você é, baby, nem mesmo eu".
E ela assente, sem entender nada.
A minha dor é minha, e dói, dói, dói, dói.
E DÓI.
Dói porque é minha.
E ninguém vai me dizer quando deve passar ou como devo fazer ou pra esquecer.
Mas sim, eu quero ouvir que pode passar.
Não quero condescendência,
quero respeito.
Quero respeito pela minha tristeza,
pela minha alegria
e pelos meus sentimentos.
Não quero compaixão, não quero palavras vazias que você acha que possuem significado.
Eu quero lutar por mim mesma,
pra ser o quanto eu achar que devo ser.
Não quero seguir os caminhos de quem acha que sabe quais são os melhores caminhos,
eu não ligo pro seu futuro.
Não, e
você não faz ideia de como é difícil admitir isso,
mesmo aqui,
mesmo sabendo que isso não é realmente dizer pra você.
Mas é que existe tanta coisa que eu quero fazer
e você está desperdiçando meu tempo,
consumindo meu tempo.
Que é meu.
Meu tempo,
pra ser quem eu acho que devo ser.
Eu não quero ser a sombra de alguém,
e estou constantemente sentindo que é só o que sou.
E eu também não quero mais migalhas
e nem pessoas que me fazem mal, mesmo que a culpa seja minha.
E você pode até achar que não estou tentando o bastante, e acreditar que eu posso mais
obrigada,
mas só me importa o que eu acredito que posso fazer.
E acho que falo por muitas de nós quando digo
que vai passar
e que ainda vamos cometer muitos erros,
mas vamos juntas.
Cada uma pro seu próprio caminho, mas juntas.
Eu preciso de um tempo.
Pra pensar, sozinha,
sem sua interferência.
Pra entender quem eu sou, sozinha.
Eu tô aqui, jogando fora alguns papéis e organizando a vida, pedaço por pedaço,
redescobrindo quem sou,
fazendo planos
e entendendo que eu quero ser
que eu posso ser
cada vez melhor.
Talvez não pra você, talvez você nem veja a diferença,
mas eu verei.
E é só o que importa.
Então, ela me abraçou.
E eu a abracei de volta.
Estou ferida, no queixo, nas costas, costelas, pernas e pés.
Mas vai passar.
Ela me conta uma história, que é a minha história, a nossa história, a história de tantas garotas por aí, mas eu não acho clichê.
Porque eu não me sinto sozinha.
Nós somos tantas, e tão incríveis,
tão cheias de música, poesia e curvas, histórias pra contar.
Por que é que a gente deixa que as pessoas nos digam quem somos e qual é o nosso valor?
Fico de joelhos e olho nos olhos dessa filha que eu quero ter um dia
"Nunca deixe que ninguém te diga o que você tem que ser, o quanto você vale ou quem você é, baby, nem mesmo eu".
E ela assente, sem entender nada.
A minha dor é minha, e dói, dói, dói, dói.
E DÓI.
Dói porque é minha.
E ninguém vai me dizer quando deve passar ou como devo fazer ou pra esquecer.
Mas sim, eu quero ouvir que pode passar.
Não quero condescendência,
quero respeito.
Quero respeito pela minha tristeza,
pela minha alegria
e pelos meus sentimentos.
Não quero compaixão, não quero palavras vazias que você acha que possuem significado.
Eu quero lutar por mim mesma,
pra ser o quanto eu achar que devo ser.
Não quero seguir os caminhos de quem acha que sabe quais são os melhores caminhos,
eu não ligo pro seu futuro.
Não, e
você não faz ideia de como é difícil admitir isso,
mesmo aqui,
mesmo sabendo que isso não é realmente dizer pra você.
Mas é que existe tanta coisa que eu quero fazer
e você está desperdiçando meu tempo,
consumindo meu tempo.
Que é meu.
Meu tempo,
pra ser quem eu acho que devo ser.
Eu não quero ser a sombra de alguém,
e estou constantemente sentindo que é só o que sou.
E eu também não quero mais migalhas
e nem pessoas que me fazem mal, mesmo que a culpa seja minha.
E você pode até achar que não estou tentando o bastante, e acreditar que eu posso mais
obrigada,
mas só me importa o que eu acredito que posso fazer.
E acho que falo por muitas de nós quando digo
que vai passar
e que ainda vamos cometer muitos erros,
mas vamos juntas.
Cada uma pro seu próprio caminho, mas juntas.
Eu preciso de um tempo.
Pra pensar, sozinha,
sem sua interferência.
Pra entender quem eu sou, sozinha.
Eu tô aqui, jogando fora alguns papéis e organizando a vida, pedaço por pedaço,
redescobrindo quem sou,
fazendo planos
e entendendo que eu quero ser
que eu posso ser
cada vez melhor.
Talvez não pra você, talvez você nem veja a diferença,
mas eu verei.
E é só o que importa.
Early Cuts:Pillowtalk
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garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Cabeça no travesseiro, não durmo.
Fecho os olhos: Mimi-Rose.
Quase posso sentir o gosto daquela boca na sua.
Sento na cama, pego os fones, coloco música, penso em hemoglobina, heme, globina, sua boca, ferro, bilirrubina, o corpo dela, aqueles seus olhos antigos, alfa-talassemias, me dá náuseas, penso em filmes antigos, conto carneirinhos, Downton Abbey,
mas Claire tem razão, sempre teve:
Você não me conhece mesmo.
Cabeça no travesseiro, não durmo.
Fecho os olhos: Mimi-Rose.
Quase posso sentir o gosto daquela boca na sua.
Sento na cama, pego os fones, coloco música, penso em hemoglobina, heme, globina, sua boca, ferro, bilirrubina, o corpo dela, aqueles seus olhos antigos, alfa-talassemias, me dá náuseas, penso em filmes antigos, conto carneirinhos, Downton Abbey,
mas Claire tem razão, sempre teve:
Você não me conhece mesmo.
28x15 Mimi-Rose Howard
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garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Acordei assustada, talvez nem tenha dormido, sentia essa dor pelo corpo todo, esse peso nos ombros, gigantesco, que o verso de nenhuma música aliviava. Nó na garganta, eu no sofá com pavor de levantar e acender as luzes.
Depois de meses caminhando no meio-fio, entre conselhos dOsGênios, aquele gosto de vinho barato e depois sono, entre soundtracks confusas, mensagens desconexas, entre as noites que passei desejando que alguma coisa viesse e levasse tudo embora (alguém, que alguém viesse), entre toda aquela dor que não é física (mas também não pode não ser física), aqueles acessos de raiva, minhas amigas explodindo e todo mundo levando a vida como se a vida fosse algo que se pudesse levar adiante, enquanto eu sentia cada vez mais que tinha perdido a capacidade de enxergar cores, de sentir gostos, de ter gostos, de escrever, de sentir qualquer emoção simples;
Depois de meses pensando, considerando, rebobinando, reescrevendo, consertando, apagando, pintando por cima, demolindo, experimentando, pausando, rasgando e colando;
Sem conseguir saber quem eu era, sem saber pra onde ir e o que esperar, mudando de todos os jeitos possíveis e inimagináveis, gritando e rasgando pra me recuperar, pra não me perder de vez, sem Otto dessa vez pra juntar os pedaços soltos e me ensinar a levantar e brigar;
Totalmente perdida, sem saber pra quem correr, pra quem ligar quando tudo dava errado;
Acordei com essa sensação horrível de perda, de vergonha, de estupidez, de tempo perdido, de estar confusa demais, de ter que parar de esperar sempre o próximo e depois o próximo e depois o próximo
E eu gostaria de dizer, Mimi-Rose, que foi aí
que foi nesse momento que a cena acabou, o momento em que você me ofereceu o que eu desejei pros grandes gênios das horas por todos os últimos meses, o momento em que eu dei as costas pra sua estupidez, o momento em que a câmera mostra minhas costas indo embora entre ultrajadas e desejosas;
Aquele último momento em que eu ainda não sei.
Talvez tenha sido, e só agora eu percebi.
A luz se apagou, Mimi-Rose.
E, o que quer que você faça daqui pra frente, bom,
I don't fucking care.
(:
Acordei assustada, talvez nem tenha dormido, sentia essa dor pelo corpo todo, esse peso nos ombros, gigantesco, que o verso de nenhuma música aliviava. Nó na garganta, eu no sofá com pavor de levantar e acender as luzes.
Depois de meses caminhando no meio-fio, entre conselhos dOsGênios, aquele gosto de vinho barato e depois sono, entre soundtracks confusas, mensagens desconexas, entre as noites que passei desejando que alguma coisa viesse e levasse tudo embora (alguém, que alguém viesse), entre toda aquela dor que não é física (mas também não pode não ser física), aqueles acessos de raiva, minhas amigas explodindo e todo mundo levando a vida como se a vida fosse algo que se pudesse levar adiante, enquanto eu sentia cada vez mais que tinha perdido a capacidade de enxergar cores, de sentir gostos, de ter gostos, de escrever, de sentir qualquer emoção simples;
Depois de meses pensando, considerando, rebobinando, reescrevendo, consertando, apagando, pintando por cima, demolindo, experimentando, pausando, rasgando e colando;
Sem conseguir saber quem eu era, sem saber pra onde ir e o que esperar, mudando de todos os jeitos possíveis e inimagináveis, gritando e rasgando pra me recuperar, pra não me perder de vez, sem Otto dessa vez pra juntar os pedaços soltos e me ensinar a levantar e brigar;
Totalmente perdida, sem saber pra quem correr, pra quem ligar quando tudo dava errado;
Acordei com essa sensação horrível de perda, de vergonha, de estupidez, de tempo perdido, de estar confusa demais, de ter que parar de esperar sempre o próximo e depois o próximo e depois o próximo
E eu gostaria de dizer, Mimi-Rose, que foi aí
que foi nesse momento que a cena acabou, o momento em que você me ofereceu o que eu desejei pros grandes gênios das horas por todos os últimos meses, o momento em que eu dei as costas pra sua estupidez, o momento em que a câmera mostra minhas costas indo embora entre ultrajadas e desejosas;
Aquele último momento em que eu ainda não sei.
Talvez tenha sido, e só agora eu percebi.
A luz se apagou, Mimi-Rose.
E, o que quer que você faça daqui pra frente, bom,
I don't fucking care.
(:
28x10 Conquer the world
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garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
- Eu amo você.
Eu nunca te disse.
Você sabia, é claro, assim como sabia que eu nunca diria.
Era 2012, meus cabelos não eram tão longos, nem tão loucos.
Saíamos cedo, voltávamos tarde - você, principalmente.
Eu me sentava em casa depois do cursinho, trançava os cabelos e esperava que você voltasse. Intacto.
Sua boca tinha gosto de nada, como toda boca deve ser.
Você chegava em silêncio, vivia em silêncio, e nada nunca precisava ser dito.
Eu brincava de trançar seus cabelos, enquanto você fingia que dormia. Era meu jeito de dizer eu te amo. Era seu jeito de dizer eu também.
Eu nunca te disse.
E nem você.
Mas você segurou a barra quando eu tinha pesadelos toda noite. E me comprou chocolate quando eu não quis mais sair de casa.
Me trouxe livros que eu não quero devolver, que eu vou ler na ordem exata que você trouxe.
Você nunca disse que me amava, mas segurou minha mão quando eu não conseguia mais dormir por causa da dor nas costas.
Você nunca me disse, mas me abraçou no dia em que eu decidi que não queria mais ser quem eu era. E veio comigo, pra dizer que eu podia ser quem quisesse, que eu podia até ser médica.
Você nunca me disse, mas eu soube, porque seus cabelos nunca cresceram de novo.
Eu nunca disse, mas te fiz chá quando você voltou com frio de sei lá onde.
Eu tinha sempre um band-aid na cabeceira da cama, pra quando você voltasse.
Eu nunca disse que te amava, mas lia pra você em inglês, com uma pronúncia terrível. Eu nunca disse, mas quando você disse que ia embora, meu coração se partiu em dois, e foi por isso que eu só disse "ok".
Não dizia, mas não conseguia ir pra aula porque tinha que te ver antes. Nunca cheguei no primeiro horário.
Eu nunca disse, mas deixei que você fizesse as palavras cruzadas quando você ficou doente.
Eu nunca te disse, mas nunca falei de você direito pra ninguém, nunca disse uma palavra contra você.
Eu nunca disse, mas deixei que você fosse embora, mesmo querendo que você ficasse.
Eu não estava pronta pra ficar sozinha. Mas você estava.
Eu nunca disse,
mas eu disse.
E ouvi, incontáveis vezes, nas suas mãos, na sua boca, nos seus olhos, nos seus cabelos, nos incontáveis copos de água, no gesto de apagar as luzes, nas caminhadas até o mercado pra comprar sorvete, no gosto de chocolate branco misturado com chocolate preto, de batatas fritas e chocolate.
Eu ouvi, Otto. E ainda ouço.
Espero que você ouça também.
O amor é isso tudo.
Obrigada. :)
- Eu amo você.
Eu nunca te disse.
Você sabia, é claro, assim como sabia que eu nunca diria.
Era 2012, meus cabelos não eram tão longos, nem tão loucos.
Saíamos cedo, voltávamos tarde - você, principalmente.
Eu me sentava em casa depois do cursinho, trançava os cabelos e esperava que você voltasse. Intacto.
Sua boca tinha gosto de nada, como toda boca deve ser.
Você chegava em silêncio, vivia em silêncio, e nada nunca precisava ser dito.
Eu brincava de trançar seus cabelos, enquanto você fingia que dormia. Era meu jeito de dizer eu te amo. Era seu jeito de dizer eu também.
Eu nunca te disse.
E nem você.
Mas você segurou a barra quando eu tinha pesadelos toda noite. E me comprou chocolate quando eu não quis mais sair de casa.
Me trouxe livros que eu não quero devolver, que eu vou ler na ordem exata que você trouxe.
Você nunca disse que me amava, mas segurou minha mão quando eu não conseguia mais dormir por causa da dor nas costas.
Você nunca me disse, mas me abraçou no dia em que eu decidi que não queria mais ser quem eu era. E veio comigo, pra dizer que eu podia ser quem quisesse, que eu podia até ser médica.
Você nunca me disse, mas eu soube, porque seus cabelos nunca cresceram de novo.
Eu nunca disse, mas te fiz chá quando você voltou com frio de sei lá onde.
Eu tinha sempre um band-aid na cabeceira da cama, pra quando você voltasse.
Eu nunca disse que te amava, mas lia pra você em inglês, com uma pronúncia terrível. Eu nunca disse, mas quando você disse que ia embora, meu coração se partiu em dois, e foi por isso que eu só disse "ok".
Não dizia, mas não conseguia ir pra aula porque tinha que te ver antes. Nunca cheguei no primeiro horário.
Eu nunca disse, mas deixei que você fizesse as palavras cruzadas quando você ficou doente.
Eu nunca te disse, mas nunca falei de você direito pra ninguém, nunca disse uma palavra contra você.
Eu nunca disse, mas deixei que você fosse embora, mesmo querendo que você ficasse.
Eu não estava pronta pra ficar sozinha. Mas você estava.
Eu nunca disse,
mas eu disse.
E ouvi, incontáveis vezes, nas suas mãos, na sua boca, nos seus olhos, nos seus cabelos, nos incontáveis copos de água, no gesto de apagar as luzes, nas caminhadas até o mercado pra comprar sorvete, no gosto de chocolate branco misturado com chocolate preto, de batatas fritas e chocolate.
Eu ouvi, Otto. E ainda ouço.
Espero que você ouça também.
O amor é isso tudo.
Obrigada. :)
28x05 Bem querer
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Eu amo você, digo pro meu reflexo no espelho. Tento me convencer.
Eu não sei amar. Desaprendi, conhecimento obscuro, conhecimento desnecessário.
Tô tão perdida. Tô tão só, e gosto de estar só.
Não quero ninguém aqui dentro.
Ouço músicas de amor o tempo todo, tentando entender, tentando despertar aquela vontade de estar junto.
Não dá.
- Algo sério.
Ele usa essas palavras e eu busco a vontade dentro de mim. Não está lá. Eu to morta por dentro. Podre, fétida. Quero gostar de você, quero sua pele, quero beijar sua boca a madrugada toda, dormir na sua cama, invadir sua casa com meus pijamas e usar suas camisetas. Só não quero te amar, só não quero seu amor.
Quero solidão. A solidão de chegar em casa e não significar nada pra ninguém. De não esperar mais do que o mínimo de cada dia, de não querer pensar ou brigar. De estar protegida de tudo.
Quero a solidão de falar com Holden todos os dias, todas as noites, e de não esperar nada dele. Quero a solidão de juntar nossas solidões de quando em quando, só por juntar, só pra não ser assim tão só, sem deixar de estar só.
Quero sair de casa sem rumo, sem desejo, sem pentear meus cabelos ou com a roupa mais sexy do guarda-roupas. Só porque. Porque sim.
Quero sentir prazer em estar só. Quero sair com meus amigos, beber vinho e passar batom - batom que ninguém vai borrar.
Quero pentear meus cabelos porque eu amo meus cabelos meio enrolados, meio lisos, secos e barulhentos.
Quero tocar meus amigos e retirar deles todo o contato que preciso para o dia inteiro.
Quero me perder em conversas que duram horas, sem segundas intenções, sem me preocupar se esse tempo deveria estar sendo gasto com outro alguém.
Quero suprir minha necessidade de amor ouvindo músicas e assistindo filmes. Quero viver o amor dos outros, os finais felizes.
Quero a boca de quem quiser minha boca, quero o calafrio de saber que talvez. Mas não quero certezas, não quero perguntas, não quero grandes atos românticos, nem beijos roubados. Não quero confusão. Quero que me goste, mas que aceite se eu não puder gostar de volta.
Eu quero ler poesia e não esperar nada do destino. Quero me apaixonar pelo vento fresco da tarde, pelos personagens de livros, pela cor da pele de um rapaz que conheci, pelo gosto do pão de queijo com café. Quero me apaixonar pela textura dos cabelos nos quais não toco e pela sensação de chegar em casa e deitar no sofá.
Eu não posso mais amar alguém, eu não quero mais ser quem ama alguém. Não agora.
Eu quero ser minha. E não quero que ninguém seja meu.
Um dia passa.
Mas, por enquanto,
não preciso de mais nada.
Eu amo você, digo pro meu reflexo no espelho. Tento me convencer.
Eu não sei amar. Desaprendi, conhecimento obscuro, conhecimento desnecessário.
Tô tão perdida. Tô tão só, e gosto de estar só.
Não quero ninguém aqui dentro.
Ouço músicas de amor o tempo todo, tentando entender, tentando despertar aquela vontade de estar junto.
Não dá.
- Algo sério.
Ele usa essas palavras e eu busco a vontade dentro de mim. Não está lá. Eu to morta por dentro. Podre, fétida. Quero gostar de você, quero sua pele, quero beijar sua boca a madrugada toda, dormir na sua cama, invadir sua casa com meus pijamas e usar suas camisetas. Só não quero te amar, só não quero seu amor.
Quero solidão. A solidão de chegar em casa e não significar nada pra ninguém. De não esperar mais do que o mínimo de cada dia, de não querer pensar ou brigar. De estar protegida de tudo.
Quero a solidão de falar com Holden todos os dias, todas as noites, e de não esperar nada dele. Quero a solidão de juntar nossas solidões de quando em quando, só por juntar, só pra não ser assim tão só, sem deixar de estar só.
Quero sair de casa sem rumo, sem desejo, sem pentear meus cabelos ou com a roupa mais sexy do guarda-roupas. Só porque. Porque sim.
Quero sentir prazer em estar só. Quero sair com meus amigos, beber vinho e passar batom - batom que ninguém vai borrar.
Quero pentear meus cabelos porque eu amo meus cabelos meio enrolados, meio lisos, secos e barulhentos.
Quero tocar meus amigos e retirar deles todo o contato que preciso para o dia inteiro.
Quero me perder em conversas que duram horas, sem segundas intenções, sem me preocupar se esse tempo deveria estar sendo gasto com outro alguém.
Quero suprir minha necessidade de amor ouvindo músicas e assistindo filmes. Quero viver o amor dos outros, os finais felizes.
Quero a boca de quem quiser minha boca, quero o calafrio de saber que talvez. Mas não quero certezas, não quero perguntas, não quero grandes atos românticos, nem beijos roubados. Não quero confusão. Quero que me goste, mas que aceite se eu não puder gostar de volta.
Eu quero ler poesia e não esperar nada do destino. Quero me apaixonar pelo vento fresco da tarde, pelos personagens de livros, pela cor da pele de um rapaz que conheci, pelo gosto do pão de queijo com café. Quero me apaixonar pela textura dos cabelos nos quais não toco e pela sensação de chegar em casa e deitar no sofá.
Eu não posso mais amar alguém, eu não quero mais ser quem ama alguém. Não agora.
Eu quero ser minha. E não quero que ninguém seja meu.
Um dia passa.
Mas, por enquanto,
não preciso de mais nada.
Marcadores:
ANA,
Just in time,
love,
my dear myself
20x20 Over?
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Acho que preciso ficar sozinha.
Sem moves, sem estratégias. Sozinha.
Tô precisando ler, tô precisando pensar.
Seria bom, pra variar, me arrumar pra mim, pra eu ver, pra eu gostar. Sem ele, sem mais.
Quero ter mais conversas espontâneas, fugir menos.
Quero parar de rir tão escandalosamente quando o vejo se aproximar, quero parar de sair correndo quando não quero que ele me veja, quero não me sentir mais tão burra quando conversamos.
Acho que só quero ficar mais livre do nome dele, da sua voz. Quero chegar àquele ponto em que possa tocá-lo sem prender a respiração e digitar a primeira letra do seu nome no facebook sem que a foto dele apareça primeiro na lista.
E quero parar de confundir as coisas.
Detalhes, fios de cabelo e tons de voz.
Quero ficar sozinha.
Só por um tempo.
Até eu estar pronta.
Acho que preciso ficar sozinha.
Sem moves, sem estratégias. Sozinha.
Tô precisando ler, tô precisando pensar.
Seria bom, pra variar, me arrumar pra mim, pra eu ver, pra eu gostar. Sem ele, sem mais.
Quero ter mais conversas espontâneas, fugir menos.
Quero parar de rir tão escandalosamente quando o vejo se aproximar, quero parar de sair correndo quando não quero que ele me veja, quero não me sentir mais tão burra quando conversamos.
Acho que só quero ficar mais livre do nome dele, da sua voz. Quero chegar àquele ponto em que possa tocá-lo sem prender a respiração e digitar a primeira letra do seu nome no facebook sem que a foto dele apareça primeiro na lista.
E quero parar de confundir as coisas.
Detalhes, fios de cabelo e tons de voz.
Quero ficar sozinha.
Só por um tempo.
Até eu estar pronta.
19x02 The taste of what you pay for
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Gosto de quê?
Quem liga se eu pago ou como pago?
De quem é a conta?
É tão boa quanto qualquer outra?
Acho que nem é isso.
As perguntas que eu acho que ouço não são essas.
E, por mim, tudo bem. Mas, sabe o que dizem, "o inferno são os outros".
Gosto de quê?
Quem liga se eu pago ou como pago?
De quem é a conta?
É tão boa quanto qualquer outra?
Acho que nem é isso.
As perguntas que eu acho que ouço não são essas.
E, por mim, tudo bem. Mas, sabe o que dizem, "o inferno são os outros".
16x30 The Death of you and me (Season Finale)
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
All alone
It was always there you see
And even on my own
It was always standing next to me
Milhões de pequenas coisas, tão ínfimas que nem as percebi, traçaram meu caminho até esse nosso último encontro.
I can see is coming from the edge of the room
Creeping in the streetlight
As luzes dos postes piscaram, uma óbvia recomendação, mas meu mundo era outro, não as vi.
Dei três belos saltos na calçada, amei meus tênis infantis e amei andar. O tempo úmido e frio queimava meus braços de leve e as ruas vazias choravam saudades.
Holding my hand in the pear grove
Can you see it coming now?
Pensei em correr. Mas lembrei que era sábado, não tinha pressa.
Atravessei na faixa, no sinal vermelho. Mas era sábado e ninguém morrer aos sábados, então não atravessei na faixa, corri pelo meio da rua.
Cheguei ao outro lado, viva. Ainda pensava em belas irmãs e casamentos na praia quando ele surgiu.
Oh - i think i'm breaking down again
Oh - i think i'm breaking down
Ele se aproximou e eu também, ainda hipnotizada pelo poder de um par de globos oculares.
Olhava pra mim ou olhava através de mim, não importava.
Tentei tocá-lo, chamar sua atenção, mas meu braço não se moveu.
Minha boca ficou colada e o ar parecia ter parado de circular nos meus pulmões.
Eu soube que algo em mim morria sem que eu pudesse fazer nada.
All alone
Even when i was a child
I've always known
That it was something to be frightened of
Isso me assustou e eu corri pra chamá-lo, mas a boca não se movia.
Ele continuou seu caminho, parcialmente iluminado pelos postes de luz e eu esperei que ele me olhasse. Eu acenaria e ele saberia, saberia que algo estava errado.
I can see is coming from the edge of the room
Creeping in the streetlight
Eu esperei, no frio e no escuro, enquanto as ruas choravam. Esperei.
Esperei até a última luz, até que você sumisse no escuro.
Holding my hand in the pear grove
Can you see it coming now?
Mas você não se virou nem uma vez.
E, o que quer que houvesse dentro de mim, morreu naquela noite, à sua espera.
Oh - i think i'm breaking down again
Mas você não se virou. Nem uma vez.
Oh - i think i'm breaking down.
All alone
It was always there you see
And even on my own
It was always standing next to me
Milhões de pequenas coisas, tão ínfimas que nem as percebi, traçaram meu caminho até esse nosso último encontro.
I can see is coming from the edge of the room
Creeping in the streetlight
As luzes dos postes piscaram, uma óbvia recomendação, mas meu mundo era outro, não as vi.
Dei três belos saltos na calçada, amei meus tênis infantis e amei andar. O tempo úmido e frio queimava meus braços de leve e as ruas vazias choravam saudades.
Holding my hand in the pear grove
Can you see it coming now?
Pensei em correr. Mas lembrei que era sábado, não tinha pressa.
Atravessei na faixa, no sinal vermelho. Mas era sábado e ninguém morrer aos sábados, então não atravessei na faixa, corri pelo meio da rua.
Cheguei ao outro lado, viva. Ainda pensava em belas irmãs e casamentos na praia quando ele surgiu.
Oh - i think i'm breaking down again
Oh - i think i'm breaking down
Ele se aproximou e eu também, ainda hipnotizada pelo poder de um par de globos oculares.
Olhava pra mim ou olhava através de mim, não importava.
Tentei tocá-lo, chamar sua atenção, mas meu braço não se moveu.
Minha boca ficou colada e o ar parecia ter parado de circular nos meus pulmões.
Eu soube que algo em mim morria sem que eu pudesse fazer nada.
All alone
Even when i was a child
I've always known
That it was something to be frightened of
Isso me assustou e eu corri pra chamá-lo, mas a boca não se movia.
Ele continuou seu caminho, parcialmente iluminado pelos postes de luz e eu esperei que ele me olhasse. Eu acenaria e ele saberia, saberia que algo estava errado.
I can see is coming from the edge of the room
Creeping in the streetlight
Eu esperei, no frio e no escuro, enquanto as ruas choravam. Esperei.
Esperei até a última luz, até que você sumisse no escuro.
Holding my hand in the pear grove
Can you see it coming now?
Mas você não se virou nem uma vez.
E, o que quer que houvesse dentro de mim, morreu naquela noite, à sua espera.
Oh - i think i'm breaking down again
Mas você não se virou. Nem uma vez.
Oh - i think i'm breaking down.
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