Imagem: TingTing Huang
(Peço desculpas por qualquer perturbação que possa causar, querido leitor. Mas não meço palavras. Hoje não. Eu sofro, e não vou sentir muito, por sentir tanto)
Sonho com baratas.
Você me sufoca, durante um sonho.
Eu, Selvagem,
estive tentando te dar amor
mas você não foi feito pra ser amado, foi?
Ah, não, você não foi feito pra isso, sentimentos desse tipo, pra pessoas desse tipo. Você quer limpeza, quer fordeza, quer gramas de soma e Golfe-Obstáculo, sentir beijos que não lhe foram dados, você quer essa sensação passageira, esse interesse breve, seu amor possui interruptor.
Desembaraço meus cabelos com força,
mas sem me machucar
e percebo que te odeio, que todas as gramas de Soma não são suficientes pra me fazer esquecer disso.
Oh, meu Ford,
eu te odeio e não se deve odiar ninguém.
É proibido, não é?
Enfio as unhas nas palmas das mãos
e eu te odeio, eu me deixo te odiar.
Um rapaz me pergunta, educadamente, se amo alguém, baixinho, como se fosse um pecado
e eu digo
não.
Mas eu odeio, e ódio e amor são a mesma coisa, em dias como esses.
Eu odeio você,
e tenho ignorado isso por tempo demais,
por medo das consequências que odiar alguém podem trazer.
Mas
será que podem ser diferentes disso?
Te odiar vai me partir em mais pedaços?
4 comprimidos de meia grama pra mim,
4 para Henry,
e derretemos no chão de madeira,
acalentados pela voz de vestido fúcsia, eu tô tão cansada,
eu tô tão cansada
que confundo tudo, mas não quero mais confundir,
estendo meus dedos na direção dele,
mas ele também sente dor, e não pode me ajudar.
Então, eu me levanto e dirijo pra casa,
ébria,
falsamente feliz,
a cabeça trabalhando numa fórmula pra te apagar do universo.
Cheguei em casa e ela me disse,
essa mulher minúscula, mínima
que eu tô aqui porque eu sou forte,
ela me disse coisas,
ela encheu meus bolsos de soma
e me sussurrou no ouvido
pra não tomá-lo,
ela me disse pra ficar sóbria
pra esperar,
pra entender
e eu esperei,
esperei até o efeito passar pra poder perceber o que tô percebendo aqui, agora, na frente do espelho
eu te odeio
Eu quero fazer coisas horríveis com você,
estamos ligados por esse sentimento horrível e escuro que tô carregando
essa coisa que me torna amaldiçoada e incapaz de me sentir plena, feliz, satisfeita
essa nuvem negra em cima da minha cabeça.
Alguém me oferece mais uma grama, outra grama, outra
e eu tô tomando
até a euforia bater, a vontade de acordar do lado,
de ouvir músicas bonitas à tarde toda,
eu tô tomando,
eu tô tomando, uma grama, outra grama, outra
e fingindo que tá tudo bem
Porque, quando eu parar de tomar,
quando eu parar de fingir
vou acabar com você,
vou arrancar cada grama de soma do teu corpo
e te ver sentir dor e adoecer,
como você fez comigo.
Eu vou despejar o ácido das minhas feridas na tua goela
e te ver queimar por dentro,
vou ter a coragem que você não tem e nunca vai ter,
eu vou te fazer sangrar no mesmo chão em que você me deixou pra morrer,
vou arrancar a sua língua pra que você nunca mais possa me machucar,
vou arrancar seus olhos,
furar seus ouvidos,
eu vou arrancar tua pele toda e queimar,
vou urinar no seu rosto, e vou sentir o prazer físico de me aliviar,
eu vou arrancar o seu coração e não, eu não vou comer,
eu não quero pegar essa sua doença.
Eu vou pisar nele.
Eu vou pisar nele.
Tantas vezes, tantas vezes, que me dá água na boca imaginar a carne se desfazendo sob os meus pés, se transformando em uma massa de sangue e carne, disforme.
Eu preciso te machucar, entende?
Porque você me machucou.
Porque não tem outra cura, porque eu finalmente te odeio, como você queria que fosse,
como deveria ter sido desde o começo.
2 gramas no total, eu tomo e me deito na cama
fecho meus olhos
e espero que passe
mas não quero que passe,
não mais.
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33x13 Princess of Hearts
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
"The card also appears to indicate a woman falling in love"
Feito Alice, caí no buraco do coelho branco, cabeça cheia de gummy, tonta, feliz. "siga o coelho branco"
Andamos, Elspeth e eu, e eu o vi, na penumbra, atrasado, sempre atrasado, um timing terrível feito o meu.
Estou preocupada, relógio parado, minha vida está uma zona, corações batendo em descompasso, desordem, caos, sem tempo pra levar o lixo pra fora.
As horas nos relógios dos outros batem, iguais, 10:10, 07:07, 13:13, 19:19, 18:18
Meu celular inunda de mensagens, minha cabeça inunda de romance, ressignificando o universo, os eclipses, a sua existência.
Mal entendidos.
Eu não sei o que quero.
E admitir isso também traz uma certa paz.
Algo relacionado à certeza de que não sei e, portanto, a pressão de não conseguir não pode me afetar. A pressão de conseguir não pode me afetar.
Eu não preciso saber.
Gosto disso.
Já me sinto capaz de amar, andar de mãos dadas. Talvez até conhecer pai e mãe.
Não me sinto mais quebrada, destruída, pela metade,
incapaz de oferecer mais do que migalhas.
Não, estou mais forte.
Gosto de quem sou.
e você também vai gostar, quem quer que você seja.
Venha.
Eu gosto de vampiros, de dançar na ponta dos pés, de chuva e de camarão.
Não gosto de ficar doente, nem de arrumar meu quarto.
Setembro tá acabando e eu já quero desistir de você,
já tô ficando assustada com os mal entendidos, com medo de que você seja quem eu não quero que seja.
Então, espero, sem dizer nada.
De pé, no escuro, esperando o último ônibus passar, coração na mão, sem ter certeza da hora, da vida, do futuro.
E quase consigo te sentir,
juro,
quase consigo ouvir seus passos chegando junto com o último ônibus que parte de setembro,
a mão estendida fazendo sinal pra que ele pare.
Me distraio com seu rosto,
te reconheço,
meu corpo todo te reconhece, sussurra empolgado,
e eu sinto vontade de chorar de emoção
porque você veio.
Eu nem sei se você me reconhece, olha,
mas isso não importa ainda.
- Você vem?
é o que a tua voz - cujo tom eu nem consigo imaginar - diz
E eu vou.
Eu vou.
Vamos juntos.
"The card also appears to indicate a woman falling in love"
Feito Alice, caí no buraco do coelho branco, cabeça cheia de gummy, tonta, feliz. "siga o coelho branco"
Andamos, Elspeth e eu, e eu o vi, na penumbra, atrasado, sempre atrasado, um timing terrível feito o meu.
Estou preocupada, relógio parado, minha vida está uma zona, corações batendo em descompasso, desordem, caos, sem tempo pra levar o lixo pra fora.
As horas nos relógios dos outros batem, iguais, 10:10, 07:07, 13:13, 19:19, 18:18
Meu celular inunda de mensagens, minha cabeça inunda de romance, ressignificando o universo, os eclipses, a sua existência.
Mal entendidos.
Eu não sei o que quero.
E admitir isso também traz uma certa paz.
Algo relacionado à certeza de que não sei e, portanto, a pressão de não conseguir não pode me afetar. A pressão de conseguir não pode me afetar.
Eu não preciso saber.
Gosto disso.
Já me sinto capaz de amar, andar de mãos dadas. Talvez até conhecer pai e mãe.
Não me sinto mais quebrada, destruída, pela metade,
incapaz de oferecer mais do que migalhas.
Não, estou mais forte.
Gosto de quem sou.
e você também vai gostar, quem quer que você seja.
Venha.
Eu gosto de vampiros, de dançar na ponta dos pés, de chuva e de camarão.
Não gosto de ficar doente, nem de arrumar meu quarto.
Setembro tá acabando e eu já quero desistir de você,
já tô ficando assustada com os mal entendidos, com medo de que você seja quem eu não quero que seja.
Então, espero, sem dizer nada.
De pé, no escuro, esperando o último ônibus passar, coração na mão, sem ter certeza da hora, da vida, do futuro.
E quase consigo te sentir,
juro,
quase consigo ouvir seus passos chegando junto com o último ônibus que parte de setembro,
a mão estendida fazendo sinal pra que ele pare.
Me distraio com seu rosto,
te reconheço,
meu corpo todo te reconhece, sussurra empolgado,
e eu sinto vontade de chorar de emoção
porque você veio.
Eu nem sei se você me reconhece, olha,
mas isso não importa ainda.
- Você vem?
é o que a tua voz - cujo tom eu nem consigo imaginar - diz
E eu vou.
Eu vou.
Vamos juntos.
32x09 Two paper airplanes
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garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Beijo a sua boca.
E meu coração explode em pedacinhos.
Confundo com amor, porque não conheço amor.
Porque ninguém nunca me explicou que amar não é isso.
Tô sentada na calçada, fumando um cigarro, amuada, porque Ben e Hannah não ficaram juntos no final.
Porque os meus casais favoritos nunca ficam juntos no final.
Alguém passa, me vê, bagunça meu cabelo já bagunçado.
E eu simplesmente tenho que rir.
Nós éramos um dos meus casais favoritos, sabe?
Eu torci bastante.
Mas eu também torci por Otto e eu - acho que ainda torço.
E por McCandless e eu.
Torci por Holden e eu, também.
Antes mesmo do nosso primeiro beijo, eu te falei dessa minha curiosidade, dessa vontade imensa de entender o que é que acontece depois que o filme acaba, depois que o herói beija a mocinha.
- Bom, não dura pra sempre.- digo, pra rua vazia.
Olho pra lua, penso em todas as coincidências, todos os milhares de pequenos enganos e erros que me trouxeram a essa calçada, os joelhos de Otto, a falta de cabelos de Holden, a doença de Augustus, o gosto de doce na boca de McCandless.
E eu percebo,
que estou mesmo à procura.
E que não pretendo parar.
Que esse texto era pra ser sobre você, moço,
mas minha vida não é mais sobre você.
Dou a última tragada no cigarro, e apago o que sobra com o pé, antes de me levantar,
e ir embora.
Pra onde?
Você sabe: setembro.
Enquanto setembro não chega,
oscilo.
Vou, volto.
Amo, odeio, me apaixono e me desapaixono a torto e a direito, fico entediada, escrevo mensagens e volto atrás.
Espero ele chegar.
Mas não tenho pressa.
Não tenho pressa.
Beijo a sua boca.
E meu coração explode em pedacinhos.
Confundo com amor, porque não conheço amor.
Porque ninguém nunca me explicou que amar não é isso.
Tô sentada na calçada, fumando um cigarro, amuada, porque Ben e Hannah não ficaram juntos no final.
Porque os meus casais favoritos nunca ficam juntos no final.
Alguém passa, me vê, bagunça meu cabelo já bagunçado.
E eu simplesmente tenho que rir.
Nós éramos um dos meus casais favoritos, sabe?
Eu torci bastante.
Mas eu também torci por Otto e eu - acho que ainda torço.
E por McCandless e eu.
Torci por Holden e eu, também.
Antes mesmo do nosso primeiro beijo, eu te falei dessa minha curiosidade, dessa vontade imensa de entender o que é que acontece depois que o filme acaba, depois que o herói beija a mocinha.
- Bom, não dura pra sempre.- digo, pra rua vazia.
Olho pra lua, penso em todas as coincidências, todos os milhares de pequenos enganos e erros que me trouxeram a essa calçada, os joelhos de Otto, a falta de cabelos de Holden, a doença de Augustus, o gosto de doce na boca de McCandless.
E eu percebo,
que estou mesmo à procura.
E que não pretendo parar.
Que esse texto era pra ser sobre você, moço,
mas minha vida não é mais sobre você.
Dou a última tragada no cigarro, e apago o que sobra com o pé, antes de me levantar,
e ir embora.
Pra onde?
Você sabe: setembro.
Enquanto setembro não chega,
oscilo.
Vou, volto.
Amo, odeio, me apaixono e me desapaixono a torto e a direito, fico entediada, escrevo mensagens e volto atrás.
Espero ele chegar.
Mas não tenho pressa.
Não tenho pressa.
25x17 Never be apart (Season Finale)
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Você nunca lerá essa carta, portanto não serei formal, não há necessidade.
Minha boca tem gosto de choro, de sono, de cinza, de sangue: de você, mesmo depois de todos esses anos.
Nas ruas, gritam seu nome, pedem sua cabeça, seu sangue, sua vida. Exigem.
Tento dizer que você é meu. Não consigo.
Me perguntam sobre você, sobre nós e nego tudo três vezes, trilhões de vezes.
Outro dia, uma garota me perguntou se era verdade que você me amava.
Achei graça. Disse que não sabia.
Você me ama? Você já amou alguém?
Gente como você e eu não ama, não é?
Gente estragada não sabe o que é amor, confunde com outras coisas.
Gente como nós só conhece morte e sangue, cinza e vermelho.
Amor não é assim, do jeito como nos ensinaram. Eu queria poder te dizer, mesmo agora, te mostrar, mesmo que eu não saiba direito como se faz, como funciona.
Somos monstros, eu sei. Mas eu precisava ver de perto como é. Eu precisava aprender a ser amada. Mas eu só sei o que você sabe, castigos e surras, sangue e silêncio. Só sei amar guardando segredos e mágoas, construindo defesas e barreiras. Só sei amar matando, dessangrando.
Só sei amar sendo cruel.
E não sei ser amada. Parece impossível, loucura.
E, mesmo assim, não desisto.
Eu erro e erro e erro. Mordo, açoito, rasgo e grito.
Mas não desisto.
Acho que existe uma chance. Pra mim. De ser outra pessoa. De ser uma pessoa.
Eu queria que essa carta chegasse até você. Que você lesse e soubesse que há esperança pra todos nós.
Mas é tarde demais.
Mais dia, menos dia, sangue e morte, a multidão que clama seu nome te devorará vivo, enquanto eu nego seu nome, sua existência, nossa existência.
Eu rezo, Daniel.
Não pela sua alma.
Rezo pra não ser a próxima.
Ou pra que, por milagre, você esteja vivo na cova dos leões, quando a manhã chegar.
Esteja vivo.
Você nunca lerá essa carta, portanto não serei formal, não há necessidade.
Minha boca tem gosto de choro, de sono, de cinza, de sangue: de você, mesmo depois de todos esses anos.
Nas ruas, gritam seu nome, pedem sua cabeça, seu sangue, sua vida. Exigem.
Tento dizer que você é meu. Não consigo.
Me perguntam sobre você, sobre nós e nego tudo três vezes, trilhões de vezes.
Outro dia, uma garota me perguntou se era verdade que você me amava.
Achei graça. Disse que não sabia.
Você me ama? Você já amou alguém?
Gente como você e eu não ama, não é?
Gente estragada não sabe o que é amor, confunde com outras coisas.
Gente como nós só conhece morte e sangue, cinza e vermelho.
Amor não é assim, do jeito como nos ensinaram. Eu queria poder te dizer, mesmo agora, te mostrar, mesmo que eu não saiba direito como se faz, como funciona.
Somos monstros, eu sei. Mas eu precisava ver de perto como é. Eu precisava aprender a ser amada. Mas eu só sei o que você sabe, castigos e surras, sangue e silêncio. Só sei amar guardando segredos e mágoas, construindo defesas e barreiras. Só sei amar matando, dessangrando.
Só sei amar sendo cruel.
E não sei ser amada. Parece impossível, loucura.
E, mesmo assim, não desisto.
Eu erro e erro e erro. Mordo, açoito, rasgo e grito.
Mas não desisto.
Acho que existe uma chance. Pra mim. De ser outra pessoa. De ser uma pessoa.
Eu queria que essa carta chegasse até você. Que você lesse e soubesse que há esperança pra todos nós.
Mas é tarde demais.
Mais dia, menos dia, sangue e morte, a multidão que clama seu nome te devorará vivo, enquanto eu nego seu nome, sua existência, nossa existência.
Eu rezo, Daniel.
Não pela sua alma.
Rezo pra não ser a próxima.
Ou pra que, por milagre, você esteja vivo na cova dos leões, quando a manhã chegar.
Esteja vivo.
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Early Cuts: Mr. Moustache
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garota solteira procura,
- Sua barba pinica. Você deveria cortar o cabelo e fazer a barba.
- Você fala feito a minha mãe.
- Mas é horrível, você sabe.
- É a minha última oportunidade de ver como fica.
Olho seu rosto no espelho, só olhos e nariz, escondidos no meio de cabelos revoltos.
Ele vai embora, sei lá pra onde, sei lá por quanto tempo.
Não quero que ele vá e não sei como dizer, mas não posso dizer. Eu não quero que ele saiba. Ele tem que ir, de qualquer forma. Que pense que o apoio, então.
- Bels? No que é que você está pensando?, ele pergunta, sentando-se ao meu lado na cama.
- Que você deveria tirar essa barba ridícula, minto.
Ele me olha nos olhos. "Eu não quero que você vá embora. Por favor, fica. Eu não sei fazer as coisas sozinha. Não sei nem quem eu sou. Depois que você for, não vou durar um dia sequer. Fica. Eu preciso de você aqui", tento fazer com que meus olhos digam.
Nos abraçamos e ele sussurra:
- Essa é a nossa chance de testar nossos destinos. Vamos descobrir se a gente fica junto no final.
Eu ainda não sei. E você?
- Você fala feito a minha mãe.
- Mas é horrível, você sabe.
- É a minha última oportunidade de ver como fica.
Olho seu rosto no espelho, só olhos e nariz, escondidos no meio de cabelos revoltos.
Ele vai embora, sei lá pra onde, sei lá por quanto tempo.
Não quero que ele vá e não sei como dizer, mas não posso dizer. Eu não quero que ele saiba. Ele tem que ir, de qualquer forma. Que pense que o apoio, então.
- Bels? No que é que você está pensando?, ele pergunta, sentando-se ao meu lado na cama.
- Que você deveria tirar essa barba ridícula, minto.
Ele me olha nos olhos. "Eu não quero que você vá embora. Por favor, fica. Eu não sei fazer as coisas sozinha. Não sei nem quem eu sou. Depois que você for, não vou durar um dia sequer. Fica. Eu preciso de você aqui", tento fazer com que meus olhos digam.
Nos abraçamos e ele sussurra:
- Essa é a nossa chance de testar nossos destinos. Vamos descobrir se a gente fica junto no final.
Eu ainda não sei. E você?
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18x08 Without a trace
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garota solteira procura,
Imagem: Ting Ting Huang
Ouvi dizer que as pessoas só devem ficar em nossas vidas enquanto são necessárias. Mais que isso seria tolice, desperdício.
Foi assim com Otto. Ele esteve por aí me dizendo, com aqueles olhões, que era hora de crescer.
Ele me disse, batendo as mãos umas nas outras, que eu tinha que estudar.
Me ensinou a ser paciente enquanto esperávamos nossos ônibus no ponto.
Ele me disse que eu precisava me gostar mais, me mostrou coisas dentro da minha cabeça que eu nunca teria visto sozinha.
Ainda tem tanta coisa que eu tenho que aprender, coisas que eu queria que ele me ensinasse.
Mas ele não pode, ou ainda não pode.
Obrigada, Otto. Por todos esses dias e por todos esses gestos e olhares e por não cortar os cabelos nem se demitir antes que eu pudesse, finalmente, andar com meus próprios pés.
Tenha uma boa vida. Por favor.
Ouvi dizer que as pessoas só devem ficar em nossas vidas enquanto são necessárias. Mais que isso seria tolice, desperdício.
Foi assim com Otto. Ele esteve por aí me dizendo, com aqueles olhões, que era hora de crescer.
Ele me disse, batendo as mãos umas nas outras, que eu tinha que estudar.
Me ensinou a ser paciente enquanto esperávamos nossos ônibus no ponto.
Ele me disse que eu precisava me gostar mais, me mostrou coisas dentro da minha cabeça que eu nunca teria visto sozinha.
Ainda tem tanta coisa que eu tenho que aprender, coisas que eu queria que ele me ensinasse.
Mas ele não pode, ou ainda não pode.
Obrigada, Otto. Por todos esses dias e por todos esses gestos e olhares e por não cortar os cabelos nem se demitir antes que eu pudesse, finalmente, andar com meus próprios pés.
Tenha uma boa vida. Por favor.
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16x02 Órbita
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garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Você sonha?
Eu não sei.
O que acontece se você fechar os olhos?
Eu não sei.
Onde você vai quando dorme?
Eu não sei.
Qual delas é você?
Eu não sei.
(A verdade é que sou todas elas, e nenhuma delas sou eu. Não existe separação, mas não existe junção)
Você sonha?
Eu não sei.
O que acontece se você fechar os olhos?
Eu não sei.
Onde você vai quando dorme?
Eu não sei.
Qual delas é você?
Eu não sei.
(A verdade é que sou todas elas, e nenhuma delas sou eu. Não existe separação, mas não existe junção)
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15x08 Ginger Snaps
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garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Pensei que tivesse enlouquecido. Não seria a primeira vez, não seria nem a pior. Não chegaria nem perto da pior.
Cheguei a pensar que, talvez, Otto não existisse.
Eu o tive tantas vezes, de tantas maneiras, na minha mente, na ponta do lápis. Talvez eu o tivesse inventado.
Quase parei um senhor na rua pra perguntar se ele se lembrava de nos ter visto juntos, mas não consegui reunir coragem suficiente. Me apavorou que ele pudesse dizer que sempre me vira rindo sozinha.
Me sentia cada vez mais distante do nós como se estivesse esquecendo de um sonho. Fui perdendo as cores das suas camisetas, os movimentos dos seus joelhos e a sua gengiva. Perdi há muito as lembranças da sua boca e do seu nariz. Mas te sinto de cor.
Ainda tinha a sensação sombria de que você era imaginário, alguém que "entrevi" na rua e fantasiei de meu. Essa sensação me tirou do prumo, me rasgou aquela película de sanidade tão frágil; me olhei no espelho e me disse "tu és louca".
Eu quis ir pra casa, quis minha mãe, aconchego, ar. Se fiquei, foi por pura teimosia e porque achei que, se fosse, não voltaria mais.
Sentei numa cadeira, alheia ao mundo por horas, mergulhei na Física e na Geografia.
De repente, aquela vontade de ir embora, de me levantar e ir pra rua olhar o céu.
Corri, deixando pra trás folhas e canetas - alguém me chamou de volta -, como se soubesse que tinha que ir lá fora.
A rua fria, o céu escuro e eu parada no meio, sem saber pra onde ir. Olhei pros lados, buscando atravessar e ela olhou e ela olhou pra mim - ela lembra de mim?
Ginger.
(Se ela é real, Otto é real, porque eles eram um pacote só)
Não sorri, não a cumprimentei, não lhe perguntei sobre Otto.
Só respirei fundo e, por alguns instantes, senti meu vazio preenchido de ar.
(Quem é que pode dizer que sentiu tanto alívio ao ver a própria rival?)
Pensei que tivesse enlouquecido. Não seria a primeira vez, não seria nem a pior. Não chegaria nem perto da pior.
Cheguei a pensar que, talvez, Otto não existisse.
Eu o tive tantas vezes, de tantas maneiras, na minha mente, na ponta do lápis. Talvez eu o tivesse inventado.
Quase parei um senhor na rua pra perguntar se ele se lembrava de nos ter visto juntos, mas não consegui reunir coragem suficiente. Me apavorou que ele pudesse dizer que sempre me vira rindo sozinha.
Me sentia cada vez mais distante do nós como se estivesse esquecendo de um sonho. Fui perdendo as cores das suas camisetas, os movimentos dos seus joelhos e a sua gengiva. Perdi há muito as lembranças da sua boca e do seu nariz. Mas te sinto de cor.
Ainda tinha a sensação sombria de que você era imaginário, alguém que "entrevi" na rua e fantasiei de meu. Essa sensação me tirou do prumo, me rasgou aquela película de sanidade tão frágil; me olhei no espelho e me disse "tu és louca".
Eu quis ir pra casa, quis minha mãe, aconchego, ar. Se fiquei, foi por pura teimosia e porque achei que, se fosse, não voltaria mais.
Sentei numa cadeira, alheia ao mundo por horas, mergulhei na Física e na Geografia.
De repente, aquela vontade de ir embora, de me levantar e ir pra rua olhar o céu.
Corri, deixando pra trás folhas e canetas - alguém me chamou de volta -, como se soubesse que tinha que ir lá fora.
A rua fria, o céu escuro e eu parada no meio, sem saber pra onde ir. Olhei pros lados, buscando atravessar e ela olhou e ela olhou pra mim - ela lembra de mim?
Ginger.
(Se ela é real, Otto é real, porque eles eram um pacote só)
Não sorri, não a cumprimentei, não lhe perguntei sobre Otto.
Só respirei fundo e, por alguns instantes, senti meu vazio preenchido de ar.
(Quem é que pode dizer que sentiu tanto alívio ao ver a própria rival?)
5x15 Parapeito
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garota solteira procura,
Imagem: alfarman
Você conhece aquele canto escuro da sua mente? Sabe o que vive lá? Sabe quem vive lá?
Existem sete infernos dentro de mim, talvez dentro de você. Se Dante andou por todos eles, porque não nós?
Duas horas e 28 minutos pra caminhar dentro de si, só pra descobrir que sua vida é um jogo dos sete erros. E suas lembranças, o que você se tornou, é um jogo de manipulações. E os rostos...
Suas malditas lembranças. Elas aconteceram ou você as inventou? O que mais em você foi inventado?
Eu toquei as mãos frias dele no escuro e eu tinha certeza de que era a coisa certa.
Mas então McCandless. Não parecia tão certo também? E os olhos dele em todo o canto...Talvez ele seja o certo (solto as mãos no escuro e ele se desfaz em névoa laranja mecânica).
E McCandless aguarda, no sétimo inferno, pra fazer com que tudo valha a pena.
Mas, quando as porta se abrem, sei quem vai estar lá. Sei quem sempre esteve lá.
Você conhece aquele canto escuro da sua mente? Sabe o que vive lá?
Você realmente quer saber quem vive lá?
Você conhece aquele canto escuro da sua mente? Sabe o que vive lá? Sabe quem vive lá?
Existem sete infernos dentro de mim, talvez dentro de você. Se Dante andou por todos eles, porque não nós?
Duas horas e 28 minutos pra caminhar dentro de si, só pra descobrir que sua vida é um jogo dos sete erros. E suas lembranças, o que você se tornou, é um jogo de manipulações. E os rostos...
Suas malditas lembranças. Elas aconteceram ou você as inventou? O que mais em você foi inventado?
Eu toquei as mãos frias dele no escuro e eu tinha certeza de que era a coisa certa.
Mas então McCandless. Não parecia tão certo também? E os olhos dele em todo o canto...Talvez ele seja o certo (solto as mãos no escuro e ele se desfaz em névoa laranja mecânica).
E McCandless aguarda, no sétimo inferno, pra fazer com que tudo valha a pena.
Mas, quando as porta se abrem, sei quem vai estar lá. Sei quem sempre esteve lá.
Você conhece aquele canto escuro da sua mente? Sabe o que vive lá?
Você realmente quer saber quem vive lá?
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ainda sem nome,
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dantesco,
him,
McCandless
4x02 Living Plastic
Postado por
garota solteira procura,
"Eu?" 'Você está descobrindo mistérios', disse-me Nona, seus cabelos pretos flutuando magicamente em volta do fuso sem se misturarem com os fios opacos e sujos da minha tapeçaria.
"E como faço isso?" Influenciada por algo maior do que eu, dizem juntas, vagarosamente.
"Por que eu quero tanto saber isso?" Você é um caos, diz Décima, seu cabelo ruivo caindo sobre os olhos enquanto ela puxa o tecido. Várias vezes ela puxa, e seu cabelo se mistura ao pano.
"O que houve?" Você quis algo diferente. E quis tanto..., sussurram.
"E o que devo saber?" Coisas desconhecidas estão prestes a acontecer e eu só posso esperar, diz Morta, e eu me arrepio com o som da voz dela, uma voz infantil. Ela está parada, encolhida, graças aos céus, segurando sua tesoura de encontro ao peito.
"E de que isso vai me servir?" Poderá ver o mundo com clareza absoluta, dizem. (Será que isso que vejo não é real?)
Não deves agir por impulso, menina, diz Nona. Me diz que devo eliminar antigos problemas. Sei do que ela está falando.
Há força à sua volta, diz Décima, use-a a seu favor.
"Como?" Você consegue se proteger, esganiça Morta.
"E qual é a conclusão disso, porque me trouxeram aqui?" Porque deve ter cuidado. Existem lições a serem aprendidas. Elas te farão forte. Elas te farão viva.
Eu não compreendo. Sempre que elas me trazem aqui, sempre que têm algo a dizer pra mim, eu saio mais confusa do que quando estava no lugar certo. Estou cheia de perguntas e sempre que tento fazê-las, Nona me dispensa com um aceno. Décima está ocupada demais com o caos que eu sou para prestar atenção à minha presença. Mas Morta está sempre me olhando com seus olhos velhos e seu corpinho de criança.
Sinto o olhar dela me cortar ao meio, me partir, me furar, procurar até achar, até que ela possa sentir que há um fio pra que ela corte. Só então ela sorri e se despede.
O alívio dela. Às vezes é pior do que o caos. E às vezes é a única coisa que me mantém sã e certa de que há algo em mim. E está vivo.
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Florence + The Machine,
heart,
him,
live,
McCandless,
moiras,
Sandman
4x01 Commedia Dell'arte
Postado por
garota solteira procura,
Having trouble telling
How I feel
But I can dance, dance, dance
Ele estava na platéia, talvez. Eu também estava. Assistindo a um espetáculo que eu veria milhões de vezes na minha mente, que eu já tinha visto antes mesmo de ver.
Couldn't possibly tell you
How I mean
But I can dance, dance, dance
Falas confusas, eu não sou nenhuma Eliza Poe. Ele sabe disso?
"Vem, vamos dançar"
So when trip on my feet
Look at the beat
It was all
Written in the sand
Ele não parece entender "Por que estamos dançando?"
Ele não sabe que se pararmos de girar, o mundo vai acabar.
Eu não sei porque penso isso, mas estou tão certa.
Não há um pingo de lógica em meus ossos.
When I'm shaking my hips
Look for the swing
It was all
Written in the air
"E de onde vem a música?", ele perguntou.
Vinha do coração dele, alto e claro. Cantando pra mim, cantando-me pra ele. O meu coração não canta, meu coração apenas dança, rodopia.
Não pare, não pare de fazê-lo dançar!, eu quis dizer isso, mas não consegui.
Oh dance
I was a dancer all along
Não o deixe parar de novo, não deixe.
Words can never make up for what you do
Quando eu fechei os olhos, as coisas deixaram de fazer sentido.
Toda a dança e o método se perderam numa espécie de vácuo.
Então é disso que falam, então é disso que fujo?
Assim que abrir os olhos, prometo correr sem olhar pra trás.
Não abro os olhos há dias.
3x15 Choices
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garota solteira procura,
- Amor?
meus pés tocam o chão, sem fazer barulho algum.
- Querido?
entro no quarto, a colcha está esticada, nem mesmo uma dobra.
Once you have loved someone this much you doubt
It could fade
Eu estou enlouquecendo. Novamente.
"Volte pra casa..." mas aqui nunca foi o lugar dele.
As músicas bonitas são como pequenos cortes no meu corpo. Assim como as cenas de amor e os casais nas ruas.
despite how much you'd like it to
God, how you'd like it, you'd like to fade
Grito com a cama vazia - Você não pode fugir! Não pode me pedir que ame você e fugir.
A cama não responde.
When you're far away, oh god, you are so far away
E eu estou cansada como jamais estive.
Porque estou aqui. Porque estou mudando minha vida inteira por causa de alguém que talvez seja fruto da minha imaginação.
Não quero ser a porra de uma Felicity Porter. Não quero correr atrás de alguém que me disse coisas bonitas. Não quero ser a garota que tem que tentar fazer com que dê certo.
O que há de errado comigo? Por que não posso só ser eu mesma pra mim? Ser só minha?
Ouço um ruído na porta, seus passos macios... Ele bate na porta e eu sei que não preciso atender. Não tem que ser assim, eu tenho uma escolha. Existem cabelos pretos e palavras gentis a minha espera, no mundo real, eu não preciso abrir a porta.
Ele sabe disso tanto quanto eu. Não insiste.
Ouço seus passos macios.
E, com um suspiro, abro a porta correndo.
- Você é uma porra de Henry DeTamble agora?
Mas não há tempo pra broncas. Puxo seu cabelo e o beijo como se ele fosse sumir no próximo segundo.
I'm starting to fade
Estou começando a desaparecer também.
3x11 Fake Plastic Feelings
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garota solteira procura,
Big.
Big.
Big.
Big.
Meu cérebro repetiu isso várias vezes hoje. Big. Olhos claros, cabelo militar/hitler, porte de príncipe encantado. Big.
Eu tenho chamado por McCandless o dia inteiro. Onde esteve? Cada vez que eu me concentro no rosto dele, nos trejeitos que ele deveria ter, Big aparece, invadindo um pensamento ao qual não deveria pertencer.
E eu me pergunto: "Dor nas costelas? Onde está? Basta um dia pra que eu esqueça alguém que amei tanto? O QUE É ESSE MALDITO AMOR QUE ACABA COMO SE NUNCA TIVESSE EXISTIDO?"
Eu quis isso. Pedi por isso quando as circunstâncias eram outras. Mas isso me pertence! As mãos, os dentes, cada pequeno osso, cada falange disso é minha e eu tentei o dia inteiro trazer de volta, sozinha. Mas eu não consigo. Vai ver meu corpo está cansado de fingir que somos Ned e Chuck, que existe algo concreto a nos impedir.
- Ei, não vá embora! - grita meu coração, batendo forte por pouca coisa.
Mas, epa, lá vai ele, e eu espero outro, vindo tomar o seu lugar, como se fosse a primeira vez.
(Não. Não. Não dessa vez. É ele quem eu quero. McCandless. E eu faria qualquer coisa.
Minha mente sussurra "Big.... Big...". Não! Sinto como se estivessem tirando cada uma das minhas lembranças, colocando-as a força em uma das caixas no meu quarto da memória.
Isso exige atitudes loucas e desesperadas. Me tranco no banheiro e abro o chuveiro. Calor. "Big..."
Não. Mudo o mostrador e a água fria cai. Fecho os olhos e entro debaixo do chuveiro. Eu não consigo respirar. O frio me deixa sem ar desde que me lembro. "Shhh... McCandless...", mas é meu coração quem diz e minha mente é quem manda. O ar me falta de vez, encosto a cabeça na parede e olho minhas roupas molhadas. Finalmente, eu diria. Finalmente me afoguei em meus próprios sentimentos.)
3x10 Pequenos ruídos
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garota solteira procura,

Não se mova.
Eu sinto o cheiro de pele, pura e simples pele e suor. Não se mova.
Qualquer ruído estragaria isso. Não me assuste, não se assuste.
Me deixe apenas ouvir sua respiração.
Devagar, devagar
I don't want anything more
Than to see your face when you open the door
Ele olha pra mim com aqueles olhos, aqueles olhos, os mesmos dos outros, mas não como os outros.
Só mais um pouco, vamos.
Um ruído, um simples ruído. Sua blusa roçando no meu vestido. E é o suficiente pra que acordemos.
Me encolho toda sob as cobertas e sonho com sua respiração ruidosa.
Estou mesmo desvairada.
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3x07 De olhos bem fechados
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garota solteira procura,
Eu ainda posso sentir a mesma brisa passando por dentro de mim, o mesmo assovio.
Dentro de mim, nada mudou após todo o grande ritual de passagem.
was lost, I was lost
Crossed lines I shouldn't have crossed
Eu queria que fosse fácil mudar, que eu pudesse dizer a mim mesma o que fazer.
Yeah, how long must you wait for it?
Os cabelos dele são escuros e suas palavras serão gentis. Mas não é por ele que eu espero.
I was scared, I was scared
Tired and underprepared
But I waited for it
If you go, if you go
Then Leave me down here on my own
Then I'll wait for you, yeah
Eu ficaria a noite inteira esperando, se pudesse ter certeza de que a história seria diferente. Sabe, como quando se odeia o fim de um livro? Por que não mudá-lo?
Eu pensei sobre isso milhões de vezes, desde os meus 9 ou 10 anos.
Quero acreditar que posso. Que posso reescrever um final tolo.
Só preciso ter certeza de que não vou bagunçar a história inteira fazendo isso, o jeito como deveria ser.
Sing it please, please, please
Come back and sing to me
- Feche os olhos e faça um pedido.
Quando não se tem certeza sobre nada, a melhor chance é a paz mundial. Dane-se, me traga ele aqui, certo ou errado.
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3x06 To be or not to be
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garota solteira procura,
O espelho e meus batons falam comigo. Assim como minhas marcas, meus sapatos, meus cabelos.
Lampeduza!, gritam, Lampeduza!
Não.
Imagens passam pela minha cabeça. Leighton, Zoey, Cory.
Não.
Ela endireita meus ombros, segura meu pescoço "Você não quer?"
Não, eu...
Ela não me deixa terminar. "Você não quer?", me mostra o espelho, eu, mas não sou eu.
Não. Eu posso fazer sozinha, eu ainda estou aqui.
Me aperta o pulso, machuca. "Você não queeer?".
Não, não; digo, de olhos fechados.
Abra os olhos. Eu prometo te deixar ir.
Abri, timidamente, a luz cor de rosa me incomodando.
Sim.
Sim?, ela repete.
Sim. (Não, grita minha mente)
Mas é meio tarde pra isso. Ser eu mesma já não é suficiente. Unilateral. Não serve mais. Eu não faço idéia de como cheguei a esse ponto.
Não se preocupe, babe, é onde todos vem parar; diz o batom.
seja gentil, chapeleiro.
3x03 Dezesseis minutos para Vinte e uma horas
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garota solteira procura,
Quando eu tinha 12 anos, Sofia bebeu até dormir, até que não pudesse mais sentir os próprios lábios. Antes de apagar ela me disse, com aquela voz enrolada "Não dói mais, eu disse que não ia doer mais".
Eu fiquei ali cuidando dela, daquela boneca suja de vômito, cuidando pra que ela não sufocasse com o próprio vômito, no meio daquela sujeira toda, enquanto Pat Benetar gritava We are young, heartache to heartache we stand no som da mãe dela e uma pilha de fotos nossas com o David terminava de queimar.
"Eu nunca vou amar ninguém".
Eu tinha 14 anos quando Larissa desmaiou no banheiro, o pulso direito cortado. Mickey queria dar um tempo.
"Eu nunca vou amar ninguém"
Eu tinha 10 anos quando ele bateu nela e disse "Se você odeia tanto apanhar, por que não vai embora?" e ela disse "Por que eu te amo".
"Eu nunca vou amar ninguém"
Eu tinha 16 anos quando ele a deixou esperando, sentada, enquanto fazia sexo com outra garota no banco de uma caminhonete. E tudo o que ela me disse foi "Quando ele quiser ficar comigo, vou estar esperando"
"Eu nunca vou amar ninguém"
Eu tinha 15 anos quando ele justificou a morte dela dizendo "Eu a amava demais"
"Eu nunca vou amar ninguém"
Eu tinha 15 anos quando ele deixou de falar sobre o que sentia, porque o que sentia estava sacrificando outras pessoas.
"Eu nunca vou amar ninguém"
Eu tinha 15 anos quando ela disse que o amava mais do que a si mesma.
"Eu nunca vou amar ninguém"
Eu tinha 10 anos quando ele disse que me amava. Eu tinha 16 anos quando ele disse que ainda me amava.
"Eu nunca vou amar ninguém"
Eu tinha 12 anos e ele disse que me amava. Eu tinha dezesseis e ele disse novamente.
"Eu nunca vou amar ninguém"
Eu tinha 15 anos quando ela descobriu que o amava. Eu tinha dezesseis quando ele ficou com a melhor amiga dela.
"Eu nunca vou amar ninguém"
Eu tinha 0, 7 e 15 quando ela descobriu que os amava. É sempre proibido falar da vez anterior, porque dói em todo mundo.
"Eu nunca vou amar ninguém".
- Você me ama?, ele perguntou.
- Não.
- Ótimo.
E eu saberia que ele era perfeito. O amor exige muito mais do que eu estou disposta a dar, exige muito mais do que eu tenho, porque não fui exposta a amor verdadeiro na minha vida inteira.
Dizem que é como catapora, algo que só acontece uma vez. Contagie-me.
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