Imagem: TingTing Huang
- Quem você quer ser?
Ando preocupada, inquieta, mal durmo, comendo feito louca, carente, insossa: tenho medo do futuro.
Tá chegando, tá me alcançando e eu tenho medo. Queria não ter, ser super decidida, bem organizada, planos impecáveis. Mas sou só humana.
- Quem você quer ser?
Garota do cabelo de molinhas (por enquanto), com cheirinho bom, que calça tênis e se diverte com as pessoas certas.
É, eu quero sair de casa com as pessoas certas. Gente que não precisa de tudo, nem de muito, porque nem tenho, e que entende o esforço que é socializar. Quero meus amigos, bons amigos, vinho e pizza e coxinhas. Manter perto de mim quem dá pra manter por perto.
Eu quero ser a irmã que fala o que precisa ser dito. Que abraça. Que conversa. E que brinca até mais tarde. Que leva ao parquinho e ao cinema.
Quero abraçar minha mãe. E levá-la ao médico.
Quero ir ao médico.
E quero ser médica. Uma das boas. Mas do meu jeito, nos meus limites, de acordo com os meus conceitos. Nem preto, nem branco. Cinza. Colorida. Brilhante. Cor de arco-íris.
Começar a guardar dinheiro pro meu futuro de cerca branca, filhos mestiços e cãezinhos. Dias dos pais, é. Oh, boy.
Quero ser briguenta, FIERCE, quero o que eu quero, o que eu quiser e vou fazer o que for preciso pra conseguir. Quero não ficar calada. Quero lutar com palavras e punhos.
Palavras. Quero viver com elas, pra elas, delas, por elas.
Quero ficar bem. É o mais importante agora, ficar bem, parar um segundo, vai dar tempo, sempre dá, vai dar certo, e tudo bem se não der.
Vai ficar tudo bem.
(Não sei porque insisto nisso,
mas vai ficar tudo bem.
Não sei como, não joguei tarô, nenhuma cigana me disse, mas vai ficar tudo bem. )
Exercícios. Eu acho que não quero morrer cedo. Quero ficar pra ver o fim do filme.
E é, eu posso - eu provavelmente vou - jogar no lixo muitas dessas resoluções, vou deixar pro ano que vem, de novo e de novo.
E tudo bem.
Isso é problema da B. de amanhã.
A de hoje tá aqui, decidida, otimista, de barriga cheia, casa limpa e coração quase tranquilo.
Vai ficar tudo bem.
Mostrando postagens com marcador Carly Rae Jepsen. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Carly Rae Jepsen. Mostrar todas as postagens
40x09 Better than hugs
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Não gosto de abraços,
nunca gostei.
Meu melhor amigo tem essa teoria de que pessoas precisam de um determinado número de abraços por dia.
Eu não acredito nela.
Abraços guardam duas sensações distintas,
grandiosas demais pra desperdiçar com gente que simplesmente está de passagem
abraços são sobre chegada, reencontro.
Abraços são sobre partida.
Eu poderia distribuir beijos na boca,
mas jamais conseguiria distribuir abraços.
Não gosto que me toquem.
Distribuo abraços ébrios,
abraços de cumprimento,
pequenas demonstrações de carinho
mas abraços,
ah, abraços
esses eu guardo pra momentos específicos
Abraços daqueles em que se poderia ficar pra sempre
daqueles que a gente dá sabendo que nunca mais vai dar de novo,
abraços doloridos
que deixam parte da gente na outra pessoa.
Esse texto nem era pra ser sobre isso,
mas escrever sobre abraços me lembrou desse abraço específico
que eu te dei, sabendo que seria o último,
tão intenso e breve que eu chorei, mesmo sem saber ao certo o porquê.
Esse abraço me trouxe aqui, anos depois.
Meu Deus, quanta coisa mudou naquele abraço,
quantas escolhas foram feitas,
quanta dor
por causa de um abraço.
Então, como eu poderia sair por aí abraçando
a torto e a direito
se tanta coisa pode mudar a partir de um gesto?
Entende, agora?
Eu não quero o seu abraço,
nem o contato com a sua pele,
eu não quero o seu cheiro,
ou o que você acha que um abraço deve conter,
eu não quero dizer adeus
eu não quero dizer olá.
Eu não preciso de abraços,
eu preciso de pessoas que fiquem.
Teu abraço talvez não melhore o meu dia (já aconteceu, é verdade, mas pode piorar. Também já aconteceu),
não vai me dar vontade de estar aqui,
definitivamente, não vai significar que tudo está perdoado,
nem mesmo me fazer acreditar que você gosta de mim.
Alguns gestos são melhores do que abraços,
dizem coisas que abraços nunca dirão (muito embora eles digam muito)
e eu percebi isso quando olhei para a menina que gritava ao meu lado na sexta,
pelo mesmo objetivo que eu.
A presença dela, a existência, sua vontade, seu grito
me fizeram mais acolhida do que qualquer abraço aleatório e constrangedor.
O fato de que ela ficou, sem saber quem eu era,
pra lutar por nós duas significou muito mais pra mim do que contato físico significa.
E as pessoas não compreendem ainda.
Eu mesma demorei a entender
que o amor está nas entrelinhas.
Amor está numa viagem de carro de 10 minutos,
nos seus resumos de anatomia,
mentiras contadas sem razão,
mensagens que chegam no meio da madrugada,
uma coleção de garrafas,
no gosto do chocolate branco,
garrafas de água,
feijão.
Você não precisa me tocar pra que eu saiba.
E, por favor, não me toque sem a minha permissão.
E, por favor, não tenha medo de me tocar.
É complicado.
Mas simples.
Você vai saber, vai entender
quando chegar a hora.
Mas, até lá,
apertemos as mãos.
Não gosto de abraços,
nunca gostei.
Meu melhor amigo tem essa teoria de que pessoas precisam de um determinado número de abraços por dia.
Eu não acredito nela.
Abraços guardam duas sensações distintas,
grandiosas demais pra desperdiçar com gente que simplesmente está de passagem
abraços são sobre chegada, reencontro.
Abraços são sobre partida.
Eu poderia distribuir beijos na boca,
mas jamais conseguiria distribuir abraços.
Não gosto que me toquem.
Distribuo abraços ébrios,
abraços de cumprimento,
pequenas demonstrações de carinho
mas abraços,
ah, abraços
esses eu guardo pra momentos específicos
Abraços daqueles em que se poderia ficar pra sempre
daqueles que a gente dá sabendo que nunca mais vai dar de novo,
abraços doloridos
que deixam parte da gente na outra pessoa.
Esse texto nem era pra ser sobre isso,
mas escrever sobre abraços me lembrou desse abraço específico
que eu te dei, sabendo que seria o último,
tão intenso e breve que eu chorei, mesmo sem saber ao certo o porquê.
Esse abraço me trouxe aqui, anos depois.
Meu Deus, quanta coisa mudou naquele abraço,
quantas escolhas foram feitas,
quanta dor
por causa de um abraço.
Então, como eu poderia sair por aí abraçando
a torto e a direito
se tanta coisa pode mudar a partir de um gesto?
Entende, agora?
Eu não quero o seu abraço,
nem o contato com a sua pele,
eu não quero o seu cheiro,
ou o que você acha que um abraço deve conter,
eu não quero dizer adeus
eu não quero dizer olá.
Eu não preciso de abraços,
eu preciso de pessoas que fiquem.
Teu abraço talvez não melhore o meu dia (já aconteceu, é verdade, mas pode piorar. Também já aconteceu),
não vai me dar vontade de estar aqui,
definitivamente, não vai significar que tudo está perdoado,
nem mesmo me fazer acreditar que você gosta de mim.
Alguns gestos são melhores do que abraços,
dizem coisas que abraços nunca dirão (muito embora eles digam muito)
e eu percebi isso quando olhei para a menina que gritava ao meu lado na sexta,
pelo mesmo objetivo que eu.
A presença dela, a existência, sua vontade, seu grito
me fizeram mais acolhida do que qualquer abraço aleatório e constrangedor.
O fato de que ela ficou, sem saber quem eu era,
pra lutar por nós duas significou muito mais pra mim do que contato físico significa.
E as pessoas não compreendem ainda.
Eu mesma demorei a entender
que o amor está nas entrelinhas.
Amor está numa viagem de carro de 10 minutos,
nos seus resumos de anatomia,
mentiras contadas sem razão,
mensagens que chegam no meio da madrugada,
uma coleção de garrafas,
no gosto do chocolate branco,
garrafas de água,
feijão.
Você não precisa me tocar pra que eu saiba.
E, por favor, não me toque sem a minha permissão.
E, por favor, não tenha medo de me tocar.
É complicado.
Mas simples.
Você vai saber, vai entender
quando chegar a hora.
Mas, até lá,
apertemos as mãos.
39x01 Run away with me
Postado por
garota solteira procura,
Eu sei, a gente não vai se casar.
Mas eu gosto aqui, eu gosto agora e não quero que essa noite acabe.
Pegue na minha mão, vamos ao mercado comprar frutas, eu te ensino uns truques.
Vamos dirigir por aí pra ver as luzes,
você quer ver o nascer do sol?
Eu não sei que coisa é essa que você tem que me dá vontade de descer as escadas correndo e nunca querer entender quase nada do que você diz, eu só quero não ir embora agora.
Eu quero me atrasar pra todos os compromissos importantes,
e te contar a minha vida toda,
ou pelo menos as partes que importam.
Quando eu voltar pra casa, quero te mandar mensagens pra saber se você chegou bem,
eu quero me comunicar com você por sinais de fumaça e telepatia (e é, agora você já sabe que é de você que eu tô falando)
e quero te explicar que meus tremores súbitos são o jeito do meu corpo dizer que tô sentindo algo que não consigo explicar pra mim mesma.
Você me dá vontade de usar camisetas folgadas e sair no domingo à tarde.
Mas isso não quer dizer nada, é Vênus retrógrado (e você não acredita nessas coisas, eu suponho)
minha alma escorre a torto e à direito, eu tô doente
eu tô com essa vontade maluca de fazer algo burro
e você só está no lugar errado, na hora errada, com a pessoa mais errada do universo.
E tudo bem,
não precisa significar nada,
nada mesmo.
Só tô com essa vontade de descer do carro e te dizer pra parar,
vamos pra outro lugar
e outro
e outro
e outro
só hoje, só vamos visitar todos os lugares com e sem significado e contar histórias que não fazem sentido (ou que fazem sentido demais) e você pode explicar essas coisas enquanto eu tento pensar em algo legal pra dizer, que nunca sai do jeito como eu queria que saísse
Sei lá, é só uma ideia
sobre a qual você nunca vai saber
porque sou só eu tentando te tirar dos eixos,
te puxar pra um canto escuro e distante da sua vida certinha
só pra ver o que acontece.
Vou guardar esses devaneios aqui e,
se você quiser saber sobre eles,
vai ter que ler meus pensamentos.
30x04 (I am) The one that got away
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
- Se estiver sentindo dor, pode dizer.
Ai.
Dói.
Às vezes, dói bastante.
Mas tá passando.
Porque eu acordo pela manhã com vontade de lutar pelo que eu quero,
porque eu conheço pessoas incríveis que me amam com molho ou sem,
porque eu fico bonita nas quartas-feiras.
Um cara perguntou sobre mim,
e tá cheio de gente por aí pra ter paciência.
Gente que sabe que eu sou boa, que quer estar comigo pra dar risada, porque eu sei dar risada.
E eu sei brigar.
Mesmo assim, tem gente que não vai embora.
Eu sei que tá passando, porque eu não tenho mais medo de ficar sozinha.
Acho até graça,
e sei que não quero não ficar sozinha.
Sou muito leonina sim (às vezes) e acho legal quando elogiam o que eu escrevo.
Eu sei que sei fazer coisas boas.
E eu sei que consigo fazer qualquer coisa, não preciso que me digam.
Eu não vou mais duvidar, vou tentar não duvidar.
Ontem, a Mãe me disse que ia ficar tudo bem.
"Vá viver", ela disse, "as coisas acontecem nas encruzilhadas".
Eu acredito.
E vou.
Ser o melhor que puder.
Mesmo que o melhor de mim não seja o suficiente pra todo mundo.
(:
- Se estiver sentindo dor, pode dizer.
Ai.
Dói.
Às vezes, dói bastante.
Mas tá passando.
Porque eu acordo pela manhã com vontade de lutar pelo que eu quero,
porque eu conheço pessoas incríveis que me amam com molho ou sem,
porque eu fico bonita nas quartas-feiras.
Um cara perguntou sobre mim,
e tá cheio de gente por aí pra ter paciência.
Gente que sabe que eu sou boa, que quer estar comigo pra dar risada, porque eu sei dar risada.
E eu sei brigar.
Mesmo assim, tem gente que não vai embora.
Eu sei que tá passando, porque eu não tenho mais medo de ficar sozinha.
Acho até graça,
e sei que não quero não ficar sozinha.
Sou muito leonina sim (às vezes) e acho legal quando elogiam o que eu escrevo.
Eu sei que sei fazer coisas boas.
E eu sei que consigo fazer qualquer coisa, não preciso que me digam.
Eu não vou mais duvidar, vou tentar não duvidar.
Ontem, a Mãe me disse que ia ficar tudo bem.
"Vá viver", ela disse, "as coisas acontecem nas encruzilhadas".
Eu acredito.
E vou.
Ser o melhor que puder.
Mesmo que o melhor de mim não seja o suficiente pra todo mundo.
(:
29x04 Encosto
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
"Que dê tudo certo
Que você não engravide
Que você se sinta contente na med
E ache seu rumo
E se desfaça do encosto do seu ex"
Desejos de ano novo de uma grande amiga.
Fiquei comovida na hora, ela tem esse dom.
Mas ó, o encosto sou eu.
Eu é quem andei me frustrando e me impedindo de sentir qualquer coisa. Eu já não tomava decisões muito antes dessa bagunça toda.
Já era incapaz de dizer não, já não me amava o bastante.
Não preciso que ninguém me quebre, ó, eu já vim com defeito.
E não, em homenagem a você, não dou a mínima. Não tenho culpa, sou quem sou e gosto.
Vim quebrada sim, e isso fez de mim uma edição limitada, one of a kind.
(:
Lavo meus cabelos, exorcizo meus espíritos ruins, como se o cheiro de xampu me protegesse de todo e qualquer pensamento ruim. Sempre sobra algum e esse eu carrego comigo, dou a mão e levo, e não ligo, sou quem sou.
Vou ficar com o olhar perdido no meio da festa, querer ir embora cedo demais, vou escrever sobre tudo o que há de ruim e vou me detestar às vezes (BASTANTE), vou pedir desculpas demais, falar daquele meu jeito que faz parecer que sou uma vítima mas é só mesmo meu tom de voz da diplomacia meia boca, jantar com meu melhor amigo se sentir vontade, deixando o mundo todo pra trás e vou sumir sumir sumir por dias a fio e voltar como se o mundo estivesse exatamente no mesmo lugar, eu vou me vestir com as roupas mais esdrúxulas, e dizer as coisas mais estúpidas, e depois vou me esconder embaixo das cobertas e não chorar nunca
Porque eu sou meu próprio encosto, ó. Tá tudo aqui, me assombrando, me paralisando, me enlouquecendo, me arruinando. Mas tem tudo de incrível aqui também. Tá aqui ó.
Love it or leave it.
"Que dê tudo certo
Que você não engravide
Que você se sinta contente na med
E ache seu rumo
E se desfaça do encosto do seu ex"
Desejos de ano novo de uma grande amiga.
Fiquei comovida na hora, ela tem esse dom.
Mas ó, o encosto sou eu.
Eu é quem andei me frustrando e me impedindo de sentir qualquer coisa. Eu já não tomava decisões muito antes dessa bagunça toda.
Já era incapaz de dizer não, já não me amava o bastante.
Não preciso que ninguém me quebre, ó, eu já vim com defeito.
E não, em homenagem a você, não dou a mínima. Não tenho culpa, sou quem sou e gosto.
Vim quebrada sim, e isso fez de mim uma edição limitada, one of a kind.
(:
Lavo meus cabelos, exorcizo meus espíritos ruins, como se o cheiro de xampu me protegesse de todo e qualquer pensamento ruim. Sempre sobra algum e esse eu carrego comigo, dou a mão e levo, e não ligo, sou quem sou.
Vou ficar com o olhar perdido no meio da festa, querer ir embora cedo demais, vou escrever sobre tudo o que há de ruim e vou me detestar às vezes (BASTANTE), vou pedir desculpas demais, falar daquele meu jeito que faz parecer que sou uma vítima mas é só mesmo meu tom de voz da diplomacia meia boca, jantar com meu melhor amigo se sentir vontade, deixando o mundo todo pra trás e vou sumir sumir sumir por dias a fio e voltar como se o mundo estivesse exatamente no mesmo lugar, eu vou me vestir com as roupas mais esdrúxulas, e dizer as coisas mais estúpidas, e depois vou me esconder embaixo das cobertas e não chorar nunca
Porque eu sou meu próprio encosto, ó. Tá tudo aqui, me assombrando, me paralisando, me enlouquecendo, me arruinando. Mas tem tudo de incrível aqui também. Tá aqui ó.
Love it or leave it.
Marcadores:
always,
Brave,
Carly Rae Jepsen,
girl,
my dear myself,
she who something,
Taylor Swift
29x02 The night after
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Acordo, ressaca leve de mojitos, falo com Holden, tô chateada
Descubro uma barata na minha cama. Feito G.H., tenho uma dessas epifanias baratas e meu dia simplesmente se torna um desses dias depois.
Ok, ontem não foi legal.
Mas foi só a primeira festa do ano, penso comigo. E eu não tenho que me divertir sempre que saio. Nem tudo é bom.
Tomo banho, olho as roupas em cima da cama. Tudo escuro, tudo igual a todos os dias. Não corro riscos.
Roupas de sair.
Dou uma risada louca, jogo tudo no chão e decido ir com o que eu quiser.
Visto minhas roupas mais doidas, mais disparatadas, repelentes de homem, que gritam OI EU SOU MALUCA, EU SOU A PESSOA MAIS DOIDA QUE VOCÊ JÁ TEVE A SORTE DE CONHECER E VOCÊ VAI TER MUITA SORTE SE EU FALAR COM VOCÊ
Sapatos confortáveis, porque eu vou dançar muito
De repente, eu só sei que meu cabelo é louco demais, excêntrico demais, e não ligo, passo todas as cores do arco-íris nos olhos, batom azul só porque não é roxo, porque eu não sou bonita e comportada feito as outras garotas, não. Eu sou o que quer que eu seja. Acho que nem tem um adjetivo pra isso ainda.
Jogo perfume pra cima e danço embaixo dele, sem me preocupar se alguém vai sentir esse cheiro. Eu sinto. É cheiro de biscoito.
Olho pro espelho e digo pra mim mesma, "você é--- bom, eu não sei :) Mas é bom"
Dou risada da minha burrice, pego James - já bêbado - e vamos pra essa festa sem ter a menor ideia de onde é, nos perdemos, gritamos, pedimos informação.
E chegamos.
Paro o carro ouvindo a música e bebo, bebo muito, de uma vez só, bem rápido, e tudo fica mais engraçado, tudo parece mais possível. Ficamos na fila, e a fila é engraçada também, dançamos e contamos histórias sobre as nossas vidas terríveis e sem conserto, tão engraçadas e poéticas, clichês.
No fim da fila, uma menina pede pra entrar na fila dos aniversariantes e eu simplesmente tenho que abraçá-la porque ora, é aniversário dela, e eu tô tão bêbada que a abraço umas mil vezes haha :)
Meu amigo ri, ficamos amigos quase que instantaneamente.
Eu estou tão bêbada que não vejo a festa passar, só um monte de gente, luzes luzes e eu não sei o que está tocando mas eu tenho que dançar, eu não posso parar, vou ao banheiro, encontro um conhecido e isso não me irrita porque eu o amo também, eu amo todo mundo, eu só quero que todo mundo se divirta.
Danço sem parar.
Meu amigo vai ao banheiro e esse cara fala comigo, eu não entendo metade do que ele diz, eu nem consigo pensar muito bem, nos beijamos e eu simplesmente sei que ele está fazendo aquilo errado.
Sei que a coisa toda está errada.
Mas beijar é bom e eu sinto uma vibe legal nesse cara com quem eu provavelmente não ficaria se estivesse sóbria, por que não só hoje?
Então eu tomo o controle de mim mesma, vem cá, eu te mostro. E ele vem, dócil, me mostrando toda aquela vontade que as pessoas têm dentro de si, e isso me deixa feliz. Gosto desse momento, já disse, em que as pessoas demonstram vontade.
Ele me beija de volta, a música tocando alto, atravessando meu corpo todo, e eu rio alto, ainda meio bêbada. Ele fala comigo, e eu não entendo de novo, e o beijo, simplesmente porque tudo bem. Porque eu estou usando essa roupa improvável, alguém passou por nós e fez cara de choque - o que me faz pensar que ele não deve beijar muita gente - e eu o beijo por isso também, porque ele não é o meu tipo, porque eu não sou o tipo dele, porque sim.
Depois perco a vontade de beijá-lo, porque eu faço isso, e ele demora pra entender, mas acontece e ele some em meio à multidão.
Danço. E dou risada, Faço mais uma amiga, e danço como se não houvesse mais nada pra mim lá fora. Na verdade, acho que não tem mais nada lá fora pra mim, porque eu estou aqui dentro. Tudo o que eu tenho. Eu.
E isso não é ruim, eu sou incrível, do meu jeito.
Danço e giro sem parar, tocam uma música que tem um significado muito especial, tocam todas as músicas de que gosto e eu agradeço dançando. Eu amo tudo isso, eu amo não saber dançar, e essa roupa e quero que me amem também, mas isso é tudo o que eu tenho.
E é mais do que suficiente.
Um cara bonito me olha nos olhos e eu só sei, daquele jeito que a gente sabe. Olho pro lado, olho pra ele, e estamos dançando ao redor um do outro, um cara me pergunta meu nome e diz pra ele, ele sorri de longe, meu amigo diz algo pra ele, e ele sorri pra mim, estende a mão.
E eu estendo a mão de volta.
Porque sim.
Porque pode ser bom.
Quero começar de novo.
Quero estar pronta pra quando acontecer,
Quero me dar uma segunda chance.
Feliz ano novo.
Acordo, ressaca leve de mojitos, falo com Holden, tô chateada
Descubro uma barata na minha cama. Feito G.H., tenho uma dessas epifanias baratas e meu dia simplesmente se torna um desses dias depois.
Ok, ontem não foi legal.
Mas foi só a primeira festa do ano, penso comigo. E eu não tenho que me divertir sempre que saio. Nem tudo é bom.
Tomo banho, olho as roupas em cima da cama. Tudo escuro, tudo igual a todos os dias. Não corro riscos.
Roupas de sair.
Dou uma risada louca, jogo tudo no chão e decido ir com o que eu quiser.
Visto minhas roupas mais doidas, mais disparatadas, repelentes de homem, que gritam OI EU SOU MALUCA, EU SOU A PESSOA MAIS DOIDA QUE VOCÊ JÁ TEVE A SORTE DE CONHECER E VOCÊ VAI TER MUITA SORTE SE EU FALAR COM VOCÊ
Sapatos confortáveis, porque eu vou dançar muito
De repente, eu só sei que meu cabelo é louco demais, excêntrico demais, e não ligo, passo todas as cores do arco-íris nos olhos, batom azul só porque não é roxo, porque eu não sou bonita e comportada feito as outras garotas, não. Eu sou o que quer que eu seja. Acho que nem tem um adjetivo pra isso ainda.
Jogo perfume pra cima e danço embaixo dele, sem me preocupar se alguém vai sentir esse cheiro. Eu sinto. É cheiro de biscoito.
Olho pro espelho e digo pra mim mesma, "você é--- bom, eu não sei :) Mas é bom"
Dou risada da minha burrice, pego James - já bêbado - e vamos pra essa festa sem ter a menor ideia de onde é, nos perdemos, gritamos, pedimos informação.
E chegamos.
Paro o carro ouvindo a música e bebo, bebo muito, de uma vez só, bem rápido, e tudo fica mais engraçado, tudo parece mais possível. Ficamos na fila, e a fila é engraçada também, dançamos e contamos histórias sobre as nossas vidas terríveis e sem conserto, tão engraçadas e poéticas, clichês.
No fim da fila, uma menina pede pra entrar na fila dos aniversariantes e eu simplesmente tenho que abraçá-la porque ora, é aniversário dela, e eu tô tão bêbada que a abraço umas mil vezes haha :)
Meu amigo ri, ficamos amigos quase que instantaneamente.
Eu estou tão bêbada que não vejo a festa passar, só um monte de gente, luzes luzes e eu não sei o que está tocando mas eu tenho que dançar, eu não posso parar, vou ao banheiro, encontro um conhecido e isso não me irrita porque eu o amo também, eu amo todo mundo, eu só quero que todo mundo se divirta.
Danço sem parar.
Meu amigo vai ao banheiro e esse cara fala comigo, eu não entendo metade do que ele diz, eu nem consigo pensar muito bem, nos beijamos e eu simplesmente sei que ele está fazendo aquilo errado.
Sei que a coisa toda está errada.
Mas beijar é bom e eu sinto uma vibe legal nesse cara com quem eu provavelmente não ficaria se estivesse sóbria, por que não só hoje?
Então eu tomo o controle de mim mesma, vem cá, eu te mostro. E ele vem, dócil, me mostrando toda aquela vontade que as pessoas têm dentro de si, e isso me deixa feliz. Gosto desse momento, já disse, em que as pessoas demonstram vontade.
Ele me beija de volta, a música tocando alto, atravessando meu corpo todo, e eu rio alto, ainda meio bêbada. Ele fala comigo, e eu não entendo de novo, e o beijo, simplesmente porque tudo bem. Porque eu estou usando essa roupa improvável, alguém passou por nós e fez cara de choque - o que me faz pensar que ele não deve beijar muita gente - e eu o beijo por isso também, porque ele não é o meu tipo, porque eu não sou o tipo dele, porque sim.
Depois perco a vontade de beijá-lo, porque eu faço isso, e ele demora pra entender, mas acontece e ele some em meio à multidão.
Danço. E dou risada, Faço mais uma amiga, e danço como se não houvesse mais nada pra mim lá fora. Na verdade, acho que não tem mais nada lá fora pra mim, porque eu estou aqui dentro. Tudo o que eu tenho. Eu.
E isso não é ruim, eu sou incrível, do meu jeito.
Danço e giro sem parar, tocam uma música que tem um significado muito especial, tocam todas as músicas de que gosto e eu agradeço dançando. Eu amo tudo isso, eu amo não saber dançar, e essa roupa e quero que me amem também, mas isso é tudo o que eu tenho.
E é mais do que suficiente.
Um cara bonito me olha nos olhos e eu só sei, daquele jeito que a gente sabe. Olho pro lado, olho pra ele, e estamos dançando ao redor um do outro, um cara me pergunta meu nome e diz pra ele, ele sorri de longe, meu amigo diz algo pra ele, e ele sorri pra mim, estende a mão.
E eu estendo a mão de volta.
Porque sim.
Porque pode ser bom.
Quero começar de novo.
Quero estar pronta pra quando acontecer,
Quero me dar uma segunda chance.
Feliz ano novo.
28x18 Madeira morta (Season Finale)
Postado por
garota solteira procura,
Eu estava sentada na sala, vestida de branco, com aquele vestido, é.
E eu me olhei no espelho, rememorando cada passo da maquiagem de véspera de ano novo, mexendo nos cabelos sem parar, tentando parecer menos "fofa" e querendo desesperadamente que fosse uma noite especial, tentando entender o que é que faltava ali.
Arrumei o cabelo uma, duas, doze vezes, contei e recontei dinheiro, conferi tudo.
E me olhei no espelho. Não estava certo.
Faltavam duas horas pro ano-novo, pra tudo mudar, porque algo me dizia que algo místico estava prestes a acontecer.
Mas ainda era eu.
Era isso o que estava errado.
Eu não queria mais ser só eu.
Porque eu nunca sei o que fazer, não tomo decisões, fico extremamente fora de controle, eu tenho essas ideias ridículas, não sou boa o bastante em nada.
O que está errado é que eu estou vendo uma garota que não consegue seguir em frente, não consegue voltar atrás. Minha postura está errada, a sombra está opaca demais, esse não é o batom para o meu tom de pele, minhas olheiras não estão corrigidas do jeito certo, meus seios são muito pequenos, eu estou magra demais pra parecer sexy, esses sapatos são muito sérios, meu cabelo é muito bagunçado, minhas pernas não são longas, as outras garotas são mil vezes mais bonitas e mais divertidas, meu ex-namorado fugiu correndo para as colinas e Deus sabe o quanto ele aguentou antes de finalmente fazer isso, ninguém mais vai gostar de mim, eu acabei de dizer pra um cara que preferia que não nos víssemos mais quando o que tínhamos era o mais próximo de um relacionamento que eu vou ter com alguém um dia, minha cabeça está povoada de ideias que eu tenho medo de passar pro papel, ninguém nunca mais vai fazer meu coração bater mais forte, eu não quero mais sentir isso, eu não tô pronta pra ficar próxima de ninguém, eu não deveria ter usado esse creme perfumado, eu não sei se quero ir pra essa festa, eu tô em pânico, eu não sei se vou ser uma boa médica, eu não sei nem se vou conseguir me formar, e se eu estiver grávida, eu sou uma péssima irmã, e uma péssima filha, não sei como falar com meu pai de novo ou se vamos nos falar de novo, eu só queria que ele tivesse gostado da minha família como eu gosto dela, eu queria que eles não brigassem tanto, eu odeio meu corpo, eu nunca mais quero amar ninguém, eu queria voltar no tempo e mudar tudo tudo tudo tudo todas as coisas horríveis que eu disse e fiz, eu tenho muito medo de mudar eu não consigo eu tenho tanto medo de não ser eu, eu não gosto de quem sou e ao mesmo tempo, não conseguiria ser outra pessoa, eu falo coisas horríveis o tempo todo eu queria ser uma boa pessoa, eu queria ser boa, eu queria ser melhor do que isso, eu
- Tá pronta? - James pergunta, olhando pra mim pelo reflexo do espelho.
Aceno com a cabeça, tô pronta.
Tô pronta.
Tenho que estar.
Assinar:
Postagens (Atom)






