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34x06 Who's bad?

Imagem: TingTing Huang

Caro Pégaso,

não preciso da sua validação.
Mas preciso.
Preciso saber.

Quem é mau?
Quem foi mau?
Foi tão ruim assim?

Eu me olho no espelho e me vejo, sou capaz de me ver.
Eu sou capaz de gostar do meu rosto, do meu corpo.
Eu gosto de mim.
Mas esse estigma não sai.

A cicatriz nas minhas costas desapareceu há muito tempo, mas essa não some.
Sou uma pessoa ruim?
Eu consigo ficar com alguém?
Eu consigo lutar por algo?
Consigo ficar ?
E se eu ficar?

Não quero repetir padrões, não quero um número no CID, não quero que me digam como vou viver meus relacionamentos.
Mas, às vezes, quero que você diga.
Que você confirme que não fui feita pra coisa, que me diga que posso dormir tranquila sabendo que vou acabar sozinha, criando gatos ou chinchilas, amarga ou não.

Quem errou?
Eu?
Fui eu quem errou?
Fui eu quem veio toda errada, signo avoado, vênus muito intenso, essa lua em aquário, meu pai que foi embora e sumiu, essa mãe incrível, mas meio pai, cheia de assuntos inacabados.
Meus exemplos falhos de romance,
o cinismo e todos esses casamentos que acabam em divórcio,
foi aí que eu errei?
Já vim com defeito?

Ou foi depois, minha insegurança, o ciúme excessivo, foi o fato de estar doente?
Ou era você, que não aguentava mais olhar?
Foi a minha dor inexplicada pelo mundo e toda a beleza que eu não sabia ter?
Eu te sufoquei?
Todos os dias, de maneira que você não viu outra saída?
Eu não te amei o bastante?
Ou eu não me amei o bastante?
Por isso você foi embora?

Sou lesa, demoro a entender, perco os significados e as nuances de cor. Não entendo de aritmética, geometria, geografia, não entendo de amor.
Não entendo de você, nem se te conheço de verdade, não entendo de mim, do tempo ou do que costumávamos ser.

Sento aqui e te escrevo uma carta, cheia de medo de obter as respostas pras minhas perguntas, cheia de fúria e de coragem pra não aceitar a culpa de mais nada.
Eu quero saber
Mas não sei se me importo.
Não sei se faz diferença.

Eu não preciso da sua validação, ela disse.
Mas eu quero.
Só que não sei se me importo
Com o meu querer,
ou com o que quer que você tenha pra dizer.

Com amor,

B.

Early Cuts: Ohio

Imagem: TingTing Huang

(E é por essas e outras, meu amado, meu adorado, que eu escolhi não te odiar. Porque os pedaços que você recolheu naqueles dias foram o bastante)

Sou lixo.
Sou pó.

Isso não é vida, isso é caminhar na rua, desaparecendo a cada passo.
Meio do caminho, te encontro, aceno -

Você vê.
Conversamos.
Sumo, lentamente.
Você recolhe os fragmentos, fala - com a boca tampada -, não me sopra, não me toca:
"Fica".

Nunca me pediram pra ficar.

Faço esforço, junto moléculas com as mãos, mas não consigo.
Eu não tenho forças.
Me desfaço.
E você me recolhe do chão.
Não junta, não joga fora.
Por enquanto, pedaços bastam.

Por enquanto.

28x13 Feel Good Inc.

Imagem: TingTing Huang

- Natal é uma bela bosta,
digo a ela.
Tô cansada.
Tô triste.
O Natal vai levar a melhor, de novo, aquela solidão que não sai, que não desgruda, que parece uma criança pesada demais te subindo nas costas o tempo todo, gritando nos ouvidos, pedindo atenção.

Deito no sofá e fecho os olhos, um cover de Hotline Bling vindo leve, invadindo o corpo todo como só a música pode fazer, me deixando vulnerável como ninguém nunca fez, como ninguém nunca vai ser capaz de deixar.

Ando entediada.
Tanto pra fazer, tanto pra escolher, e eu não dou a mínima.
Bagunço os cabelos, hábito recente, de que gosto muito. e fico assim, quieta.
Outro dia, me disseram "Eu gosto muito, muito mesmo de você".
Outro dia, me olharam de um jeito que eu nem achei que fosse mais possível, tão bom, tão ruim, deu medo, deu um milhão de calafrios.
Me disseram que esperavam muito de mim.
Tenho deixado pessoas a espera. É uma sensação nova. Incômoda, pesada.
No entanto, não quero fazer nada.
Não quero apressar nada, não quero magoar ninguém.

Eu não quero mais ter que pedir desculpas.
Quero só usar maquiagem pesada e sair por aí com minhas roupas repelentes de homens haha, dançar até parar de sentir esse tédio, essa coisa que não sai - blasé is back, diria Elspeth - , beijar quem quer que precise de beijos meus e não me preocupar mais com o que outras pessoas querem, ou pensam, ou sentem.

- Não tô gostando, não trabalho mais com isso. Trabalho com desculpas e horários que nos impossibilitem de nos ver, com ficar sozinha em casa quando você está disponível, com saídas rápidas do carro quando o ambiente é extremamente propício pra primeiros beijos, com aquele tremor na voz quando não sei exatamente o que você está pensando, com passar o dia inteiro pensando sobre nós dois e, quando a hora de te ver chega, eu só quero sair correndo de volta pra baixo das cobertas pra não dizer nada estúpido e, ao mesmo tempo, quero ficar porque você me faz bem.
Você me dá vontade, um pouco só.

Não é o suficiente, por enquanto.

Early Cuts: About time

Imagem: TingTing Huang

Meu segundo contato com o homem-cavalo-leão se deu por correspondência.
Tínhamos um interesse em comum: a mente humana.

Para que parecesse mais normal, mais humana, foram implantadas em mim memórias. De sensações e momentos que nunca fui capaz de compreender plenamente.
Possuo uma lembrança, por exemplo, de não sentir nada.
Sendo um robô, estava habituada a isso. Mas o não sentir nada humano era diferente. Era um desligamento do mundo, um embotamento das ideias tão peculiar que eu precisava entender como acontecia.

Ele planejava estudar a mente humana, procurava interessados que pudessem ajudá-lo no projeto.
Era Abril, eu lia livros sobre pequenas moléculas causadoras de reações alérgicas e chorava debaixo de blusas de frio que Elspeth segurava sob minha cabeça, como era conveniente. Eu era invencível, invisível e incapaz de evoluir.
A ideia de compreender algo me atraiu, de finalmente estudar algo de meu interesse, e enviei-lhe uma mensagem amigável.
Ele respondeu.
Empolgada pelo sucesso de nossa comunicação, enviei-lhe outra mensagem.
Ele respondeu.
Enviei-lhe mais uma mensagem, empolgada, eu fórica.
E ele não respondeu.
Detestei-o por algumas horas, depois passou, esqueci.
Foi só um eco de emoção humana, apareceu, piscou, sumiu.
Sumiu a raiva, sumiu sua existência, pra reaparecer só uns dias depois.


(Se eu soubesse, então, teria feito diferente?)

28x07 Todo esse nada


Imagem: TingTing Huang

34 perguntas que eu não quero perguntar, que nem sei se quero saber, mas que quero responder, pra mim mesma. Just for the record (Menos de 34, já que, algumas eu não respondo nem morta).
Ah, sim, direto do Buzzfeed.

1. Você me amava?
Todos os dias, sem falta. Do primeiro minuto do dia até o segundo final. Tenho certeza de pouca coisa nessa vida, mas não tenho a menor dúvida sobre isso. Do meu jeito errado e porco, eu fiz o que achei que era o melhor. 
2. Em algum momento, você chegou a acreditar que ficaria comigo para sempre? Confesso que sim, algumas vezes. Logo eu, quem diria? Em alguns dias, olhei nos seus olhos e quis colocar meu mundo todo lá dentro, sem hesitar. Mas passou rápido. Não sou dessas. 
3. Você me traiu? Nunca. 
5. Por que? Porque você era tudo o que eu queria. As pessoas que traem devem ter seus motivos. Eu não tinha nenhum. Só queria você, mais nada. 
6. Você conversava com o seu/a sua ex enquanto estava comigo? Difícil responder. Nunca escondi nada no que diz respeito a isso. O que você sabe é o que eu sei. 
7. Alguma vez eu fiz algo que te deixou com ciúmes? Quase o tempo todo, haha. Ok, não tem graça. Mas eu era/sou assim, um ser humano tosco e imaturo. Desculpe. 
8. Qual é o seu maior arrependimento sobre o nosso relacionamento? Fico pensando em termos de: "Se eu pudesse voltar no tempo e consertar algo, o que seria?". Não tem conserto. Eu podia ter brigado menos, podia ter dado mais risada e chorado menos. Podia ter sido menos dramática. Mas sou eu. E eu não posso me arrepender de ser quem sou. Eu podia dizer que me arrependo de tudo - às vezes, é verdade. Mas não aceito isso. Acho que me arrependo do agora. De não ser mais sua amiga, de tudo o que levou a essa sensação de que não dá, de que sempre vai ter esse elefante branco na sala quando eu for tentar ser amigável. 
9. Qual foi a pior coisa que você fez comigo? Dizer sim. 
10. O que você realmente achava dos meus amigos? Eu adorava todos eles! Bom, quase todos eles... -.- Gostava até daqueles que não cheguei a conhecer, uma pena. :/
12. Qual é a sua lembrança favorita da época em que estávamos juntos? Nosso primeiro encontro depois que voltei de viagem. (: Inesquecível. Mas a maneira como você olhava pra mim... Nada nunca foi tão real quanto aquilo. Nunca. Um dia, quero aquilo de novo. Agora não, mas um dia. 
13. O que você mais gostava em mim? Você é incrível. Mas eu gostava de como você me fazia sentir bem. Segura, de um jeito que ninguém nunca me fez sentir. 
14. O que você menos gostava em mim? Da sua tristeza. Mas é, eu sei que era parte de você como a minha era parte de mim. 
16. O que você teria feito diferente? Eu teria entendido mais. E interpretado menos.
17. Você ainda pensa em mim? Sim.
18. Com que frequência? Não todo o tempo haha. De vez em quando. Em você, como pessoa, eu penso mais - geralmente com raiva hehe. Agora, nele, no meu você, só raramente, tenho uns arroubos de saudade de ser feliz. Mas fui triste também, e disso não sinto falta, então passa.
21. Você acha que nós poderíamos ter resolvido os nossos problemas? Não. Esses nossos problemas eram milenares, meu bem. Fizemos o melhor que dava. Era o que tinha na hora.
22. Você gostaria de resolvê-los agora? Não. Não tenho ilusões sobre isso. 
23. Quando você curte os meus posts no Instagram e no Facebook e favorita meus tweets, você está flertando comigo ou tentando me perturbar? Eu não faço isso. Se fizesse, seria um pouco de cada. 
24. Você por acaso tem um alarme que avisa quando eu não estou pensando em você e é por isso que decide me mandar mensagens nesses momentos? Sim. :D hahahaha, eu não sei. Que pergunta absurda.
25. O que você disse ao seu novo par sobre mim? "Novo par". Bizarro. Disse que você é um cara legal e que não fui uma boa namorada. Que a gente se magoou muito. E que não quero passar por isso nunca mais. Mas que não foi culpa sua. Porque você é um cara legal e etc. Mas uma vez fiquei zangada e disse que você era um babaca -.- Depois me arrependi e disse que você era legal. :) Mas ele te acha um babaca. Atualmente, ele também me acha uma babaca. D: Então acho que tudo bem. 
26. Você ainda fala de mim para os seus amigos? Meus amigos gostam de fingir que nunca houve nada entre nós/você está morto. Então é raro. Queria ter falado mais sobre a gente, mas acho que foi melhor assim. Aprendi a superar quase sozinha. 
27. Os seus amigos me odeiam? Não. Sei que parece, mas não. Acho que eles só não sabem lidar com a situação, têm uma ideia meio doida sobre lealdade. 
28. Você ainda guarda os presentes que eu te dei? Todos, ora essa. Alguns não uso mais, mas não joguei nada fora, não queimei nada. O que eu não queria mais ver, guardei em uma caixa pra abrir quando a poeira baixar. 
29. Alguma música ou programa de TV te faz lembrar de mim? Ô, se faz :) Um pouco de tudo de que eu gostava. Mas eu cresci, mudei a playlist. Ainda te encontro, acabei de ouvir "Meu amor é teu" na playlist aleatória. Ainda é sua. Sempre vai ser sua, no fundo. ;)
30. O que você pensa de mim agora? Agora, agora... Nada. Queria te dar um soco na cara, mas passou. Queria te dizer muitas coisas, mas passou. Então penso que você é legal, bem legal. Mais do que isso, acho. Mas agora, agora, é isso. 
31. O que você realmente acha do meu corpo? Não tenho pensado muito sobre ele, na verdade. Mas eu gosto. Sempre gostei (: 
32. Você acha que, entre nós dois, você era quem mais ganhava por estar com alguém como eu, ou era eu que ganhava mais por estar com você? Pergunta doida, mas eu ganhei mais. Sem dúvida.
33. Se você pudesse me dizer qualquer coisa, o que você diria? Dizer o quê? Todo esse nada? Essas palavras todas, qualquer coisa que eu possa dizer, tudo isso é morto, não muda nada, não me faz sentir melhor, não vai te fazer sentir melhor. Não volta no tempo, não faz com que a gente se ame de novo. Dizer o quê? Reclamar, brigar, gritar pra voltar pra casa e chorar, pra dormir e lavar o rosto no outro dia, fingir que não aconteceu nada? Não, não tenho nada pra dizer, porque tenho tudo pra dizer, porque poderia te dizer qualquer coisa. Qualquer coisa que me passar pela cabeça. E não vai fazer diferença nenhuma. O que faz diferença é o que eu digo pra mim, todo esse nada que escrevi: pra mim, não pra você, não me importa se vai ler. Acho que, de todas as coisas que me passam pela cabeça, a que mais me dá vontade de dizer é: "Eu sei que você me amava, agora eu sei. Desculpe-me por ter entendido isso tão tarde".
34. Você gostaria que ainda estivéssemos juntos? Só em dias úteis. 

27x14 6 ou Canção pra não voltar (Season Finale)

Imagem: TingTing Huang

Caro Pégaso – é, eu nunca te dei um nome de verdade, nome de gente. Agora é desnecessário -,

Abro a playlist no aleatório pra te escrever uma carta, uma última, uma penúltima, uma carta só, de número 5, 6 ou 7, sei lá, e os acordes de “Mercadorama” me dão um tapa na cara, forte, um aperto grande no estômago, náusea. Prendo a respiração, procuro os botões pra mudar de música, mas essa coisa não passa, ainda me dói respirar.
Bom, direto ao ponto. Escrevo porque senti vontade. E vontade, do tipo puro e simples, é uma coisa rara, nos últimos dias.
Você talvez nunca leia isso, muito embora tenha mais chance de ler essa carta do que Otto tem de ler as que escrevo pra ele. Talvez um dia, daqui a alguns meses, você se veja parado na frente de uma tela como essa e se pergunte “Ei, o que será que ela anda fazendo?”. Aí você vai vir aqui e muito tempo já vai ter passado, essa postagem vai estar lá em setembro, há um século de distância. Mas, quem sabe, talvez você sinta vontade de se ver pelos meus olhos antigos. E, então, vai saber:
Eu ainda não segui em frente.
Tô perdida, sozinha, carente, confusa. Não segui em frente.
Ontem, estava sentada com uns amigos - Holden, meu amigo, é. O mundo dá essas voltas -, você passou, e eu senti o mesmo misto de medo, ansiedade e desespero de sempre. A garota, que você deve saber quem é, disse depois que “nem me lembrava mais que vocês dois já estiveram juntos”.
Eu me lembro. Não disse isso a ela, dei risada, dei de ombros. Mas eu me lembro.
Eu tenho uma lembrança pra cada uma das suas camisetas. Pra cada uma das minhas roupas, cada um dos meus brincos.
Eu não segui em frente.
Mas tô tentando. Não tô mais ouvindo o “How big”, da Florence, que acredito ser o nosso “break-up album” .  Evito Babel e o último álbum da Russian Red (Ou evitava, até hoje). A banda mais bonita da cidade, nem pensar.
Por um tempo, tentei ser como era antes, como se a vida sem você fosse simplesmente a mesma que era antes, como se houvesse um ponto de restauração no sistema. Li. Li durante dias, horas, sem ver o tempo passando, até a vista escurecer toda, até algumas horas antes das aulas.
Li. Saí por aí procurando Otto. Que loucura. Como se ele fosse a grande resposta, como se voltar a amá-lo fosse apagar você. Deus, eu espero que ele esteja bem longe. Feliz.
Enquanto procurava Otto, percebi que eu nunca mais poderia ser quem costumava ser. Percebi que só queria ser aquela pessoa porque você se apaixonou por ela. Porque eu queria que você se apaixonasse por mim outra vez.
Mas não dava. Continuei a ler, comecei a beber, passava a maior parte do tempo pensando em sair pra beber. A semana se tornou apenas um intervalo entre a ressaca e o próximo porre. Bebi, bebi, fiz coisas muito tolas. Mas não chorei. Não saí por aí chorando e gritando seu nome.
Dirigi bêbada, coisa que havia prometido pra mim mesma nunca mais fazer. Voltei pra casa bêbada, gritando músicas da Florence pra mim mesma, lutando contra a vontade que me rasgava em pedaços, de ir tocar seu interfone, te pedir pra descer, te pedir pra gostar de mim de novo, te pedir pra pelo menos me deixar dormir no seu quarto.
Senti dor. E agora vejo que você também deve ter sentido, talvez ainda sinta. Às vezes, eu só queria te perguntar se isso passa, se é sempre assim.
Sinto sua falta. Sinto falta da sua companhia, sinto falta de te perguntar as coisas, de te contar o que acontece. Sinto falta de te contar sobre um livro muito bom, sobre a cor do céu de madrugada, um evento no CCBB, uma fofoca da vida de alguém, uma coisa que aconteceu em casa, hoje um filme no cinema (vão passar uns filmes do tipo 500 dias com ela por esses dias, sabe?) . Sinto falta de olhar pra você sem ter que desviar os olhos.
Mas calma, já passei da fase de achar que vamos voltar. Já passei da fase de te querer de volta, de querer te beijar, dormir com você, sentir seu cheiro. Já até esqueci como é seu beijo, tanto que às vezes tenho que me esforçar pra lembrar da consistência da sua boca. Já superei a vontade de ir até sua casa, embora ainda imagine – todas as segundas e quartas, quando passo pela sua rua – qual seria sua reação. Você provavelmente também já passou dessa fase de achar que vamos voltar, eu acho. É triste, mas me deixa aliviada.
Já passei dessa fase, mas não segui em frente.
Ainda te encontro em cada canto do meu quarto, dos meus cadernos, da minha playlist e paro um segundo, pra ficar triste porque eu te amei tanto, nos amamos tanto e agora somos estranhos. É triste, é como se você tivesse morrido e eu não pudesse passar pelas fases do luto porque ninguém quer falar sobre você. Cada vez que menciono seu nome, as pessoas se entreolham e mudam de assunto, e eu me obrigo a guardar você de volta. Aos poucos, elas vão se esquecer de que a gente existiu e eu não sei se é o que eu quero. Porque aconteceu.
Isso me deixa muito confusa. Eu deveria apagar mesmo você, cada traço, cada memória, e começar com um espaço em branco na vida? Porque, às vezes, eu quero fazer isso. Às vezes, acho que é o único jeito de fazer com que isso passe. Mas aí vem alguém mais sensato que eu e me diz pra dar tempo ao tempo, que eu vou guardar isso, que você e eu nos tornaremos uma história que eu vou querer contar.
Mas será que vou?
Eu conheci um cara. Já faz um tempo, eu o conheci um dia depois do nosso último encontro, o encontro fatídico.
Ele me encontrou no meio de um monte de gente e eu mal olhei pra ele, eu estava tão cheia de dor, eu me sentia tão horrível, tão monstruosa, suja, vil. Tão só. Levou um tempo, muito tempo e álcool – uns poucos caras também, confesso -, pra deixar de me sentir assim.
Ele foi paciente, está sendo paciente. Eu digo a ele que não quero gostar de ninguém, nunca mais, não quero me envolver com ninguém, não quero nada, não quero ser nada e ele dá de ombros, diz que espera.
E eu gosto disso. Da ideia de que essa dor é só uma dor, que passa e daqui a pouco quero estar junto de novo. Da ideia de que a gente não deu certo, mas a culpa não é toda minha, eu posso dar certo com alguém um dia, quando estiver pronta.
Mas não estou pronta agora.
Antes da gente, antes mesmo que eu te conhecesse, eu estava me preparando  pra você sem saber, me preparando pra estar com alguém, pra ser parte de um nós, pra pai, mãe, festas de família, andar de mãos dadas, sair pra jantar, apresentar pros amigos. Eu estava me preparando pra dormir junto, pra deixar de enxergar o meu corpo como sagrado e apreciar o que ele pode fazer, o que mais ele pode significar. Eu estava me preparando pra penumbra, pra me magoar, pra falar e pra guardar os seus segredos.
E agora, eu não quero dar as mãos. Eu não quero ninguém passando o braço pelos meus ombros ou me acompanhando até o carro. Depois de ficar com um cara eu só quero ir pra casa ficar só. Não sinto vontade de mandar mensagens dizendo o quanto o dia ou a noite foi especial pra mim. Não sinto vontade de dividir meus segredos ou contar sobre o meu dia. Ou dizer o que penso. Ou dizer coisas que só fazem sentido pra mim.
Eu me sinto perdida. Tão perdida. Não acho que seja só porque você não está aqui, acho que acabaria por acontecer um dia desses. Eu me sinto perdida e preciso me encontrar. Não quero ninguém aqui enquanto faço isso.
Eu não rezo. Eu não vou à igreja, não leio a bíblia. Não falo sobre Deus. Até nisso acabei me perdendo.
Eu não estou pronta.
Esse cara, eu acho que posso gostar dele. Pode ser bom. Ele é uma boa pessoa. Acha que sou normal. Gosta do meu jeito estranho de pensar, do meu cabelo, do meu corpo. Diz que quer me ver, sinto borboletas no estômago. Descubro que quero vê-lo também. Acho que isso é bom.
Mas ainda não superei.
Ainda fecho meus olhos ouvindo Pompeii e consigo sentir meu coração bater daquele mesmo jeito que batia na Disney quando eu me sentava pra falar com você, do jeito que batia quando eu ia pra uma reunião do C.A. e você estava lá sentado no sofá, do jeito que bateu quando você segurou minha mão na palestra de Anatomia do Amor, quase consigo sentir o seu cheiro e a sensação de certeza que tive de que queria arriscar, de que queria que fosse você e mais ninguém a me magoar quando saí do cinema depois de assistir “A culpa é das estrelas”, depois de te beijar no seu carro usando aquela blusa de zebras que eu quase nunca uso porque ela é sua, é nossa e sempre vai ser.
Eu nunca achei que fôssemos ficar juntos pra sempre. E isso não quer dizer que eu não tenha acreditado. Eu acreditei. Em quase todos os segundos. Eu acreditei tanto, como nunca pensei que fosse possível. Eu te amei tanto - ainda te amo tanto, embora não do mesmo jeito - , de um jeito que eu tenho até medo. E, lá, naquele show da Banda do Mar, quando eu cantei olhando nos seus olhos, eu só disse a verdade 
"Olha só, moreno do cabelo enroladinho
Vê se olha com carinho pro nosso amor
Eu sei que é complicado amar tão devagarinho
E eu também tenho tanto medo
Eu sei que o tempo anda difícil e a vida tropeçando
Mas se a gente vai juntinho, vai bem
Eu não sei se você sabe, mas eu ando aqui tentando
E a gente tem o eterno amor de além".
Era tudo verdade. Eu fiz o melhor que eu pude, mesmo que não tenha sido o suficiente. E mesmo que eu me arrependa de muita coisa, não sei se faria diferente, porque eu sou assim, eu cometo esses erros. Não cometê-los seria não ser verdadeira com o que sou, seja algo ruim ou bom. Mas eu te amei de verdade. Eu te amo de verdade, acho que sempre vou, after all this time...
Eu ainda não segui em frente.
Mas vou fazer isso uma hora dessas.

Com amor, todo o amor que eu te dei, meu coração inteiro – até os pedaços que você acha que não conhece -,


B. 

20x21 Rabbit Lips

Imagem: TingTing Huang

Não é o fato de você tê-las beijado - e a quantas mais? -, é toda a situação que leva a crer que você está desesperadamente tentando superar o seu relacionamento com ela, sua Molly.
Eu não quero me meter nisso. Não quero ser mais uma boca e sussurros e não quero mais jogar. 
Não me dê tantos abraços nem diga meu nome tão alto, nem sorria pra mim como se eu fosse um CD antigo recém encontrado no qual você não pensava há séculos.
Sem jogos, vamos ser só amigos.
Amigos, eu digo.
Aí você vem, se intromete em alguma conversa, me olhando nos olhos, me abraçando, como quem diz, sei lá,  "relaxa, tem o suficiente pra todo mundo". E eu acredito, por alguns instantes, que tem o suficiente pra mim também.

20x20 Over?

Imagem: TingTing Huang

Acho que preciso ficar sozinha.
Sem moves, sem estratégias. Sozinha.
Tô precisando ler, tô precisando pensar.
Seria bom, pra variar, me arrumar pra mim, pra eu ver, pra eu gostar. Sem ele, sem mais.
Quero ter mais conversas espontâneas, fugir menos.
Quero parar de rir tão escandalosamente quando o vejo se aproximar, quero parar de sair correndo quando não quero que ele me veja, quero não me sentir mais tão burra quando conversamos.
Acho que só quero ficar mais livre do nome dele, da sua voz. Quero chegar àquele ponto em que possa tocá-lo sem prender a respiração e digitar a primeira letra do seu nome no facebook sem que a foto dele apareça primeiro na lista.
E quero parar de confundir as coisas.
Detalhes, fios de cabelo e tons de voz.
Quero ficar sozinha.
Só por um tempo.
Até eu estar pronta.

20x19 Tru blood

Imagem: Acervo pessoal (foto por B. R.)

- Não se mexa.
Ele estendeu o braço e os últimos dias pareceram convergir para aquele exato momento.
Tentei não tremer de medo, de ansiedade, dele.
- Tô pronta.
Mas não estava. Ela me disse "Não é assim, você tem que ficar de frente pra ele" e eu engoli em seco: não estava pronta pra você, não estava pronta pra te olhar de novo, pra não sentir vergonha e medo.
Só que era tarde demais pra voltar atrás, pra não fazer aquilo.
Fiquei de frente pra você e nos olhamos nos olhos. Talvez você não tenha sentido, só eu é que devo ter sentido aquilo, o frio na barriga, o ar pesado dificultando a minha respiração, a dor nos dedos e as pernas moles.
Fiquei confusa e triste e envergonhada por ainda estar atraída por você, de maneira que, apesar de já ter racionalizado e superado, meu corpo ainda respondia a você tão intensamente. Tudo isso num segundo, eu envergonhada e assustada, olhei pra você e
acho que você viu.
Talvez você não tenha entendido bem o que viu, talvez nunca o tenha visto antes - todo aquele pavor, aquela raiva e aquela vontade se misturando em algum lugar atrás das minhas orelhas, escorrendo pelas minhas mãos. Talvez você tenha me enxergado naquele segundo. Ouso dizer, aquilo te assustou também.
Mas já era tarde pra nós dois, então eu enfiei a agulha, devagar, e puxei, esperando  sei lá o quê.
Seu sangue escuro saiu, preguiçoso, sujando as paredes do êmbolo, assoviando baixinho, de maneira que só eu pudesse ouvir.
Bolhas de ar se formaram no líquido espesso, mostrando que eu tinha cometido um erro, o sangue mostrando as verdades que eu teimava em contestar.
Pedi desculpas, retirei a agulha, agradeci, sem olhar pra você.
Não precisava mais olhar pra você, não precisava mais querer você, nem temer você.  Eu tinha visto uma parte de você que elas não tinham visto, com a qual elas não tinham tido contato. Eu tinha perdido o mistério, a sede e a fome do que havia dentro de você.
Não havia mais surpresa. "Você é só humano", disse de mim, pra mim, "não pode me magoar, não pode me controlar, não pode nem me fazer gostar de você de verdade".
 É só um homem, é só um menino.
Eu não tenho de que me envergonhar.

20x18 How to talk to girls at parties

Imagem: TingTing Huang

Ele foi à festa certa e a garota certa estava lá, no momento certo. Bela combinação de cores, cabelos longos, alta e daquele tipo que atrai os homens, sei lá o porquê (a cabeça dela tem um formato engraçado. Não é isso que os atrai, mas tem).
Eu não estava lá, ainda bem.
Me senti ridícula em casa, na festa errada, tentáculos de polvo e um universo piscando na laringe, L. e eu estudando burrices loucamente.
"Já chega, né? Chega de Aidan, de garotos. Troca de roupa, vamos embora. Te faço uma trança e te mostro que nada disso importa".
Então, que seja assim. Já chega.
Pelo menos, pelos próximos 5 minutos.

20x14 Candy wishes

Imagem: TingTing Huang

Se eu pudesse decidir, juro que nem tudo seria perfeito.
Mas isso seria.
É isso que dói. (Não poder tomar as decisões pelos outros)

20x13 Shame on me

Imagem: TingTing Huang

- E como você se sente sobre isso?
Olho pela janela embaçada, tentando me concentrar nos contornos dos prédios, enquanto ele espera uma resposta que eu não sei se tenho.
Como eu deveria me sentir? Eu não sei. Não sinto raiva, nem tristeza, mas
- Mas acha que deveria? 
Não, não acho. Não seria justo, seria
- Não sei, seria? O que é que você sente?
O que é que eu sinto? Nada. Não sinto nada. 
Não me sinto feia, nem burra, nem pequena.
Boba, talvez.
Não. Muito boba. Estúpida. Incrivelmente estúpida.
Eu disse coisas, eu fiz coisas. Eu queria ter ficado quieta, feia, burra, pequena, invisível.
Por que não fiz isso
- Então, o que você sente?
Vergonha. Muita. Tanta que mal consigo pensar naquela noite, finjo que nunca aconteceu e torço pra que ele faça o mesmo. 

20x09 Nuala

Imagem: TingTing Huang

Eu posso ver daqui os pêlos do seu corpo se eriçando, o contorno dos seus músculos, os seus cílios enormes batendo uns contra os outros.
Posso ver a pele avermelhada atrás das suas orelhas e a pinta na sua nuca.
Posso ver sua barba por fazer e a pinta abaixo das suas costelas.
Posso ver seus ossos protuberantes e a maneira como seus fios de cabelo não assentam.
Posso ver seus calcanhares.
E eu posso ver seus dentes.
Enormes, pontudos.
E você olha pra mim e sorri, como se estivesse chocado por ter permissão de fazer isso.

Você pode me ver também.
Eu tinha me esquecido como isso era bom.

20x08 Carne crua

Imagem: TingTing Huang

Podia, fisicamente, me partir em pedaços. Talvez não partisse meu coração, não sei se ele ou eu saberíamos fazer com que isso acontecesse.
Talvez rompesse cada envoltório do meu corpo, talvez rasgasse meus tecidos de forma rápida e implacável. Talvez se alimentasse da minha energia, sem hesitar.
Depois, talvez me deixasse, talvez não.
Talvez gostasse de mim.
Tantas coisas poderiam acontecer entre nós, existem tantas coisas a serem pesadas, a serem pensadas.
Tantas possibilidades, e eu só queria que existisse a possibilidade de isso acabar sem que eu tenha que me esforçar.
Talvez eu superasse, assim, como quem se cura de um resfriado sem precisar de remédios.
Talvez.

20x07 Look up if you like me

Imagem: TingTing Huang

É típico de gente solitária como eu não querer ser solitária. Sentir falta de vozes e ruídos, de calor e risadas.
Comum passar diante de uma janela e pensar que procura alguém pra olhar quando, na verdade, procura alguém olhando.
Devaneios são hábitos, acontecem tanto que, às vezes, é difícil saber se aconteceram ou não. Encontros, conversas, toques na campainha. Tudo isso acontece numa manhã, diante da janela, observando movimentos de persianas.
Eu sinto que tenho feito isso. Feito uma voyeur incontrolável, tenho te observado por entre as persianas dos dias. Andei me disfarçando de cool kid pra te ver sorrir e te ouvir falar, boquiaberta, como se tudo o que você dissesse fosse importante.
Estive pensando em coisas tão tolas que me embaraça lembrar delas.
Te observei da forma mais constrangedora possível, mas racionalizei a coisa toda e entendi, e aceitei que você não estava disponível.
Mas, agora,

Bom, vou deixar minhas persianas abertas.
Quem sabe uma hora você me vê?

20x06 Stray dog

Imagem: TingTing Huang

Me leva pra casa, eu tô tão perdida e suja e sozinha.
Me deixa num canto do seu quarto e eu te ouço quando resolver conversar, te faço café pra melhorar da bebida e te leio poesia quando não conseguir dormir.
Eu tô confusa. Com todas essas coisas acontecendo, eu só sei que quero você.
Eu não quero saber de namorados, de histórias, de jogos, de paixões platônicas, nem de mim mesma.
Me leva pra casa, vamos cuidar um do outro. Acho que você também está meio perdido, me dá sua mão.
Me leva pra casa, anda, antes que outro alguém me leve.

20x04 Felix Felicis

Imagem: TingTing Huang

(Esse dia foi tão bom, tão bom que foi até ruim. Prepare-se)

Um frasco inteiro pra um dia perfeito:

Na hora do almoço, meio sem querer, parece que alguém derrama um pouco no seu suco.
Aí você sai de casa e descobre que ainda é cedo e que o sol deu uma trégua. Descobre que a professora malvada não veio e que o tutor substituto não liga muito se você fala ou não (aparentemente).
E o dia fica tão hilário e você consegue fazer com que alguém novo ria bem alto.
Gira nas cadeiras e brinca porque algo te diz que esse dia não pede esforço, pede pra acontecer, simplesmente.
A aula termina e você não sente vontade de ir embora, só fica e espera enquanto sua amiga termina de copiar, e vocês conversam sobre coisas e apagam quadros e você não sente pressa alguma.
Nas escadas, Aidan chama sua amiga - e você, em anexo -  pra irem ao bar. Mas é claro que não vai - embora queira ir onde quer que ele vá - porque a Redhead não vai. Não é? Você pensa: "Eu tenho que ir com o L., cadê o L."
Não. Seu estômago, sua intuição te diz pra ir.
Não.
"Vai, sua boba", diz a Redhead.
Não.
É, ok. Você vai.
Enrolam no laboratório e você convence um amigo a ir porque você quer que todo mundo vá e você se sente bem, mesmo feia.
E você queria, ainda, ser um pouco mais bonita, mas nem tanto como de costume.
Porque você sabe que tem que ir, sabe o que fazer e como agir, mesmo sem saber com que finalidade.
As garotas estão bonitas, brilhantes, de uma maneira que você nunca esteve e nunca vai estar, mas, dessa vez, você não se importa.
Você ri e fala com elas como se fosse uma delas. Faz suas piadas, seu tipo. E parece simplesmente normal.
 Vocês chegam ao bar e você só vê ele. Ele parece feliz e bêbado e você quer tanto que ele fale com você, olhe pra você, mas sabe que não vai acontecer e se pergunta logo o que é que te deu pra aparecer ali.
Você bebe e ri e ouve e fala e olha pra ele - obra da sorte, ele está sentado tão perto que você pode olhá-lo sem medo e ouvi-lo falar à vontade, sem esforço.
Os dentes dele, enormes, gigantics, te atraem feito luzes e mariposas, mas você se controla porque algo te diz que não é a hora.
Algo sussurra "divirta-se" e depois "fique" quando você está louca pra ir embora. Ficar te faz sentir bem e seu corpo recusa a ideia de ir.
Você continua bebendo e rindo e olhando pra ele quando pode e as horas passam e você tem tanta coisa pra fazer...
Um vento estranho balança a copa das árvores e alguém anuncia que vai chover.
E você começa a se arrepender de ter ido e tenta contornar as coisas pedindo carona a um amigo. Mas ele vai pro lado contrário.
"Não dou sorte", você diz.
E ele sugere: "Vai com o Aidan".
Seu coração cai e seu estômago afunda, mas você tira coragem sei lá de onde e grita - porque ele trocou de lugar: "Aidan, você pode me dar carona?"
Sim. Você flutua.
Na hora de ir, você descobre que não vão sozinhos e despenca um pouco só porque não ia rolar nada mesmo.
Aí você diz que precisa pegar sua mochila e ele diz "Pode ir, eu te espero" e você corre na chuva, insana, se sentindo uma Elizabeth Bennet indo ao encontro do Sr. Darcy.
Por um segundo, você treme de medo de que ele tenha ido sem você, mas seu coração dá um salto quando você o vê ali, à espera, ainda.
Vocês não se conhecem, falam do tempo, de música, enquanto o céu desaba lá fora e você não liga, silêncio ou diálogo, porque está com ele.
Porque estão tão próximos que você poderia só estender a mão e acariciar os cabelos dele. A possibilidade te anima e é o suficiente.
"Me deixa ali", você diz, porque quer correr na chuva e rir sozinha no meio da rua, mas ele não deixa.
Te deixa em casa, recomenda cuidado, se inclina pra um abraço-beijo que você nem esperava e você, num estalo "tome cuidado", porque isso diz muito.
Quer dizer "quero te ver amanhã, ouvi o que você disse, me preocupo com você". Então é suficiente, por agora.
Você o observa ir e corre para a chuva e dança e ri. 
E entende, enfim, como seria fácil se viciar nessa tal de Felix Felicis.

20x01 Brainstorm

Imagem: TingTingHuang

Lembretes: piscar, não rir escandalosamente, não colocar - EM HIPÓTESE ALGUMA! - o cabelo atrás da orelha, não encarar.
Mas os dentes dele são tão grandes, tão grandes, tão pontudos...
Não encare, pisque, pare de sorrir, não coloque o cabelo atrás da orelha...
Ah, merda.
Ok, pra trás. Fique longe, não olhe, não olhe, não...!
Ah, merda.
Tá, só, por favor, não fique se aproximando dele em cada oportunidade que tiver. Não se sente naquele lugar vago! Não, não, não, NÃO!
Droga. Você é tão óbvia.
Eu desisto de você. Só não fique bêbada e faça uma dança sensual, ok? Ok? Espera, o que é que você está fazendo? Sente-se! SENTE-SE AGORA! Sente-se, sua filha da mãe, não ouse mexer essas pernas!!
NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOO!

Ah, merda.

19x19 Moves (Season Finale)

Imagem: TingTing Huang

(Olha só pra essa foto. É linda. Incrível. Perfeita.)

Passava das duas. Bêbada, entediada, faminta.
Ele sorriu e seus dentes eram tão grandes, tão grandes, tão grandes e afiados que

Ah, merda.

Early Cuts: Hurricanes

Imagem: TingTing Huang

(Funny thing: Eu escrevi esse post pensando em Holden. Mas esse post, quando o leio, não fala de outra pessoa que não seja o Aidan - que vocês ainda vão conhecer, já que eu deixei de atualizar isso aqui e a situação mudou completamente. É sério, vocês entenderão, parece que eu escrevia sobre ele, mesmo antes de me dar conta de que ele existia.)

Não acredito em amor à primeira vista. Não com Otto ainda doendo, não com devaneios de 3 anos queimando nas páginas dos diários. Não sem cheiro, sem toque que explique.
Não sem um funeral digno pro meu amor unilateral passado, sem a devida decepção e sua posterior superação.
Mas "dane-se", você diz, "tudo é tão simples", e vem me quebrando as regras e as pernas e pregando verdades e mostrando seus dentes enormes (viram? Puro Aidan).
Digo que tem que haver algo de ruim nisso tudo, que essas coisas não acontecem fora dos filmes, essa coisa assustadora e implacável que faz as pernas tremerem e o tempo parar, acaba com o apetite e com o sono.
Você não presta, diz meu regulamento (além do fato óbvio de ser meu nêmesis). Mas, "dane-se", eu digo, "tudo é tão simples". E fico querendo te ver todos os dias, todas as horas.
- Não acredito em amor à primeira vista.
- Nem eu - você diz.

Estou perdida.