Imagem: TingTing Huang
Demorei muito pra escrever sobre isso.
Mas, lá vou eu.
Eu fui assaltada. Eu, James, osGênios.
Levaram meu celular.
E levaram outra coisa, também.
eu tô com medo.
Levaram algo, algo
Levaram minha casa, minha Brasília, o único lugar em que me senti segura na vida.
Levaram
Levaram a beleza dos estranhos que se aproximam, e das noites escuras.
Levaram minha capacidade de ouvir.
Eu tenho medo,
do escuro, das janelas abertas, de voltar sozinha pra casa, de demorar pra entrar no carro, de sair das festas.
De dormir.
Não tá tudo bem.
A cidade era minha, minha cidade, minha casa. Uma mulher gigantesca de concreto e vidro a me segurar pela mão,
Sólida.
E eu quero isso de volta.
Quero de volta as sensações fúteis, o não me importar com quem vive e quem morre, ou com amor e outras bobagens.
Queria que o tutorial fosse a maior das minhas preocupações, e não tremer de medo quando tenho que descer pra levar o lixo.
Eu não sei quem você é. Eu não sei da sua vida, da sua história. O que nos separa são milhares de oportunidades, de privilégios invisíveis dentro dessa minha velha redoma.
Eu não sei como é ser você,
eu não sei o que sentir sobre você.
Mas eu peço encarecidamente que me devolva.
Pode ficar com o celular, as músicas, as lembranças, as conversas.
Eu quero minha inocência de volta,
eu quero me sentir segura,
eu quero não ter medo de cada homem e mulher que surge ao longe,
e quero voltar dirigindo sem rezar pela minha vida, pra ficar salva, pra ficar sã.
Eu só quero de volta a sensação de ser imortal,
de estar segura.
Pode ficar com o resto.
Eu só quero voltar a ser eu.
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30x10 Gênesis, Parte 3
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Eu não conseguia respirar.
Estava de pé há horas.
Com sede, sem poder beber água. Porque estava com muita vontade de fazer xixi.
Uma vez que você sai de perto da grade, não tem volta.
Isso, se você conseguir sair.
Era dor, era medo, era tudo junto.
Mas quando ela entrou, luzes, brilho
Os gritos me deixando quase surda
Ela ali, na minha frente, braços abertos,
feito uma divindade
Eu chorei.
Chorei feito criança, de esconder o rosto com as mãos e soluçar, sem conseguir cantar, sem conseguir fazer mais nada.
Eu chorei.
Parecia que tudo o que havia de ruim, de pesado, os últimos meses, o último ano, parecia que estavam lutando pra sair, me rasgando pelos olhos,
à minha volta, as pessoas pulavam, gritavam. E eu parada, chorando, chorando como eu não chorava há muito tempo, chorando sem parar, sem tentar conter, sem tentar limpar.
Deixa chorar.
E, tão de repente quanto o choro veio, ele foi embora, e eu gritei, música por música, cada verso, como se estivesse orando, como se cada palavra fosse a única verdade que conheço.
Eu gritei como se minha voz fosse se extinguir pra sempre, como se ela fosse ouvir, como se ela esperasse que eu gritasse pra ela.
Eu gritei, e não podia ter sido de outro jeito.
Eu só podia gritar, eu queria me entregar por inteiro àquelas músicas, eu queria me partir em pedaços, eu queria morrer ali, eu queria que meu último suspiro fosse dado enquanto eu gritava Sweet nothing.
E todas músicas eram minhas, unicamente minhas,
Eram nossas, e eu toquei pessoa por pessoa pra me certificar se eram reais, se aquilo era real. E eu nunca senti nada menos real do que aquilo, do que eu.
Nunca me senti tão pequena e tão parte de algo.
Tão conectada, como não me sentia desde o ano passado, tão pouco perdida.
Eu estava no lugar certo, na hora certa.
Mesmo quando ela desceu e tocou muita gente que não era eu, eu senti a eletricidade da pele dela na minha.
Eu senti algo.
E senti que não acabava ali, que eu a veria ainda muitas vezes, muitas e muitas, porque eu tinha que vê-la de novo. Talvez de perto, talvez de longe.
Mas eu sabia que a distância não importava.
Aquilo que eu senti, aquela conexão com aquelas pessoas que eu nunca mais vou ver, aquela sensação de pertencer ao mundo, de pertencer a mim mesma, de ser minha, de ser eu.
Fez valer a pena, fez tudo valer a pena.
Foi como se toda a dor que eu senti, tudo o que tinha acontecido, tivesse que acabar ali.
Eu não consigo explicar o que aconteceu.
Eu não consigo explicar nada.
Eu não consigo explicar a sensação de simplesmente ter que tirar algo pra sacudir quando ela pediu, não consigo explicar porque não sacudi a blusa de frio, porque tirei a blusa ao invés disso e fiquei ali, seminua, cantando e gritando, sob o olhar atônito de James.
E não consigo explicar porque isso me pareceu e me parece tão normal. E porque as pessoas acham tão ousado, quando eu achei perfeitamente naturar tirar a blusa, mesmo quando nenhuma outra garota perto de mim fez o mesmo.
Eu queria me entregar por inteiro, e minha seminudez não significava nada pra mim, era um tributo, era
"Wave it for love, wave it for peace, wave it because you have been released"
E eu fui.
Eu fui liberta.
E eu provei isso.
Amém, Florence.
Eu não conseguia respirar.
Estava de pé há horas.
Com sede, sem poder beber água. Porque estava com muita vontade de fazer xixi.
Uma vez que você sai de perto da grade, não tem volta.
Isso, se você conseguir sair.
Era dor, era medo, era tudo junto.
Mas quando ela entrou, luzes, brilho
Os gritos me deixando quase surda
Ela ali, na minha frente, braços abertos,
feito uma divindade
Eu chorei.
Chorei feito criança, de esconder o rosto com as mãos e soluçar, sem conseguir cantar, sem conseguir fazer mais nada.
Eu chorei.
Parecia que tudo o que havia de ruim, de pesado, os últimos meses, o último ano, parecia que estavam lutando pra sair, me rasgando pelos olhos,
à minha volta, as pessoas pulavam, gritavam. E eu parada, chorando, chorando como eu não chorava há muito tempo, chorando sem parar, sem tentar conter, sem tentar limpar.
Deixa chorar.
E, tão de repente quanto o choro veio, ele foi embora, e eu gritei, música por música, cada verso, como se estivesse orando, como se cada palavra fosse a única verdade que conheço.
Eu gritei como se minha voz fosse se extinguir pra sempre, como se ela fosse ouvir, como se ela esperasse que eu gritasse pra ela.
Eu gritei, e não podia ter sido de outro jeito.
Eu só podia gritar, eu queria me entregar por inteiro àquelas músicas, eu queria me partir em pedaços, eu queria morrer ali, eu queria que meu último suspiro fosse dado enquanto eu gritava Sweet nothing.
E todas músicas eram minhas, unicamente minhas,
Eram nossas, e eu toquei pessoa por pessoa pra me certificar se eram reais, se aquilo era real. E eu nunca senti nada menos real do que aquilo, do que eu.
Nunca me senti tão pequena e tão parte de algo.
Tão conectada, como não me sentia desde o ano passado, tão pouco perdida.
Eu estava no lugar certo, na hora certa.
Mesmo quando ela desceu e tocou muita gente que não era eu, eu senti a eletricidade da pele dela na minha.
Eu senti algo.
E senti que não acabava ali, que eu a veria ainda muitas vezes, muitas e muitas, porque eu tinha que vê-la de novo. Talvez de perto, talvez de longe.
Mas eu sabia que a distância não importava.
Aquilo que eu senti, aquela conexão com aquelas pessoas que eu nunca mais vou ver, aquela sensação de pertencer ao mundo, de pertencer a mim mesma, de ser minha, de ser eu.
Fez valer a pena, fez tudo valer a pena.
Foi como se toda a dor que eu senti, tudo o que tinha acontecido, tivesse que acabar ali.
Eu não consigo explicar o que aconteceu.
Eu não consigo explicar nada.
Eu não consigo explicar a sensação de simplesmente ter que tirar algo pra sacudir quando ela pediu, não consigo explicar porque não sacudi a blusa de frio, porque tirei a blusa ao invés disso e fiquei ali, seminua, cantando e gritando, sob o olhar atônito de James.
E não consigo explicar porque isso me pareceu e me parece tão normal. E porque as pessoas acham tão ousado, quando eu achei perfeitamente naturar tirar a blusa, mesmo quando nenhuma outra garota perto de mim fez o mesmo.
Eu queria me entregar por inteiro, e minha seminudez não significava nada pra mim, era um tributo, era
"Wave it for love, wave it for peace, wave it because you have been released"
E eu fui.
Eu fui liberta.
E eu provei isso.
Amém, Florence.
30x08 Gênesis, parte 1
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
O mundo começou nos cabelos da Bessie.
Tranças longas, escuras, e a voz dela me enlaçou como se eu fosse um bebê, uma criança assustada, fugindo do mundo, da dor, de você.
Ela me abraçou forte, e me comunicou que eu chegaria viva no final dessa estação também. Ela disse que eu iria sobreviver à tempestade.
Feito mágica, eu soube, eu soube,
que eu iria conseguir.
Então ela desapareceu, e eu tive medo, medo de voltar, medo de só conseguir ser forte ali.
Halsey.
Entrou no palco, dona de si e do mundo e me gritou bem alto que não é errado ser como sou, levante-se, levante-se e seja o que você tiver que ser.
Ela gritou, e eu gritei de volta, até ter certeza de que era verdade.
De que não era errado ser assim.
Aí fui embora, encarar meus medos, todo aquele amor que eu senti um dia, toda essa dor, todas as mentiras contadas antes de dormir.
Fiquei de pé, esperando o Mumford, coração saindo pela boca, rezando pra conseguir sobreviver à Babel, pra que não doesse, sentindo os joelhos tremerem, a vontade de ficar de joelhos.
E aí eles entram,
e eu ouço os acordes da nossa música
E espero a dor jorrar.
Mas ela não vem.
É só uma música. É só mais amor perdido, transformado em qualquer coisa.
E eu fui ganhando força, minha voz gritando mais alto do que qualquer outra, eu quis gritar pra que você ouvisse, pra que você ouvisse a força da minha voz, da última vez que eu canto pra você, pra nós, minha voz se transformando em garoa e vento, em amor, em fé.
E quando chegou naquele pedaço, naquele nosso pedaço, escrito na sua letra há milhões de eras, fechado no fundo da minha estante de livros por um laço preto, com um nó quase cego,
eu gritei.
Eu gritei
Eu gritei
E não foi pra você.
Bem na metade, eu percebi
Que eu estava gritando, que eu estava gritando tão alto como nunca gritei antes
Porque você não cumpriu essa promessa.
Você não fez o que disse que ia fazer.
E não é culpa sua.
Mas eu vou fazer.
Por mim ou por alguém, um dia.
Eu vou fazer o que você não conseguiu.
Eu vou derrubar paredes, e eu não vou desistir, não vou me cansar.
Então eu gritei.
I'll play my bloody part,
to tear, tear them down.
E eu não menti. Como sei que você não mentiu.
Mas é preciso mais que vontade, mais que amor.
Agora eu sei disso.
Saímos, multidão e calor.
Marina.
Quando ela finalmente surgiu, vestida de rosa, eu soube que eu nunca mais seria a mesma.
Porque eu queria ser daquele jeito.
Eu queria ser a Marina quando eu crescesse.
Eu queria usar o cabelo que eu quisesse, a roupa que eu quisesse, queria falar sobre o que eu quisesse.
Eu queria ser forte, e brilhante, e rosa, e me mover feito uma bailarina desajeitada.
Eu queria ser quem eu quisesse ser.
E quando ela cantou as músicas, as minhas músicas de ir ver o Otto, todos os dias, de ir embora pensando em nós dois. Quando ela cantou a própria evolução, eu senti que era hora de evoluir também.
De ser quem eu quiser ser.
De me vestir como eu quiser.
De agir como eu achar que devo e aceitar as consequências.
De não parar mais.
Fui embora com o coração batendo forte, alto, sem saber o que dizer, sem saber como explicar a insanidade, a certeza, a sensação de outra forma que não fosse cantarolando bem baixinho a letra que tinha ouvido pela primeira vez
I don't wanna feel blue,
anymore.
O mundo começou nos cabelos da Bessie.
Tranças longas, escuras, e a voz dela me enlaçou como se eu fosse um bebê, uma criança assustada, fugindo do mundo, da dor, de você.
Ela me abraçou forte, e me comunicou que eu chegaria viva no final dessa estação também. Ela disse que eu iria sobreviver à tempestade.
Feito mágica, eu soube, eu soube,
que eu iria conseguir.
Então ela desapareceu, e eu tive medo, medo de voltar, medo de só conseguir ser forte ali.
Halsey.
Entrou no palco, dona de si e do mundo e me gritou bem alto que não é errado ser como sou, levante-se, levante-se e seja o que você tiver que ser.
Ela gritou, e eu gritei de volta, até ter certeza de que era verdade.
De que não era errado ser assim.
Aí fui embora, encarar meus medos, todo aquele amor que eu senti um dia, toda essa dor, todas as mentiras contadas antes de dormir.
Fiquei de pé, esperando o Mumford, coração saindo pela boca, rezando pra conseguir sobreviver à Babel, pra que não doesse, sentindo os joelhos tremerem, a vontade de ficar de joelhos.
E aí eles entram,
e eu ouço os acordes da nossa música
E espero a dor jorrar.
Mas ela não vem.
É só uma música. É só mais amor perdido, transformado em qualquer coisa.
E eu fui ganhando força, minha voz gritando mais alto do que qualquer outra, eu quis gritar pra que você ouvisse, pra que você ouvisse a força da minha voz, da última vez que eu canto pra você, pra nós, minha voz se transformando em garoa e vento, em amor, em fé.
E quando chegou naquele pedaço, naquele nosso pedaço, escrito na sua letra há milhões de eras, fechado no fundo da minha estante de livros por um laço preto, com um nó quase cego,
eu gritei.
Eu gritei
Eu gritei
E não foi pra você.
Bem na metade, eu percebi
Que eu estava gritando, que eu estava gritando tão alto como nunca gritei antes
Porque você não cumpriu essa promessa.
Você não fez o que disse que ia fazer.
E não é culpa sua.
Mas eu vou fazer.
Por mim ou por alguém, um dia.
Eu vou fazer o que você não conseguiu.
Eu vou derrubar paredes, e eu não vou desistir, não vou me cansar.
Então eu gritei.
I'll play my bloody part,
to tear, tear them down.
E eu não menti. Como sei que você não mentiu.
Mas é preciso mais que vontade, mais que amor.
Agora eu sei disso.
Saímos, multidão e calor.
Marina.
Quando ela finalmente surgiu, vestida de rosa, eu soube que eu nunca mais seria a mesma.
Porque eu queria ser daquele jeito.
Eu queria ser a Marina quando eu crescesse.
Eu queria usar o cabelo que eu quisesse, a roupa que eu quisesse, queria falar sobre o que eu quisesse.
Eu queria ser forte, e brilhante, e rosa, e me mover feito uma bailarina desajeitada.
Eu queria ser quem eu quisesse ser.
E quando ela cantou as músicas, as minhas músicas de ir ver o Otto, todos os dias, de ir embora pensando em nós dois. Quando ela cantou a própria evolução, eu senti que era hora de evoluir também.
De ser quem eu quiser ser.
De me vestir como eu quiser.
De agir como eu achar que devo e aceitar as consequências.
De não parar mais.
Fui embora com o coração batendo forte, alto, sem saber o que dizer, sem saber como explicar a insanidade, a certeza, a sensação de outra forma que não fosse cantarolando bem baixinho a letra que tinha ouvido pela primeira vez
I don't wanna feel blue,
anymore.
Early Cuts: Neon Lights
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
James me levou pra dançar, me tirou de casa, da dor de ficar sabendo que acabamos.
Na noite escura, eu já tinha rasgado minha pele e queimado minhas mãos com o ácido que jorrava das minhas veias.
Eu estava com raiva, mas não era raiva. Era dor, mas eu não sabia como expressar. Não sei mais uivar, não queria falar.
Eu só queria silêncio, ficar debaixo das cobertas, não ver mais nada que significasse "nós".
Graças a Deus, James, camisas brancas, liguei o carro e fomos pra longe de tudo, pro centro de tudo, socar e cuspir - James foi enfrentar as próprias lembranças e eu fui fugir das minhas.
Dancei. 5 horas seguidas, até não conseguir mais andar. Eu dancei cada música, no meio de tantos estranhos. Dancei pra mim mesma, sem querer que ninguém me olhasse, sem querer parar.
Dancei pra não gritar, concentrei toda a minha fúria, músculos e ossos, vias neurais em chamas, o corpo todo gritando o seu nome, te mandando embora.
Eu gritei no escuro, no meio da fumaça, gritei tudo e nada porque eu não tinha nada pra te dizer.
E tinha tudo o que eu não disse, tudo o que escrevi em pequenas folhas coloridas, tudo o que nunca vou dizer porque nada vai mudar. Ou porque, talvez, tudo mude.
Então dancei minhas palavras não ditas, dancei minha nudez, nossa nudez, dancei toda a dor surda até que se tornasse física, até não conseguir ouvir, até não conseguir andar.
E, no final, quando eu já me sentia limpa, livre de toda a fúria, ele apareceu.
Mas já era tarde. Toda a fúria a ser convertida em algo já tinha se esvaído. Agora só tinha medo, que ele confundiu com timidez.
Era medo de toque, medo de ser rejeitada de novo, medo de superar, medo de gostar de alguém, medo de gente, de escuro, da proximidade da boca dele do meu ouvido, de qualquer proximidade.
Dei dois passos pra trás, mas teria dado dez, se houvesse espaço.
Eu deixei toda a raiva ali, fui pra casa mancando.
E é por isso que não sinto mais raiva.
Só sinto medo.
James me levou pra dançar, me tirou de casa, da dor de ficar sabendo que acabamos.
Na noite escura, eu já tinha rasgado minha pele e queimado minhas mãos com o ácido que jorrava das minhas veias.
Eu estava com raiva, mas não era raiva. Era dor, mas eu não sabia como expressar. Não sei mais uivar, não queria falar.
Eu só queria silêncio, ficar debaixo das cobertas, não ver mais nada que significasse "nós".
Graças a Deus, James, camisas brancas, liguei o carro e fomos pra longe de tudo, pro centro de tudo, socar e cuspir - James foi enfrentar as próprias lembranças e eu fui fugir das minhas.
Dancei. 5 horas seguidas, até não conseguir mais andar. Eu dancei cada música, no meio de tantos estranhos. Dancei pra mim mesma, sem querer que ninguém me olhasse, sem querer parar.
Dancei pra não gritar, concentrei toda a minha fúria, músculos e ossos, vias neurais em chamas, o corpo todo gritando o seu nome, te mandando embora.
Eu gritei no escuro, no meio da fumaça, gritei tudo e nada porque eu não tinha nada pra te dizer.
E tinha tudo o que eu não disse, tudo o que escrevi em pequenas folhas coloridas, tudo o que nunca vou dizer porque nada vai mudar. Ou porque, talvez, tudo mude.
Então dancei minhas palavras não ditas, dancei minha nudez, nossa nudez, dancei toda a dor surda até que se tornasse física, até não conseguir ouvir, até não conseguir andar.
E, no final, quando eu já me sentia limpa, livre de toda a fúria, ele apareceu.
Mas já era tarde. Toda a fúria a ser convertida em algo já tinha se esvaído. Agora só tinha medo, que ele confundiu com timidez.
Era medo de toque, medo de ser rejeitada de novo, medo de superar, medo de gostar de alguém, medo de gente, de escuro, da proximidade da boca dele do meu ouvido, de qualquer proximidade.
Dei dois passos pra trás, mas teria dado dez, se houvesse espaço.
Eu deixei toda a raiva ali, fui pra casa mancando.
E é por isso que não sinto mais raiva.
Só sinto medo.
17x09 Are you there, Moriarty?
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Vendei meus olhos para a nossa batalha pessoal, eu não iria mais fraquejar.
- Você está aí, Moriarty?
Bati com força, a mão nua. Acertei alguns fios de cabelo.
- Você está aí, Moriarty?
Nem cabelos; dessa vez, apenas ar.
- É sua vez, disse eu, temendo o golpe.
Mas não veio, nunca veio.
Eu esperei durante um bom tempo, até perder a paciência.
Tirei a venda.
- Você está aí, Moriarty?, gritei.
E ninguém respondeu.
Vendei meus olhos para a nossa batalha pessoal, eu não iria mais fraquejar.
- Você está aí, Moriarty?
Bati com força, a mão nua. Acertei alguns fios de cabelo.
- Você está aí, Moriarty?
Nem cabelos; dessa vez, apenas ar.
- É sua vez, disse eu, temendo o golpe.
Mas não veio, nunca veio.
Eu esperei durante um bom tempo, até perder a paciência.
Tirei a venda.
- Você está aí, Moriarty?, gritei.
E ninguém respondeu.
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9x14 James was a friend of mine
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: Moniczek
Brasília, 27 de novembro de 2010
Querido James,
eu sinto muito. Sinto muito pelas coisas horríveis que já fiz ou disse. Sinto muito por nunca ficar do seu lado, por sempre menosprezar seus problemas.
Sinto muito se fui preconceituosa - é claro que fui -, sinto muito por forçar você a fazer o que não queria.
Sinto muito por ter feito aquelas coisas que te machucaram e por ficar remexendo em coisas que não são da minha conta.
James, sinto muito por nunca te elogiar e por ser dura com você.
Sinto muito por evitar você e por não te contar meus segredos - eu não os conto a mais ninguém, juro. É que não confio nas pessoas -. Sinto muito por não ter me apaixonado por você naquela época remota em que você gostou de mim.
Sinto muito por não te entender e por não ficar por perto, James.
Eu sei dos erros que cometi, sei que são muitos, James. Talvez por isso eu não te recrimine nunca por não me contar quando teve chance.
Estou magoada, James, comigo mesma.
Me desculpe por não poder ser chamada de amiga.
Te desejo o melhor, sempre,
B.
- N.A.: Este texto está marcado como SUPERdelayed, dá pra notar. James me redimiu, HA. Há umas 6 semanas :D
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