Imagem: TingTing Huang
Martín.
Parei para falar contigo, coisa corriqueira, sorrimos, teu celular tocou e eu fui embora.
Só.
Mas eu não queria que fosse só.
Parte de mim foi mesmo pra casa, estudar, ler e devanear ao som de Snaggletooth.
Mas, Martín, parte de mim ficou,
arriscou.
Esperou sua conversa acabar, te puxou pelo braço e te chamou pra um café.
Café rápido, no píer mesmo.
Bebemos devagar, eu consigo até sentir o cheiro doce,
e eu te disse pra não ousar falar sobre coisas acadêmicas.
Falamos de mim, de você. De tudo o que existe de ameno, e nossas pernas se encostaram debaixo da mesa.
Martín, você não sabe, mas me acompanhou até o estacionamento e, quando me deu adeus e me deu as costas, eu te chamei de volta e fui eu quem tomou a iniciativa no nosso primeiro beijo.
Ah, Martín, você não faz ideia, mas nossas férias foram lindas. Tomamos tanto sorvete e eu até sujei seu nariz de chocolate,
Já andamos de mãos dadas por aí e eu te desejei boa noite, bom dia, boa sorte, eu te amo.
Até saímos pra dançar, e você é muito menos desajeitado do que pensa.
Gostei do seu cheiro, da textura da sua pele e escolhi um osso favorito no seu corpo, pra chamar de meu.
Eu fiquei tão zangada, na nossa primeira briga (cujo motivo foi tão irrelevante que nem me lembro dele), que achei que te odiava. Mas passou, em questão de segundos.
Viajamos juntos, cedo demais, foi confuso demais
mas eu já te amava, eu já queria só você e mais ninguém, mas você não entendeu isso até que eu dissesse,
até que eu gritasse bem alto,
bêbada de vodka, amor e intensidade.
Você sentiu medo e eu eu senti medo, mas a gente não sentia medo de sentir medo do futuro.
Dormimos juntos, naquela noite, e em todas as noites seguintes, até à última.
Martín, nós nos amamos tanto.
Mas você não sabe disso,
porque dei as costas,
desci as escadas,
e fui embora sozinha.
E foi só.
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33x03 Agnes Nutter ain't no prophetess
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garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
É agosto, minha cabeça lateja, meus pés doem, mas corro.
Continuo correndo, sem parar.
No caminho, tento te puxar pela mão, te trazer pro meu lado, mas você se cansa, Pégaso, e te deixo pra trás, meu amado, meu adorado. Choro de medo, mas continuo.
Corro e corro, ultrapasso fatos e pessoas, obstáculos.
Estendo a mão pra um e outro, mas ninguém consegue me segurar, ninguém consegue me conter.
Sou fúria, vento e velocidade, meus sapatos queimam e derretem e se desintegram, pés em carne viva, mas eu não posso parar agora.
Eu preciso correr.
Eu preciso correr, eu preciso
encontrar você.
Tô correndo, correndo, correndo, correndo nas ruas cinzentas de agosto e te vejo
correndo do meu lado
Mas ainda é agosto, ainda é cedo demais pra dizer se a gente chega junto em setembro,
cai no chão e se abraça pra afastar a dor de correr até aqui,
pra comemorar que estamos salvos,
pra comemorar que nos salvamos.
Eu te olho, você olha e me sorri
como se realmente se importasse com minha existência
e eu quero muito
acreditar que você vai segurar minha mão caso eu resolva estendê-la.
Arrisco o movimento,
quase me desequilibro e caio,
repenso
e continuo correndo,
continuo correndo
correndo
correndo
Uma hora dessas, Martin,
prometo arriscar de novo.
É agosto, minha cabeça lateja, meus pés doem, mas corro.
Continuo correndo, sem parar.
No caminho, tento te puxar pela mão, te trazer pro meu lado, mas você se cansa, Pégaso, e te deixo pra trás, meu amado, meu adorado. Choro de medo, mas continuo.
Corro e corro, ultrapasso fatos e pessoas, obstáculos.
Estendo a mão pra um e outro, mas ninguém consegue me segurar, ninguém consegue me conter.
Sou fúria, vento e velocidade, meus sapatos queimam e derretem e se desintegram, pés em carne viva, mas eu não posso parar agora.
Eu preciso correr.
Eu preciso correr, eu preciso
encontrar você.
Tô correndo, correndo, correndo, correndo nas ruas cinzentas de agosto e te vejo
correndo do meu lado
Mas ainda é agosto, ainda é cedo demais pra dizer se a gente chega junto em setembro,
cai no chão e se abraça pra afastar a dor de correr até aqui,
pra comemorar que estamos salvos,
pra comemorar que nos salvamos.
Eu te olho, você olha e me sorri
como se realmente se importasse com minha existência
e eu quero muito
acreditar que você vai segurar minha mão caso eu resolva estendê-la.
Arrisco o movimento,
quase me desequilibro e caio,
repenso
e continuo correndo,
continuo correndo
correndo
correndo
Uma hora dessas, Martin,
prometo arriscar de novo.
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garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
- Eu gosto de você.
Planejo conversas,
olhares,
encontros.
Ainda não estou apaixonada por você,
mas é questão de tempo.
É falar com você,
te olhar diferente.
É querer você.
L. duvida, desconfia.
"Ele não tem barba"
Mas eu nem ligo mais pro destino,
já gosto até da tua data de nascimento.
Gosto do seu rosto
e dos seus óculos.
Escolho uma roupa bem bonita pra te impressionar
e volto a viver minha vida.
Minha vida é doida, complexa.
Descubro que andei criando loopholes no meu plano de não entrar em contato com Pégaso.
Falo com ele
ele responde
eu respondo
ele responde e,
de repente,
é uma conversa.
Conversamos.
A voz no fundo da minha cabeça, ajuizada,
me diz pra cortar o assunto
voltar pros livros, francês, pro nervosismo, pra você.
Ele me diz que quer conversar
E eu poderia, sim, dizer não, seguir minhas próprias regras
Hesito, antes de responder,
Mas eu não quero dizer não.
Eu não quero dizer não.
Martin, não me entenda mal.
Fosse um dia atrás,
fosse uma semana,
eu teria aceitado correndo.
Teria deixado pra trás qualquer afazer, qualquer coisa.
Mas, por um milésimo de segundo,
uma quantidade de tempo aparentemente ínfima,
eu hesitei.
Pode ser que você não entenda agora,
- até porque nem me conhece direito -
mas isso fez toda a diferença do mundo.
Obrigada.
- Eu gosto de você.
Planejo conversas,
olhares,
encontros.
Ainda não estou apaixonada por você,
mas é questão de tempo.
É falar com você,
te olhar diferente.
É querer você.
L. duvida, desconfia.
"Ele não tem barba"
Mas eu nem ligo mais pro destino,
já gosto até da tua data de nascimento.
Gosto do seu rosto
e dos seus óculos.
Escolho uma roupa bem bonita pra te impressionar
e volto a viver minha vida.
Minha vida é doida, complexa.
Descubro que andei criando loopholes no meu plano de não entrar em contato com Pégaso.
Falo com ele
ele responde
eu respondo
ele responde e,
de repente,
é uma conversa.
Conversamos.
A voz no fundo da minha cabeça, ajuizada,
me diz pra cortar o assunto
voltar pros livros, francês, pro nervosismo, pra você.
Ele me diz que quer conversar
E eu poderia, sim, dizer não, seguir minhas próprias regras
Hesito, antes de responder,
Mas eu não quero dizer não.
Eu não quero dizer não.
Martin, não me entenda mal.
Fosse um dia atrás,
fosse uma semana,
eu teria aceitado correndo.
Teria deixado pra trás qualquer afazer, qualquer coisa.
Mas, por um milésimo de segundo,
uma quantidade de tempo aparentemente ínfima,
eu hesitei.
Pode ser que você não entenda agora,
- até porque nem me conhece direito -
mas isso fez toda a diferença do mundo.
Obrigada.
32x21 Capricórnio (Season Finale)
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Estava sentada, vaidade e intriga,
um bando de gente falando
um bando de gente querendo falar
aí olhei, pro outro lado da sala,
e você olhou de volta.
Você só olhou de volta.
Desviei o olhar, estava ocupada demais, coelho branco, correndo de um lado pro outro, resolvendo detalhes de coisas que não queria resolver.
Se pudesse,
deitaria no colchão e acordaria em setembro.
Mas setembro não chega logo,
acordo pela manhã e sinto medo, frio na barriga,
quero ser boa.
E sou.
Sou tão boa quanto qualquer outra pessoa,
e sei disso, agora.
Assim como sei que nunca vou estar satisfeita.
Outro dia, me sentei na frente da janela e fiquei penteando minha juba de leoa,
olhando as estrelas
e pensando
pensando
nesse cara do sorriso bonito e na razão pela qual eu não conseguia gostar dele da maneira como se gosta.
Pensei,
e justifiquei,
e pensei,
até acabar percebendo
que estava pensando em você.
E que eu nunca tinha pensado sobre você antes.
Não desse jeito, de jeito nenhum.
Absolutamente desconhecido, aleatório
Estranho.
E, olha que coincidência,
eu gosto estranho.
Que venha setembro.
Estava sentada, vaidade e intriga,
um bando de gente falando
um bando de gente querendo falar
aí olhei, pro outro lado da sala,
e você olhou de volta.
Você só olhou de volta.
Desviei o olhar, estava ocupada demais, coelho branco, correndo de um lado pro outro, resolvendo detalhes de coisas que não queria resolver.
Se pudesse,
deitaria no colchão e acordaria em setembro.
Mas setembro não chega logo,
acordo pela manhã e sinto medo, frio na barriga,
quero ser boa.
E sou.
Sou tão boa quanto qualquer outra pessoa,
e sei disso, agora.
Assim como sei que nunca vou estar satisfeita.
Outro dia, me sentei na frente da janela e fiquei penteando minha juba de leoa,
olhando as estrelas
e pensando
pensando
nesse cara do sorriso bonito e na razão pela qual eu não conseguia gostar dele da maneira como se gosta.
Pensei,
e justifiquei,
e pensei,
até acabar percebendo
que estava pensando em você.
E que eu nunca tinha pensado sobre você antes.
Não desse jeito, de jeito nenhum.
Absolutamente desconhecido, aleatório
Estranho.
E, olha que coincidência,
eu gosto estranho.
Que venha setembro.
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