Imagem: TingTing Huang
Stephanie.
E foi assim eu beijei uma garota pela primeira vez.
Hollaback girl, minha juba esvoaçando, eu suava com o esforço e ansiava pelo fim da festa, por beijos há muito esperados.
Ela surgiu do meio das luzes, etérea, magra, pequena, cabelo escuro, roupas pretas, me perguntou sobre beijos e eu tinha um beijo pra dar. Dois. Estava guardando.
Eu tinha amor, o toque das minhas mãos, eu tinha dois mundos e muita dor pra oferecer.
Beijei-a.
Não era a garota certa, a que esperei durante anos, Berenice, Ulrika, mas era o certo naquela hora, sua boca macia, ascendente em Peixes, vida em Macaé, beijei sua boca porque sim, não porque a amava.
Eu guardei esse beijo, esse dedal, por muitos e muitos anos. E ela nem sabe. Nunca vai saber. Guardei pra uma garota que eu amei, que eu viesse a amar. Que me desse vontade de fazer cafuné, cujo corpo eu admirasse todos os dias, sem falta.
Eu guardei pra essa garota que eu quisesse ouvir falar da vida, do mundo, da morte, da mãe.
Pra alguém pra quem eu não quisesse mais mentir.
Que me fizesse querer voltar pra casa, uma pessoa a quem eu fizesse sentir bem, que me chamasse de lar.
Uma garota pra quem eu escreveria poesias, quebraria pratos, bateria portas, levaria flores e abriria as janelas pra arejar a casa.
Mas essa garota não existe, existe?
Não, eu a inventei.
Assim como invento as pessoas que quero amar e tento enfiar pessoas reais nesses moldes, causando dor e sofrimento pra gente que não tem nada a ver com as minhas loucuras.
Eu a beijei. Seu beijo era bom, sua boca macia, seu corpo tão frágil que eu tive medo de quebrá-la, que eu não sabia onde pegar, o que fazer.
Foi bom.
Não era a garota certa,
mas era o momento certo,
ou talvez isso nem exista e eu só esteja tentando enfiar significado em coisas que não o possuem.
Beijos,
Rejeições,
Amor.
Bom, garota certa, onde quer que você esteja, caso você exista:
não venha.
Fique onde está. A salvo.
Fique onde está,
e vai ficar tudo bem.
O mundo é grande,
você não tem que passar por isso.
Ninguém tem.
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7x04 Pain, Pills, Power
Postado por
garota solteira procura,
Pernas roxas, arranhões nas costas, o que eu não faço por você?
Tornozelo inchado, cicatrizes nas coxas, o que eu não daria pra ser você?
Sono, dor e diarréia, o que mais eu posso fazer pra ver você?
Choro e berro enquanto alguém coloca meu dedo no lugar. Quanto falta pra eu ser melhor do que isso?
A
Quanto tempo mais eu vou ter que ficar nas pontas dos pés?
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lily allen
4x03 Caught by the river
Postado por
garota solteira procura,
Olhos, cabelos (finalmente os cabelos certos!), ossos e ruídos.
Como se descobre algo que já se sabia?
Sentada à margem do meu rio vida, é no que penso.
Estou seca, finalmente parece que deixei de me afogar nos meus sentimentos.
Estivemos mergulhados no silêncio de nossas próprias existências, eu e ele, sem que fôssemos atrapalhados por ruído algum que não fosse o correr da água e o barulho das pedrinhas que ele atira em sua superfície.
"Ei, Olhos Verdes, aposto que acerto mais longe que você"
Ele não diz nada, espera.
Eu consigo jogar longe, mas a superfície da água não muda.
Ainda estou tentando quando avistamos. Há uma mancha na água. Ondas de cor púrpura se espalham lentamente pela superfície outrora incolor.
"Venha, Olhos Verdes, vamos brincar", eu chamo.
Ele me olha assustado, não quer vir.
Eu o puxo, molho meus pés na água, como quem diz 'vê? é só água'
Ele entra na água, meu pequeno Olhos Verdes e afunda até que eu só consigo enxergar dele uns dedos, uns pedaços de dedos.
"Não, Olhos Verdes, não afunde, é só água" mas ele não pode ouvir.
Eu seguro aqueles pedaços de dedos com tanta força, estou me segurando também.
Puxo-lhe a mão e a aperto, esperando um sinal de vida.
Olhos Verdes não aperta de volta, ele nunca esteve vivo, eu me esqueço.
Mas eu fico ali, segurando, esperando estupidamente.
Nem percebo que estou mergulhada até os joelhos nessa água.
Eu estou tentando salvá-lo, Olhos Verdes, mas quem está tentando me salvar?
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Olhos Verdes,
Rio-Vida
3x16 Et in Alaska ego?
Postado por
garota solteira procura,
O amor unilateral encostou seus lábios nos meus e eu pensei sobre morte.
Não, não. É apenas McCandless, em minha cabeça.
Um cara, ele está esperando uma garota pra um encontro, e ela não chega
Coisas se passam pela cabeça dele, morte, e tudo o mais.
O amor cheira bem, me conta coisas e então, música.
McCandless e música. Música e McCandless.
Estão tão conectados na minha cabeça que mal posso dizer se estou ouvindo música ou McCandless.
"Não me beije", eu quis dizer. Mas McCandless estava sentado comigo e me desafiava
"Vc não ousaria, você me deu seu amor, você me prometeu ser boa"
Não me deixou. Sua presença estava ali, respirando, tocando, se intrometendo.
Um lobo bateu à minha porta e eu o deixei entrar. Veja! Veja a bagunça que ele fez! E ele continua batendo, uivando. Mas agora eu não o deixarei sair. Ambos seremos prisioneiros.
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