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39x05 Nuvem ou o meu medo de nós dois

Imagem: TingTing Huang

pergunto se você penteia o cabelo
Assim mesmo,
"você penteia o cabelo?"

Pergunto assim porque eu não sei como me expressar melhor. Eu tô sentindo tanta coisa e não sei como dizer.
Tô apaixonada por você.
Mas você não lê meus pensamentos,
você não me lê.
Responde "penteio", porque você não tem graça.

O que acontece com essas pessoas? Por que elas não podem ser engraçadas, continuar o diálogo, facilitar as coisas? Por que você tem que ser uma dessas pessoas?
Não me conformo.

Eu não sei me doar.
Eu não sou só isso que você pode ver, mas eu não sei como te dizer.
Eu não sei como beijar a sua boca pra te fazer entender e você tá me olhando confuso, confuso.

Você não entende nada de mim, não entende nada.
Eu te mostro minha intensidade, meu caos e você se encolhe feito uma mola,
não fuja de mim, eu tento dizer, mas não adianta nada
Por que você me procura se não quer me encontrar?
Por que você me procura, se não quer me ver?

Não, não me abraça agora.
Não me abraça agora, porque eu posso querer ficar.
E não podemos ficar, a gente não tem jeito.
Você me diz pra ter coragem, que a gente dá um jeito.
Mas nessas coisas não se dá jeito, essas coisas são ou não são.

Eu não quero você também, eu quero o impossível,
eu quero a não possibilidade de ficarmos juntos.
Eu quero você no seu dia mais triste, no momento em que você estiver em casa querendo ficar só,
eu quero você nas horas em que você está ocupado
e quando está dormindo, quando está sonhando com uma garota que não sou eu, que está longe de ser eu,
que eu estou longe de ser.

Eu quero desistir sem tentar, eu quero desistir agora,
eu quero arrumar minhas malas e ir embora,
por que você não diz a coisa certa?
Me conta alguma coisa que você aprendeu,
me conta uma coisa nova,
me diz uma coisa burra que você não entende,
me fala uma coisa sobre essa sua cacofonia poética, mas não me deixa ir embora

Mas você só me olha, só me olha,
e eu não sei ler pensamentos também, não entendo nada de você
ou das suas sinapses lentas e brilhantes, eu me movimento rápido, minha doença é outra,
e eu não sei falar tua língua, eu não sei acreditar no teu delírio.

Cê tá sentado, camisa amassada, cabelo bagunçado, me olhando, me olhando,
pernas cruzadas, usando meias brancas demais,essa camisa é branca demais,
você é demais, e o excesso de você me dá nos nervos,
me vira pelo avesso, me tira toda a estabilidade, quero ir pra casa me empanturrar de pipoca e esquecer o teu nome
o teu rosto e o teu sorriso, mas você tá grudado na minha pele, mesmo sem me tocar
e eu sei que não adianta lavar, não adianta arrancar minha pele inteira, porque você veio de dentro pra fora
você não sai.

E eu tô com medo.

Tô com medo do que você vai fazer comigo, se eu deixar.

Começo a explodir e derreter.
Você acorda, se movimenta, rápido demais até pra você, mas do teu jeito, no seu tempo, seca minha lágrima única e solitária, segura a minha mão
e diz a coisa certa
as palavras mágicas 3:40
e é tão estúpido, tão sem graça
que eu rio,
eu não consigo parar de rir.

34x12 Coadjuvante


Imagem: TingTing Huang

Eu te espero voltar enquanto o almoço esfria sobre o fogão.
Mas você não volta, você nunca mais volta.

Quem é você?

Eu não te reconheço, mas você não mudou nada. Sempre foi você.

Eu me apaixonei pela sombra escondida nos seus olhos, o jeito como os fios do seu cabelo teimavam em crescer.
Eu me apaixonei pelos seus sonhos.

Por tanto tempo, você foi a mão errada dentro da luva, um inseto preso no quarto, batendo na janela e tentando sair. Sentindo o vento, sem saber de onde ele vinha.

Eu amo você.
Eu amei você desde o primeiro segundo. Antes mesmo de te ver.

E, agora, eu te vejo.
Eu te via antes, fragmentada, nas pontas dos dedos, na respiração, na cor rosa da sua língua a roçar sua gengiva, na respiração, nas pausas, no toque. Mas agora é diferente.
Eu te vejo, por completo.

Eu te vejo quando abro os olhos pela manhã, e você me sussurra um bom dia doce e delicado, o seu bom dia.

Eu te vejo, e te amo, então tampo as panelas e distraio o estômago com um copo de suco
enquanto espero que você volte.

Mas você não volta.
Você não é como eu, você não simplesmente vai e volta, liga e desliga.
Você é.
Eu simplesmente existo, eu não sou.
Você é.
E, uma vez que se é, não se pode esconder.

Não esconda.
"Eu estou doente", digo, em tom de segredo, "mas você não está. Você é, e a doença, meu amor, a doença é existir. Você é".
Retiro sua máscara, com toda a delicadeza
e você é linda.
Você é.

E eu queria entender, queria saber, queria te proteger, eu queria
Mas não é sobre mim. É sobre rios, sobre saber quem você é, sobre ser, sobre você.
Então abro bem as janelas, pra que você possa voltar e sair quando quiser, voar pra bem longe, pra um lugar onde você possa ser.

E eu espero, meu amor, que eu também possa encontrar esse lugar ou, ao menos,
uma cura
pra minha própria existência.

21x12 Natural Killer


Imagem: TingTing Huang

É como se estivesse te perdendo outra vez. Acordei assustada, percebendo que tinha perdido seu rosto.
Sonhei que te desenhava inúmeras vezes sem jamais acertar os traços, as cores, os detalhes.
Contei a L. e ela me disse que não me preocupasse, "você desenha com palavras".
Como é tudo o que eu tenho, farei o meu melhor.

Seus olhos estão sempre sérios nas minhas lembranças, imortalizados em seus tons de todas as cores possíveis, lendo mentes e dizendo mais que qualquer boca, em uma língua que eu não entendo ainda.
Nariz. Acredita que não me lembro do seu nariz? Nariz e orelhas, sua boca, parece que ficou tudo perdido, foi substituído por luz e som. É lindo. Queria que você pudesse se ver como eu o vejo.
Você é lindo.
Quando você sorriu, foi como se tudo o mais sorrisse. Me lembro das suas gengivas. Não me ache estúpida, mas é que achei tão lindo o seu sorriso, o branco dos dentes se destacando contra as gengivas rosadas, tão especial. 
E seus cabelos.
Me sinto tão tola quando escrevo sobre eles, Otto. Às vezes, até parece que os amo mais do que a você.
Mas é que são parte de você. Pequenos fios de luz, som e cor, crescendo lentamente, todas as noites. Brilhando à luz do dia e dançando ao sabor do vento.

Queria que você pudesse se ver como eu o vejo.
Você é lindo.

20x13 Shame on me

Imagem: TingTing Huang

- E como você se sente sobre isso?
Olho pela janela embaçada, tentando me concentrar nos contornos dos prédios, enquanto ele espera uma resposta que eu não sei se tenho.
Como eu deveria me sentir? Eu não sei. Não sinto raiva, nem tristeza, mas
- Mas acha que deveria? 
Não, não acho. Não seria justo, seria
- Não sei, seria? O que é que você sente?
O que é que eu sinto? Nada. Não sinto nada. 
Não me sinto feia, nem burra, nem pequena.
Boba, talvez.
Não. Muito boba. Estúpida. Incrivelmente estúpida.
Eu disse coisas, eu fiz coisas. Eu queria ter ficado quieta, feia, burra, pequena, invisível.
Por que não fiz isso
- Então, o que você sente?
Vergonha. Muita. Tanta que mal consigo pensar naquela noite, finjo que nunca aconteceu e torço pra que ele faça o mesmo. 

15x14 Lover to lover

Imagem: TingTing Huang
18:18 - Sente sua falta

Será que existe mesmo essa possibilidade? Alguma vez você se perguntou o que houve comigo?
Também te incomodam as oportunidades perdidas?
Te chateia não saber que músicas ouço, se gostei de ler "One day", se James e eu temos nos visto com frequência?
Te irrita o início do ano, a incerteza dos dias de chuva em que não estamos juntos?
Mais do que tudo, amor, te desespera o fato de que eu nem te disse adeus?

13x11 She & Him

Imagem: JamesCalder

Preparava-me para o banho.
Cobri os cabelos com uma touca e cobri a touca com minha camiseta, me olhando no espelho enquanto o fazia.
Eu B. me olhava, mas um menino é que me olhava de volta. Isso mesmo, um menino de olhos grandes, bochechudo: eu.
"Cadê meus olhos, cadê minha boca de menina?", pensei. Depois de tampado o cabelo, eu tinha perdido a minha identidade feminina.
Apertei os seios com força, como se fossem fugir, mas eles não tinham significado.
Quem me conhece melhor do que o espelho? Se ele diz que sou um menino, um homem, então eu sou.
Com um arrepio, soltei meu cabelo - ensebado pela quantidade indecente de creme - e fiquei sorrindo, buscando a feminilidade nos olhos, na boca.
Me reconheci e respirei aliviada. Depois senti o coração murchar ao pensar que Alex deve ter sentido o mesmo quando lhe roubei os cabelos.

Tomei sua identidade.

12x02 The Cool Kids

Imagem: noisemedia

- Oi (oi. Pode alguma coisa soar mais banal? Quando se está prestes a vomitar ou engasgar com a língua, é uma tábua de salvação). O oi  passou pela minha língua, desfranziu minha testa, moldou simpatia na minha pokerface, mas não saiu. Ficou presa nosdentes, a palavra burra.
Era pro meu oi sair, o dela foi mais rápido. Veio fácil, que nem o sorriso, que nem o abraço. Vieram um mundaréu de gestos nela, tão despidos de esforço que meus olhos aguaram.
Senti na goela o gosto do "oi" engolido às pressas, uma dor na boca, de esconder os dentes, dor no rosto, do estica-encolhe tão treinado na véspera, na frente do espelho.
Lá dentro de mim o coração batia apertado, sem saber se de felicidade (porta de elevador aberto às pressas), se de vontade (daquelas que dispensam imagens explicativas) misturada com angústia.
Se foi rápido, pra mim demorou, longo feito uma manhã tediosa. Se é um gesto simples, pra mim foi complexo, cheio de corações entrando em equilíbrio sonoro, trocas de calor, de átomos, de fibras de tecido, de cheiros.
Meu peito reclamou, sentindo o desconforto do cérebro, sentindo os pés latejando, mas foi só, fácil de conter.
O gosto de ferro na boca, o uivo nos pulmões, esses deixei sair, deixei que se espalhassem, que lamentassem seus cabelos escorrendo pelo pescoço dela.
Que lamentassem seus cabelos.
Que lamentassem o pescoço dela.

10x20 Ousadia (Season Finale)

Imagem: visual07

Tive um sonho: nascia.
Rasgava a placenta com as unhas, sufocava, saía. Adulta, nua, deitada na grama.
Meus olhos eram da cor do arco íris e meu coração ficava na garganta e doía. Eu era bicho e não era feio ser bicho.
Eu respirava e era bom respirar. Agarrava tufos de grama e me esticava toda. Meus ossos cresciam dentro de mim ou a consciência de mim crescia e me inundava, me apertava.
O céu escuro, a terra escura; não havia diferença, eu talvez estivesse deitada sobre as estrelas.
A água chiava e um grilo chamava sua predestinada. Desgrudei minhas patas, meus dedos,
Algo me feriu, querendo sair, um outro ser, subindo pelo esôfago, lutando contra a pele escorregadia, dilacerando o coração na garganta.
Era um som, um grito cortando a escuridão, mãe da minha alma: Eu

6x10 Gideon, 2 horas e 4 anos atrás

Por FlickrJunkie

Alguns garotos nunca se tornam homens. Isso nem sempre é ruim. Eles só passam pela vida, pegando elementos daqui e dali até morrer.
Homens nunca morrem, Gideon me disse.
Seus cabelos mudaram, seu porte é altivo.
A cicatriz no supercílio é nova, assim como a tatuagem praticamente imperceptível.
Às vezes, enquanto caminha, ele cruza as mãos nas costas. Sabe o que pode significar?
O tempo mudou, nós mudamos.
- Se eu não tivesse mudado, como iria acompanhar você?

Gideon 1 x 0 B.

3x07 De olhos bem fechados


Eu ainda posso sentir a mesma brisa passando por dentro de mim, o mesmo assovio.
Dentro de mim, nada mudou após todo o grande ritual de passagem.
was lost, I was lost
Crossed lines I shouldn't have crossed


Eu queria que fosse fácil mudar, que eu pudesse dizer a mim mesma o que fazer.
Yeah, how long must you wait for it?

Os cabelos dele são escuros e suas palavras serão gentis. Mas não é por ele que eu espero.
I was scared, I was scared
Tired and underprepared
But I waited for it
If you go, if you go
Then Leave me down here on my own
Then I'll wait for you, yeah


Eu ficaria a noite inteira esperando, se pudesse ter certeza de que a história seria diferente. Sabe, como quando se odeia o fim de um livro? Por que não mudá-lo?
Eu pensei sobre isso milhões de vezes, desde os meus 9 ou 10 anos.
Quero acreditar que posso. Que posso reescrever um final tolo.
Só preciso ter certeza de que não vou bagunçar a história inteira fazendo isso, o jeito como deveria ser.
Sing it please, please, please
Come back and sing to me


- Feche os olhos e faça um pedido.
Quando não se tem certeza sobre nada, a melhor chance é a paz mundial. Dane-se, me traga ele aqui, certo ou errado.

3x06 To be or not to be


O espelho e meus batons falam comigo. Assim como minhas marcas, meus sapatos, meus cabelos.
Lampeduza!, gritam, Lampeduza!

Não.

Imagens passam pela minha cabeça. Leighton, Zoey, Cory.

Não.

Ela endireita meus ombros, segura meu pescoço "Você não quer?"
Não, eu...

Ela não me deixa terminar. "Você não quer?", me mostra o espelho, eu, mas não sou eu.

Não. Eu posso fazer sozinha, eu ainda estou aqui.

Me aperta o pulso, machuca. "Você não queeer?".
Não, não; digo, de olhos fechados.

Abra os olhos. Eu prometo te deixar ir.

Abri, timidamente, a luz cor de rosa me incomodando.

Sim.

Sim?, ela repete.

Sim. (Não, grita minha mente)
Mas é meio tarde pra isso. Ser eu mesma já não é suficiente. Unilateral. Não serve mais. Eu não faço idéia de como cheguei a esse ponto.

Não se preocupe, babe, é onde todos vem parar; diz o batom.



seja gentil, chapeleiro.

3x03 Dezesseis minutos para Vinte e uma horas


Quando eu tinha 12 anos, Sofia bebeu até dormir, até que não pudesse mais sentir os próprios lábios. Antes de apagar ela me disse, com aquela voz enrolada "Não dói mais, eu disse que não ia doer mais".
Eu fiquei ali cuidando dela, daquela boneca suja de vômito, cuidando pra que ela não sufocasse com o próprio vômito, no meio daquela sujeira toda, enquanto Pat Benetar gritava We are young, heartache to heartache we stand no som da mãe dela e uma pilha de fotos nossas com o David terminava de queimar.
"Eu nunca vou amar ninguém".

Eu tinha 14 anos quando Larissa desmaiou no banheiro, o pulso direito cortado. Mickey queria dar um tempo.
"Eu nunca vou amar ninguém"

Eu tinha 10 anos quando ele bateu nela e disse "Se você odeia tanto apanhar, por que não vai embora?" e ela disse "Por que eu te amo".
"Eu nunca vou amar ninguém"

Eu tinha 16 anos quando ele a deixou esperando, sentada, enquanto fazia sexo com outra garota no banco de uma caminhonete. E tudo o que ela me disse foi "Quando ele quiser ficar comigo, vou estar esperando"
"Eu nunca vou amar ninguém"

Eu tinha 15 anos quando ele justificou a morte dela dizendo "Eu a amava demais"
"Eu nunca vou amar ninguém"

Eu tinha 15 anos quando ele deixou de falar sobre o que sentia, porque o que sentia estava sacrificando outras pessoas.
"Eu nunca vou amar ninguém"

Eu tinha 15 anos quando ela disse que o amava mais do que a si mesma.
"Eu nunca vou amar ninguém"

Eu tinha 10 anos quando ele disse que me amava. Eu tinha 16 anos quando ele disse que ainda me amava.
"Eu nunca vou amar ninguém"

Eu tinha 12 anos e ele disse que me amava. Eu tinha dezesseis e ele disse novamente.
"Eu nunca vou amar ninguém"

Eu tinha 15 anos quando ela descobriu que o amava. Eu tinha dezesseis quando ele ficou com a melhor amiga dela.
"Eu nunca vou amar ninguém"

Eu tinha 0, 7 e 15 quando ela descobriu que os amava. É sempre proibido falar da vez anterior, porque dói em todo mundo.
"Eu nunca vou amar ninguém".


- Você me ama?, ele perguntou.
- Não.
- Ótimo.
E eu saberia que ele era perfeito. O amor exige muito mais do que eu estou disposta a dar, exige muito mais do que eu tenho, porque não fui exposta a amor verdadeiro na minha vida inteira.
Dizem que é como catapora, algo que só acontece uma vez. Contagie-me.

2x16 Valentim com b de vaca


Primeiro: Encontrei muitas fotos maravilhosas que caberiam aqui. Mas nenhuma tão boa quanto essa. No link que segue, vcs vão encontrar imagens muito lindas e que talvez expressem melhor o que vocês sentem, como a do garoto de casaco marrom ou mesmo a primeira foto, incrivelmente simples e perfeita.
Segundo: Não ouçam a mim, não ouçam a ninguém. O amor é subjetivo. E eu entendo tudo errado sempre. Mas isso nem sempre é tão ruim. Ajuda a seguir em frente.:)
Terceiro: A foto lá em cima é de uma garota que se intitula nyah. O flickr dela aqui:
Quarto: Aí vai

Oh Sweet Nuthin - The Velvet Underground
Seminua, tal e qual uma heroína dos quadrinhos, ela aguarda, amordaçada, que ele a execute.
Em seu rosto, uma expressão resignada. Os olhos escuros e infantis acompanham seu captor que parece preparar algo.
"Vai matar-me", pensa ela, apática. Mas não se importa realmente. A dor física é imensa. O fim dela só viria a calhar.
O fim dos calafrios, dos suores noturnos, das tonteiras. Doc alor e do frio, da pressão no peito, do bolo na garganta.
Lágrimas de alívio lhe saem dos olhos. Finalmente está pronta, pq tudo vai acabar.
Mil modos diferentes de terminar lhe passam pela cabeça.
E ele se vira pra ela. Toca seu pescoço lentamente com seus dedos frios e prende uma corrente nele.
- Feliz dia dos namorados, ele sussurra.
Ela tira a mordaça e o encara, a dor física tão forte que ela mal pode respirar.
- Eu te amo.
E lhe entrega sua alma, sem medo algum, sem outro desejo que não a aceitação dele.
Espera, sem respirar, o coração batendo tão forte que parece prestes a explodir.
- Eu te amo.

Medo, inveja e solteirice a parte: Feliz dia dos namorados.

P.S.: Entrega tem a ver com tudo na vida, não apenas com romance, mas é essencial nisso. E eu não sei nada sobre o assunto.
P.S².: Nyah, a garota da foto, escreveu sobre isso e talvez saiba melhor do que eu. Traduzo:
Eu não tenho certeza do porquê de eu ter feito esta foto, eu não gosto do formato de um coração. É perturbadoramente feminino. Talvez eu esteja meio feminina esses dias ou queira das algo mais do que meu rostinho bonito para o flickr.
É mais como a última, eu acho, fazem literalmente décadas desde que eu me senti tão feminina e eu estava apaixonada.Eu amo, eu amo ama, mas há uma grande diferença entre se apaixonar e apenas amar. Eu queria que as pessoas pudessem entender isso.
Seria mais fácil dizer às pessoas que as amamos.
Então, meu coração não vai a lugar nenhum. Aprendi a mantê-lo no seu lugar certo pois as pessoas se assustam você quer dar a elas o seu coração. Algumas vezes é difícil mantê-lo lá mas eu consigo de um jeito ou de outro. Isso deixa as coisas suaves.


Boa noite. E divirtam-se por mim e por todos que não vão.