Imagem: TingTing Huang
This is a story of girl meets boy.
Já li histórias que começavam assim. Como terminaram?
Passava das 7, eu tinha malas pra arrumar, tutorial pra começar, tinha responsabilidades.
Mas eu queria saber, queria ouvir.
Ele me chamou pra sair.
E eu disse não. A pessoa que devo ser, a pessoa que querem que eu seja, disse não.
A garota que vai criar os filhos mimados e passivo-agressivos do cara com quem vai se casar quando ele decidir que é a hora. Ela disse não.
Não só ela. Outras bocas disseram não, o som ecoou pelo meu corpo todo, causando calafrios.
"Ele vai te machucar"
"Você vai machucá-lo"
Foram centenas, milhares de nãos.
E um sim, só um sim.
Fico pensando, quem disse aquele sim? Porque esse sim moveu todo o meu corpo, toda a minha vontade.
Acho que fui eu quem disse. Quem quer que eu seja, onde quer que eu esteja.
Já me disseram muitas vezes quem eu sou. Já me definiram de zilhões de maneiras, já me catalogaram. E eu acreditei.
Nunca cheguei a me conhecer de verdade. Desde cedo, me amordaçaram, me prenderam, me botaram fraca e presa numa jaula no fundo do oceano de mim.
Quando eu fui com ele, quando decidi ir.
Mesmo sabendo tudo o que sei, mesmo contra todas as probabilidades
Eu fui porque quis.
Porque eu quis.
E aí reside toda a diferença do mundo.
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24x01 The 28th
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Imagem: TingTing Huang
- Ele gosta de mim.
- Por que você acha isso?
- Eu não sei. Algo nos olhos dele, uma consoante sussurrada, o tom da voz, algumas coisas que ele diz. Ele gosta de mim, mas não sei como sei disso.
Ela me olhou com pena e eu pensei "está acontecendo de novo".
Não, não, não. Não me deixe acreditar nas coisas que não estão lá, arranque essa certeza de mim. É maio, são os ovócitos, não me deixe errar de novo.
Fecho os olhos e fazemos um ritual antigo em que eu assisto em silêncio aos erros que cometi.
- Arranque fora, L. Eu não quero mais sentir dor, não quero mais sentir isso. Esconda onde eu nunca possa encontrar.
Ela o arrancou fora com as unhas em garra, como já havíamos feito antes. Ele era pequeno, escuro e deformado. Meu. Entreguei-o a ela, sem me arrepender, sem hesitar.
O celular tocou, destruindo o clima solene.
- Vai, pode levar - eu disse.
Ela começou a embrulhá-lo e eu me sentei no chão e liguei o visor do celular, pra checar o que o mundo real exigia de mim naquela hora. Era ele.
"O que foi?"
"...Existem algumas coisas. Mas nada que você queira ouvir ou que eu veja necessidade de dizer".
"Eu quero que você fale"
L. já quase saia quando agarrei suas pernas.
- Não. Espere.
Ela me olhou, indecisa. Eu nem respirei durante aquele segundo. Por favor, por favor - eu pensava.
escrevendo...
21h46 Eu estou gostando de você.
Olhei pra L., olhamos para o embrulho nas mãos dela, que começava a se mover, devagarinho e depois pegava ritmo, se movia rápido, num compasso novo.
Ela sorriu.
Eu sorri, estendi as mãos
- Vou ficar com isso.
Por enquanto.
- Ele gosta de mim.
- Por que você acha isso?
- Eu não sei. Algo nos olhos dele, uma consoante sussurrada, o tom da voz, algumas coisas que ele diz. Ele gosta de mim, mas não sei como sei disso.
Ela me olhou com pena e eu pensei "está acontecendo de novo".
Não, não, não. Não me deixe acreditar nas coisas que não estão lá, arranque essa certeza de mim. É maio, são os ovócitos, não me deixe errar de novo.
Fecho os olhos e fazemos um ritual antigo em que eu assisto em silêncio aos erros que cometi.
- Arranque fora, L. Eu não quero mais sentir dor, não quero mais sentir isso. Esconda onde eu nunca possa encontrar.
Ela o arrancou fora com as unhas em garra, como já havíamos feito antes. Ele era pequeno, escuro e deformado. Meu. Entreguei-o a ela, sem me arrepender, sem hesitar.
O celular tocou, destruindo o clima solene.
- Vai, pode levar - eu disse.
Ela começou a embrulhá-lo e eu me sentei no chão e liguei o visor do celular, pra checar o que o mundo real exigia de mim naquela hora. Era ele.
"O que foi?"
"...Existem algumas coisas. Mas nada que você queira ouvir ou que eu veja necessidade de dizer".
"Eu quero que você fale"
L. já quase saia quando agarrei suas pernas.
- Não. Espere.
Ela me olhou, indecisa. Eu nem respirei durante aquele segundo. Por favor, por favor - eu pensava.
escrevendo...
21h46 Eu estou gostando de você.
Olhei pra L., olhamos para o embrulho nas mãos dela, que começava a se mover, devagarinho e depois pegava ritmo, se movia rápido, num compasso novo.
Ela sorriu.
Eu sorri, estendi as mãos
- Vou ficar com isso.
Por enquanto.
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