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34x19 Não ou sim (Season Finale)

Imagem: TingTing Huang

- Quer namorar?

Assim só, simples, sem grandes ações.
Sem grandes preparações.
"Acho que estou destinada a conseguir pretendentes incapazes de me propor namoro com flores e jantares", pensei. É a maldição daqueles filmes dos anos 90. Tudo bem.

Quero dizer,
não.
Eu quero estar apaixonada, eu quero querer você.

Não.
Eu quero ser livre, eu não quero me comprometer com a felicidade de outro nós.

Não.
Eu gosto de você. Muito. Mas não quero namorar com alguém porque temos interesses similares, porque é fácil, porque minha família acharia ok

Não.
Eu não sei o que quero, ou o que fazer quando souber.

Eu diria sim, eu juro que diria.
Estável, seguro. Você é bom e, nesse exato momento, eu desejo nunca ter te conhecido, nunca ter te feito mal.
Eu diria sim, em outra época, outra vida, outra B.
Mas a pessoa que sou - ou estou tentando ser -, essa não quer nem tentar.

Eu me conheço melhor.
Sei o que não quero.
E não quero nós.
Coloco todo o sentimento, a vontade, a incerteza, a insegurança, saber quem sou, em uma palavra, um som, desvio o olhar, digo alto, da maneira mais segura que consigo dizer:

- Não.

Você vai ficar bem.
E eu também.

34x02 Undateable


Imagem: TingTing Huang

- Eu não posso fazer isso.

Eu não posso.
Porque eu não amo você.
E eu não quero mais não amar alguém.
Eu quero querer você como você me quer.
Mas eu não posso.
Eu posso tentar fingir,
mas meu corpo não consegue mais mentir.
Eu não consigo.

Eu me importo com você, muito muito
o bastante pra não querer fazer isso. Não dessa maneira.
Te observo dormir,
e eu sei que não posso mais fazer isso.

Estou ficando louca.
E eu não quero mais ficar louca.

Eu quero ficar ok.
Eu quero ficar bem.
Eu quero ficar feliz.

E eu tô com medo, um medo estranho, mas com o qual dá pra viver
de que eu só consiga ser feliz assim,
como eu quero ser,
se estiver sozinha.

Como eu sou quando você vai embora,
no silêncio de uma tarde de domingo,
quieta e sã.
Não porque você veio, mas porque você partiu.

Eu sinto muito,
não posso fazer isso.
Nem com você,
nem comigo mesma.

Boa sorte.


32x20 Pieguice

Imagem: TingTing Huang

Preciso de pieguice.
Músicas de amor.
Filmes dos anos 90.

Eu sou pisciana, ora essa.

Mas também não quero que isso me defina.
Esqueço romance, me desapaixono, endureço a casca e trabalho o dia inteiro.
À noite, me exercito, medito.
Quando quero, beijo a boca de quem não amo, de quem não quero amar.
Não leio livros de amor.
Ou leio, e interpreto tudo da forma mais cínica possível.
Enxergo o relacionamento dos outros no maior aumento, com óleo de imersão e percebo que isso não é pra mim.
Eu acordo de manhã, planejo meu dia inteiro, passo a passo.
Chego em casa no fim de um dia cheio de vozes, de palavras difíceis,
olho as mensagens no celular e nenhuma delas me causa arrepios ou frio na barriga.
Eu leio meu livro e as cenas de amor são secas, então eu leio rápido, pra poder fazer outra coisa.
Assisto seriados e nenhum deles me comove.
Lavo meus cabelos, cuido da pele, faço exercícios, estudo, medito e durmo.
Assim, no piloto automático.

Mas existem esses pequenos momentos.
Depois de lavar o cabelo, enquanto passo pela cozinha, eu paro na frente da janela e me pergunto se isso é tudo.
Quando estou em um encontro, enquanto mexo o gelo no meu copo com um canudo, me pergunto se é assim que quero me senti pra sempre.
Pequenos momentos, pensamentos mínimos que espanto com as mãos.

Esse é um desses momentos:

Eu quero pieguice e não acho feio, não acho triste.
Não sou uma dessas garotas assim tão independentes do século XXI.
Quero cenas ao som de Sixpence None The Richter,
dançar com o mocinho no final do filme.
Eu não quero esse seu relacionamento moderno que envolve não nos envolvermos.
E nem quero começar um relacionamento e me apaixonar no decorrer dele.
Não quero ter que me acostumar.
Eu quero luzes e mais luzes de Coppolla, quero não parar de pensar em você, quero desenhar corações em folhas de papel avulsas, quero querer matar aulas pra te ver, quero a irresponsabilidade de se estar apaixonado.
Eu não quero um relacionamento adulto, quero promessas que você não pode cumprir.
Eu quero aquela cena final em que eu largo tudo pra correr atrás de você, quero te escrever poesias e detestar cada momento em que brigamos.
Eu quero olhar as estrelas. Eu quero sentir vontade de olhar as estrelas.
Eu quero uma única declaração de amor que valha por todas.
E rir do seu rosto, lembrar dele antes de dormir.
Quero uma música que seja nossa, uma só, pra guardar no bolso e levar por aí.
Eu não quero que você dê sentido a isso tudo, só quero que você faça parte disso tudo.

Quero Meg Ryan e Tom Hanks,
Ashley Judd e Hugh Jackman,
Molly Ringwald e Andrew McCarthy
Rachael Leigh Cook e Freddie Prinze Jr.
Drew Barrymore e Michael Vartan
Amanda Peterson e Patrick Dempsey
Julia Stiles e Heath Ledger
Julia Roberts e Harrison Ford - todas as vezes!
Meg Ryan e Hugh Jackman
Audrey Hepburn e Rex Harrison
Audrey Hepburn e Humphrey Bogart
Audrey e Fred Astaire
Debra Messing e Dermot Mulroney
Meg Ryan e Tim Robbins
Sandra Bullock e Hugh Grant
Sandra Bullock e Keanu Reeves
Sandra Bullock e Bill Pullman
Sandra Bullock e Aidan Quinn

Eu quero pieguice,
eu quero gostar de alguém que não tenha medo de dizer, de gritar - se preciso for -
porque eu não tenho mais medo de dizer - embora tenha medo de gostar.

Então não,
eu não quero seu relacionamento adulto.
Eu não quero suas migalhas,
eu não quero passar uma tarde legal,
eu não quero colocar relacionamento sério no Facebook
e não preciso de companhia para as sextas à noite,
não gosto tanto assim de dormir junto
e muito menos de acordar junto.
Não quero alguém pra escrever sobre, quero alguém pra não escrever sobre.
Quero sim, loucura, quero um vendaval, um furacão,
que é muito melhor do que essa forma de amor morta que você me oferece do teu lado da mesa.
Que é muito melhor do que aceitar alguém pra não viver mais só.
Eu já vivi sozinha estando junto e, deixa eu te dizer,
não é bom.
Você quer me ouvir falar, contar da vida,
mas eu não quero contar pra você.
E nem você quer saber
das minhas loucuras. Você só quer achar bonita essa excentricidade, e gostar de mim enquanto dá pra gostar de mim.
Mas não é isso o que eu quero.
Eu quero me perder. E me encontrar de novo.

Setembro tá chegando e eu tô com medo de me apaixonar por um idiota qualquer que vai me machucar.
Mas eu prefiro me apaixonar e me machucar
do que aceitar nunca mais sentir isso.
Essa estabilidade me deprime.
Esse romance cheio de etiquetas.
Sem necessidade de declarações, em que a gente sai e eu não me impressiono.
E te esqueço assim que fecho a porta atrás de mim.

Eu vou estudar, e ler, e escrever e planejar meus dias.
E esquecer a importância de toda essa pieguice.
Sair com você mais uma, duas, dez vezes até enjoarmos um do outro.

Mas aí, nesses momentos
vou parar na frente da janela,
olhar as estrelas
e pensar se a gente não merece mais do que isso,
se era mesmo pra ser assim.

Mais dia, menos dia
eu descubro a resposta.

31x08 The leaves of possibilities

Imagem: TingTing Huang

Éramos três em um carro, noite escura, luz artificial piscando na estrada, eu enjoada de suco de uva (de novo), Elspeth e Adam.

Eles me dizem que você superou, seguiu em frente.
E eu não tô surpresa, não tô sem ar.
Eu tô assustada, um pouco incerta.
Eu tô com medo do futuro.
Tô com medo de sentir dor, e espero que ela venha, intensa, rasgando meus braços e arrancando meus cabelos.

Mas bate só aquela saudade, aquela incerteza.
Aquela saudade, aquele ciúme, aqueles pensamentos obsessivos de gente que terminou namoro, nada de anormal. Adquiro essa mania de pegar uma lembrança aleatória e me perguntar se você vai fazer a mesma coisa, de novo e de novo.
E me respondo: Sim e não.
Eu fiz certas coisas, as mesmas. Mas também deixei de fazer coisas, eram nossas. E eu gosto que seja assim. De criar coisas novas, com pessoas novas.

Saio do carro, te encontro na estrada, te deixo pra trás. Aliás, você me deixa. Você vive me deixando pra trás, e isso já nem dói. Ou dói e eu já me habituei.

Sinto saudade de Otto.
Sento no chão, abro meus diários. E eu sei. Fecho os olhos e espero que ele esteja bem. Quentinho, chocolate pra comer, uma garota qualquer pra fazer cafuné.
Amor que eu não consegui dar, que eu não tive coragem pra dar.
Sinto saudade da cor da pele dele, dos dedos,
sentados na escada da festa de alguém, ele de moletom preto, eu de jeans e camisa xadrez, nós dos dedos frios, geladíssimos, e eu quis tanto. E eu o quis tanto.

Prendo os cabelos, saio dirigindo por aí,
e percebo que sempre acaba em Holden.
Tem sempre um empecilho, tem sempre eu, tem sempre a busca incessante de alguém pra gostar, tem sempre um sinal confuso, e a gente sentado, no fim do dia, você tem aquele cheiro de gente e nada, de outro muito.
E eu poderia gostar de você, eu poderia amar você, eu poderia ter devaneios insanos nos quais você simplesmente não consegue mais viver sem mim, e a gente se beija e aí -- e aí nada, porque a história acaba aí, a gente não tem futuro, eu podia sair correndo e bater na sua porta, te roubar um beijo, te deixar confuso, te fazer me empurrar, me rejeitar ou me amar. Mas a gente não tem futuro, a gente nunca teve. Ainda bem, porque eu amo você. E não estragaria isso só pra descobrir se a gente poderia dar certo.

Você me manda mensagem, Dragon Maker, senhor dos dragões, e eu sinto falta da sua pele. E eu me deixaria dormir no seu ombro, eu ficaria até o amanhecer, coisa que eu não faria com mais ninguém, no momento. Gosto do seu cheiro, da sua cor, da sua mão.
Mas eu não gosto de nós dois, eu não gosto desse apego, não gosto da insegurança. Eu não gosto.

Cara novo, manda mensagem, e antes de pensar já digitei minha desculpa da vez.
Eu não quero mais, simples assim.

King. Bom rapaz, beija bem. Dou de ombros. Deixa vir. Se for, então vai ser.

E tem ele. Sem nome, só um cara com quem nunca terei nada, bom de olhar, bom de abraçar, bom de ver abrir aquele sorrisão quando me vê, um desses caras criados pra paixões unilaterais. Bom pra te fazer levantar da cama e pentear o cabelo.

E tem você. Quem quer que você seja, um desses ou alguém completamente diferente, inédito. Sentado em algum bar, bebendo em uma festa, estudando pra alguma prova, enquanto eu te espero, sem te esperar. Tomo decisões, as mais estranhas, e fico me perguntando se são elas que vão me levar até onde você vai estar.

Desço do carro. Olho pra rua, pra lua, o vento frio acariciando o rosto de leve.
Possibilidades.
Tantas, tantas.
E eu escolhi ficar sozinha.
Eu escolhi me conhecer melhor, me entender. É, saber se ainda gosto dele (Aquele-que-não-foi-propriamente-nomeado), saber se gosto desse cara novo que me faz querer usar cremes cheirosos no cabelo pro caso de ele me abraçar (:, se quero sair com o King, dormir com o Dragon Maker, se vou viver de migalhas de Holden. Eu decido.
Eu decido que não preciso de ninguém agora, nesse exato momento.
Que eu gosto, de verdade, desse hiato.
Das surpresas, de quem quer que você seja.

Eu não sei quem você é, ou quando vai chegar.
Mas não se apresse.
Eu quero que você me encontre na minha melhor forma.
Eu quero te amar também.

Olho pro céu lindo da cidade mais linda, e sussurro baixinho, só pros seus ouvidos, onde quer que você esteja, quem quer que você seja
- Boa noite (:
Até logo.

E subo as escadas sem medo,
vai ficar tudo bem.

É só Maio, eu chegarei ilesa ao final -
De novo.

31x04 Future Sounds

Imagem: TingTing Huang

Uma história fictícia que acontece em 2036, mas poderia estar acontecendo agora, e pode ter acontecido semana passada.

Ela arrumou o cabelo no espelho, mais uma vez: não gostou do que viu.
Talvez, isso já fosse um mau sinal.
Vestiu calças, quase que inconscientemente, ao invés dos milhares de shorts que tinha guardados.
E foi.
Encontrou-o na escada, à espera. E quis, de verdade, que desse certo.
Mas era alguma coisa, definitivamente, alguma coisa a empurrava de volta pra casa, pra debaixo das cobertas.
Foram ao cinema, assistir um filme sobre solidão.
Ele tocou sua mão,
ela tocou-o de volta.
E assim, tímidos, começaram.
Depois, ele a beijou, e esqueceram a luz da tela e a história do filme.
E era bom,
mas
Ela não sabia o que era o mas
Só sabia que não queria que aquilo acabasse. Porque não sabia o que aconteceria depois.
Ele colocou a cabeça no ombro dela,
e ela quis que aquele "mas" não existisse.
Quis de novo aquela dor no peito, a sensação de que algo bom ia acontecer.
As luzes se acenderam.
E eles foram comer pizza.
Pizza boa, a melhor de todas, só pizza.
E era bom,
mas
A pizza acabou e eles foram pro carro,
ele pediu que ela ficasse mais,
e ela
ficou.
Noite alta, luz e sombra,
o mundo todo lá fora,
e ela ficou.
E ela deixou.
E era bom,
mas
No meio de todas as coisas, a sombra de uma árvore, o ruídos das ruas, a voz dele no ouvido,
ela percebeu
que nunca seria mais do que aquilo.
Que ela não queria mais do que aquilo.
Olhou nos olhos dele e viu
Como era fútil o seu 'mas'
E como era significativo o seu 'mas'
Por mais que fosse uma pessoa completamente nova e única,
ele parecia a combinação exata entre
a pessoa que ela mais odiou na vida,
e uma das que mais amou.
Atração e repulsa pura em medidas iguais.

Só que, em dias como aquele,
o mas é o que importa.
Gigantesco, sufocante, quase uma terceira pessoa naquele espaço minúsculo.

- Vamos nos ver de novo essa semana? - ele pergunta
- Vou tentar, digo.

Ele sai do carro e o mas fica
Gigantesco
Sufocante

Vou tentar,


Mas.

31x03 The door

Imagem: TingTing Huang

E assim acaba, ao menos pra mim, Abril.

Eu não tô apaixonada.
Não foi empate, e ninguém venceu.
Não teve jogo.

Eu tô pronta? Talvez.
Gosto de pensar que sim.

Que superei de vez, cheguei sã e salva na praia.
E trouxe ele comigo, pra ficar são e salvo, seguir seu caminho, longe do meu.

Mas, ao invés de andar, me bateu uma vontade imensa de sentar olhar o pôr do sol.
Já passei daquela fase, já não quero mais correr com as coisas, quero o que eu quiser, no meu tempo, do melhor jeito possível.

Eu quero conhecer as pessoas sem ter que conhecê-las. Sem usar desculpas, não é que tô de coração partido. É que não quero mesmo acordar com ninguém.
Eu quero esse silêncio, exatamente esse.
Dos dedos correndo pelo teclado, Isbells tocando alto, sem precisar de fones.
O sofá e a possibilidade de ler.

Eu gosto de gente, de beijo, de passar a mão nos cabelos.
Mas gosto mais disso.
E tinha me esquecido como era bom.

Ainda quero aquele namoro de propaganda, a luz do sol batendo e descobrindo a pele, pedaço por pedaço.

Mas não tenho pressa.
Achei que tivesse, o coração pulando pela boca o dia todo.

Mas aí eu te vi. Sentado, olhando o celular, à espera, iluminado pelas luzes lindas, pela lua linda, cheirando a Brasília.

E eu soube, de uma maneira triste e natural,
que eu quero ficar só.

Mas não dei meia volta e fui pra casa. Não faço mais isso.
Segui em frente, toquei seu rosto.
Eu não tenho medo.

O que tiver que ser,
que seja.