Imagem: TingTing Huang
Estive pensando.
Por que a gente se apaixona por quem se apaixona?
Eu não tô falando de MHC, de química, das memórias, das células, dos astros.
Porque isso eu até entendo, entendo de seguir padrões, até acredito em destino.
Mas por que ele?
Por que eu?
Eu entendo a sua solidão, entendo tanta coisa,
mas não entendo essa ideia errada de que eu posso ser mais do que a menina estranha no fundo da sala.
Gosto do meu corpo, do meu cabelo, do meu beijo,
mas pelo amor de Deus,
você já me viu de manhã, em segundas feiras terríveis, muitos bad hair days.
Não sou eu essa sua garota dos sonhos, não tenho o corpo bonito, não sou sexy, não sei conversar.
Eu não sei ser boa.
Eu não sei fazer cafuné.
Olha cá, meu bem,
eu vou ser honesta,
não sei nem gostar.
Não entendo essa sua mania de gostar de mim porque sim.
Por que?
Digo que é vontade de companhia, de atenção, que é tudo o que eu tenho pra oferecer.
Porque é só o que posso dar.
Eu não tenho aquela coisa que as pessoas amam, não tenho aquela coisa incrível que as garotas bonitas e seguras têm.
Só tenho mesmo esse cabelo bagunçado, essas olheiras e minha mania de me vestir como eu quero. E essas unhas do pé pintadas de cor de rosa.
Eu sou cheia de regras, de mistérios
e ninguém sabe nada sobre mim.
Como é que você ousa gostar de mim?
Com todas essas dificuldades, meu quarto bagunçado e minha mania de não enxergar um palmo além do nariz?
Como é que você pode me amar sem me ler nas entrelinhas, sem saber que eu tô explodindo por dentro, incerta,
sem jamais ter ouvido a história de como eu um dia fiquei seminua em público. As histórias haha, porque sou dessas.
Como é que você pode me amar sem nunca ter me visto usando meu vestido azul? Ou sem que eu tenha te olhado do meu jeito estranho, sem que a gente tenha contado um pro outro sobre as coisas estranhas que a vida pode trazer?
Me perdoe, mas não entendo, não aceito.
Não existe gostar de mim porque sim.
Quero motivo, razão, circunstância pra essa insanidade, quero deitar vocês no meu divã e questionar cada pormenor dessa história, quando é que começou?
Eu disse algo que fez com que vocês pensassem que eu era normal, que eu era gostável?
Quero tirar essa ideia da cabeça de vocês, passar remédios pra esquecimento, pra anestesiar a dor que eu possa vir a causar.
Porque eu não consigo gostar de ninguém, eu não consigo nem me imaginar gostando de alguém, tocando alguém.
Eu só consigo me imaginar sozinha, quieta. Distante de tudo, de todos, insensível, civilizada.
E você pode até me perguntar
Por que?
Mas fique sabendo,
a resposta que tenho pra dar só pode ser
"Porque sim".
Porque sim.
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38x09 Porque sim
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Rubel
38x06 Limpeza de outono
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garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Caro David,
eu não sinto dor.
Eu não sinto nada.
Sempre achei que fosse estar satisfeita quando esse momento chegasse, mas não estou, eu nunca estou.
Um homem me disse que o luto tinha acabado.
Me disse pra voltar pra casa, doar as roupas velhas do meu marido morto, pra jogar fora os papéis, sua escova de dentes, parar de dormir com suas camisetas. Pra tirar a aliança.
Ele me disse pra aceitar, e eu percebi que eu não tinha mais que aceitar nada. Tudo já me tinha sido imposto: aprendi pela pedra.
Casca grossa, dura. A vida andou me lixando e me deixou assim, não tenho como chorar, não tenho razão pra ficar ou pra responder a mensagem, eu não quero encontros furtivos, eu não quero migalhas e não quero uma tábua de ouija. Eu não quero não ouvir a verdade, eu não quero não encarar de frente o que eu não queria ver, o que eu não queria saber.
Eu não tenho força de vontade pra fechar a boca, e engulo seco o que suponho ser a exata dose que eu posso aguentar.
Fumo um cigarro, só um. Só um, pros dias ruins de verdade.
Pego um saco de lixo, e vou colocando as coisas dele, uma por uma, uma por uma.
Tá na hora de seguir em frente, de parar de achar que isso é tudo o que eu mereço.
Encho o saco, tô com o saco cheio, tô de saco cheio
e jogo tudo em cima do guarda-roupas, por receio de jogar fora.
Ainda não.
Não é que eu vá me arrepender, só tô dando um passo de cada vez, quero fazer tudo de caso pensado.
O verão tá chegando ao fim, e o luto também.
Mal posso esperar pela chegada do outono.
Entende o que quero dizer?
Com amor,
B.
Caro David,
eu não sinto dor.
Eu não sinto nada.
Sempre achei que fosse estar satisfeita quando esse momento chegasse, mas não estou, eu nunca estou.
Um homem me disse que o luto tinha acabado.
Me disse pra voltar pra casa, doar as roupas velhas do meu marido morto, pra jogar fora os papéis, sua escova de dentes, parar de dormir com suas camisetas. Pra tirar a aliança.
Ele me disse pra aceitar, e eu percebi que eu não tinha mais que aceitar nada. Tudo já me tinha sido imposto: aprendi pela pedra.
Casca grossa, dura. A vida andou me lixando e me deixou assim, não tenho como chorar, não tenho razão pra ficar ou pra responder a mensagem, eu não quero encontros furtivos, eu não quero migalhas e não quero uma tábua de ouija. Eu não quero não ouvir a verdade, eu não quero não encarar de frente o que eu não queria ver, o que eu não queria saber.
Eu não tenho força de vontade pra fechar a boca, e engulo seco o que suponho ser a exata dose que eu posso aguentar.
Fumo um cigarro, só um. Só um, pros dias ruins de verdade.
Pego um saco de lixo, e vou colocando as coisas dele, uma por uma, uma por uma.
Tá na hora de seguir em frente, de parar de achar que isso é tudo o que eu mereço.
Encho o saco, tô com o saco cheio, tô de saco cheio
e jogo tudo em cima do guarda-roupas, por receio de jogar fora.
Ainda não.
Não é que eu vá me arrepender, só tô dando um passo de cada vez, quero fazer tudo de caso pensado.
O verão tá chegando ao fim, e o luto também.
Mal posso esperar pela chegada do outono.
Entende o que quero dizer?
Com amor,
B.
38x05 Nau frágil
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Deito no chão de madeira, fecho os olhos.
O professor me pede pra imaginar coisas, meditar.
Não consigo.
Mente a mil por hora, acelera até a velocidade da luz, eu tô quicando.
Durmo, e isso é um bom sinal.
Ou não?
Não sei, porque durmo 14 horas seguidas, depois acordo e não consigo ficar acordada.
Meu médico dizia que, se eu tô dormindo, então é um bom sinal, nesse contexto.
Mas não sei se é.
Eu tô doente?
Pego o telefone, mas não tenho pra quem ligar.
Tô sentindo
Tô me sentindo fragmentar, como se meus dedos estivessem se separando do meu corpo, como se meu cérebro corresse em direções diferentes, minha boca, meus olhos caem enquanto corro e vou deixando pedaços de mim pelo caminho torto que sigo.
Eu sento.
Respiro fundo, 1,2,1,2,1,2
Mas não adianta, adianta?
Eu sinto isso vindo na minha direção, como se eu pudesse prever uma batida de carro fatal, eu a vejo vindo e isso me deixa agoniada.
Durmo.
Durmo, durmo, durmo, durmo, durmo, durmo, durmo
Faço listas.
Faço listas o tempo todo, começo a criar regras novas, regras pras coisas, pras pessoas, eu preciso de regras, eu preciso ficar aqui nesse quadradinho, estável, completamente estável, segura e sã. Não posso sair, não posso sair.
Durmo.
Tenho que estudar, mas não estudo.
Eu não quero estudar.
E isso me deixa agoniada, porque eu não quero.
Porque tocar nos livros me dá engulhos, eu não quero.
Minhas unhas caem, meu nariz ferido solta casquinhas e eu começo a fazer listas
Faço listas
e mais listas
Febril, no meio da madrugada, eu respondo à perguntas que ninguém me fez, eu encontro padrões.
Depois durmo e falto às aulas e volto, dou risada
Depois tô de mau humor, não quero que me toquem, não quero que me toquem, não quero que
Ligo pra L., em desespero, números desenhados na pele do corpo inteiro, em todas as partes que consegui alcançar e como vai doer pra tirar tudo até amanhã de manhã
Ela me diz, como sempre, "por que você não se corta, como uma pessoa normal?", daí a gente ri, porque essa piada nunca fica velha.
Mas eu digo a ela, eu digo a ela que eu tô me fragmentando, explico que, debaixo da minha pele tem alguma coisa estranha acontecendo, que o gosto na minha boca não é de algo que eu comi, que--
E ela reconhece o padrão. Respira fundo e me diz, daquele jeito dela, pra não sair de casa, que ela tá vindo.
Mas eu não tô em casa, L.
Tô no meio da rua, tentando pegar meu braço esquerdo do chão.
Tiro uma nota ruim, tenho um dia ruim, uma mulher grita comigo.
Tantas regras, tantas listas
E eu não consigo ficar aqui, estável.
Eu não consigo fechar os olhos.
Holden me manda mensagem e ele sabe.
Eu não sei como ele sabe, eu nem sei se eu sabia até agora.
Mas ele sabe,
ele sabe mesmo sem ter me visto assim, sem dedos, sem braço, completamente desconectada.
Eu tento dizer que tudo bem, meu bem,
isso já aconteceu antes. Muitas vezes, incontáveis.
E eu tô aqui. Eu tô bem. Eu vou ficar bem.
Mas ele sabe.
Sabe, eu estou fazendo algo errado.
E eu não sei o que é.
Eu não consigo ver onde é que eu tô errando.
Porque eu erro quando acordo de manhã, e quando durmo demais.
Quando vou a todas as aulas e estudo e me aplico, eu erro quando mato aulas pra descansar, eu erro quando fico, quando vou pra casa, quando tô junto, quando tô sozinha, eu estou fazendo algo muito errado
Eu tô tentando ficar aqui, nesse quadrado estável, seguro. Eu só tô tentando fazer isso, não experimento coisas novas, eu repito as receitas, as fórmulas de ficar bem, mas elas não querem funcionar.
Nada nunca funciona.
Porque parece que tá tudo bem,
aí eu durmo
aí eu não durmo
faço listas
escrevo números
e, mesmo assim,
meu corpo se parte em pedaços
mas eu continuo correndo
sempre correndo
No final, sempre fica tudo bem.
Ou não.
Deito no chão de madeira, fecho os olhos.
O professor me pede pra imaginar coisas, meditar.
Não consigo.
Mente a mil por hora, acelera até a velocidade da luz, eu tô quicando.
Durmo, e isso é um bom sinal.
Ou não?
Não sei, porque durmo 14 horas seguidas, depois acordo e não consigo ficar acordada.
Meu médico dizia que, se eu tô dormindo, então é um bom sinal, nesse contexto.
Mas não sei se é.
Eu tô doente?
Pego o telefone, mas não tenho pra quem ligar.
Tô sentindo
Tô me sentindo fragmentar, como se meus dedos estivessem se separando do meu corpo, como se meu cérebro corresse em direções diferentes, minha boca, meus olhos caem enquanto corro e vou deixando pedaços de mim pelo caminho torto que sigo.
Eu sento.
Respiro fundo, 1,2,1,2,1,2
Mas não adianta, adianta?
Eu sinto isso vindo na minha direção, como se eu pudesse prever uma batida de carro fatal, eu a vejo vindo e isso me deixa agoniada.
Durmo.
Durmo, durmo, durmo, durmo, durmo, durmo, durmo
Faço listas.
Faço listas o tempo todo, começo a criar regras novas, regras pras coisas, pras pessoas, eu preciso de regras, eu preciso ficar aqui nesse quadradinho, estável, completamente estável, segura e sã. Não posso sair, não posso sair.
Durmo.
Tenho que estudar, mas não estudo.
Eu não quero estudar.
E isso me deixa agoniada, porque eu não quero.
Porque tocar nos livros me dá engulhos, eu não quero.
Minhas unhas caem, meu nariz ferido solta casquinhas e eu começo a fazer listas
Faço listas
e mais listas
Febril, no meio da madrugada, eu respondo à perguntas que ninguém me fez, eu encontro padrões.
Depois durmo e falto às aulas e volto, dou risada
Depois tô de mau humor, não quero que me toquem, não quero que me toquem, não quero que
Ligo pra L., em desespero, números desenhados na pele do corpo inteiro, em todas as partes que consegui alcançar e como vai doer pra tirar tudo até amanhã de manhã
Ela me diz, como sempre, "por que você não se corta, como uma pessoa normal?", daí a gente ri, porque essa piada nunca fica velha.
Mas eu digo a ela, eu digo a ela que eu tô me fragmentando, explico que, debaixo da minha pele tem alguma coisa estranha acontecendo, que o gosto na minha boca não é de algo que eu comi, que--
E ela reconhece o padrão. Respira fundo e me diz, daquele jeito dela, pra não sair de casa, que ela tá vindo.
Mas eu não tô em casa, L.
Tô no meio da rua, tentando pegar meu braço esquerdo do chão.
Tiro uma nota ruim, tenho um dia ruim, uma mulher grita comigo.
Tantas regras, tantas listas
E eu não consigo ficar aqui, estável.
Eu não consigo fechar os olhos.
Holden me manda mensagem e ele sabe.
Eu não sei como ele sabe, eu nem sei se eu sabia até agora.
Mas ele sabe,
ele sabe mesmo sem ter me visto assim, sem dedos, sem braço, completamente desconectada.
Eu tento dizer que tudo bem, meu bem,
isso já aconteceu antes. Muitas vezes, incontáveis.
E eu tô aqui. Eu tô bem. Eu vou ficar bem.
Mas ele sabe.
Sabe, eu estou fazendo algo errado.
E eu não sei o que é.
Eu não consigo ver onde é que eu tô errando.
Porque eu erro quando acordo de manhã, e quando durmo demais.
Quando vou a todas as aulas e estudo e me aplico, eu erro quando mato aulas pra descansar, eu erro quando fico, quando vou pra casa, quando tô junto, quando tô sozinha, eu estou fazendo algo muito errado
Eu tô tentando ficar aqui, nesse quadrado estável, seguro. Eu só tô tentando fazer isso, não experimento coisas novas, eu repito as receitas, as fórmulas de ficar bem, mas elas não querem funcionar.
Nada nunca funciona.
Porque parece que tá tudo bem,
aí eu durmo
aí eu não durmo
faço listas
escrevo números
e, mesmo assim,
meu corpo se parte em pedaços
mas eu continuo correndo
sempre correndo
No final, sempre fica tudo bem.
Ou não.
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still,
them again
38x04 Sucedâneo de Paixão Violenta
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
(Peço desculpas por qualquer perturbação que possa causar, querido leitor. Mas não meço palavras. Hoje não. Eu sofro, e não vou sentir muito, por sentir tanto)
Sonho com baratas.
Você me sufoca, durante um sonho.
Eu, Selvagem,
estive tentando te dar amor
mas você não foi feito pra ser amado, foi?
Ah, não, você não foi feito pra isso, sentimentos desse tipo, pra pessoas desse tipo. Você quer limpeza, quer fordeza, quer gramas de soma e Golfe-Obstáculo, sentir beijos que não lhe foram dados, você quer essa sensação passageira, esse interesse breve, seu amor possui interruptor.
Desembaraço meus cabelos com força,
mas sem me machucar
e percebo que te odeio, que todas as gramas de Soma não são suficientes pra me fazer esquecer disso.
Oh, meu Ford,
eu te odeio e não se deve odiar ninguém.
É proibido, não é?
Enfio as unhas nas palmas das mãos
e eu te odeio, eu me deixo te odiar.
Um rapaz me pergunta, educadamente, se amo alguém, baixinho, como se fosse um pecado
e eu digo
não.
Mas eu odeio, e ódio e amor são a mesma coisa, em dias como esses.
Eu odeio você,
e tenho ignorado isso por tempo demais,
por medo das consequências que odiar alguém podem trazer.
Mas
será que podem ser diferentes disso?
Te odiar vai me partir em mais pedaços?
4 comprimidos de meia grama pra mim,
4 para Henry,
e derretemos no chão de madeira,
acalentados pela voz de vestido fúcsia, eu tô tão cansada,
eu tô tão cansada
que confundo tudo, mas não quero mais confundir,
estendo meus dedos na direção dele,
mas ele também sente dor, e não pode me ajudar.
Então, eu me levanto e dirijo pra casa,
ébria,
falsamente feliz,
a cabeça trabalhando numa fórmula pra te apagar do universo.
Cheguei em casa e ela me disse,
essa mulher minúscula, mínima
que eu tô aqui porque eu sou forte,
ela me disse coisas,
ela encheu meus bolsos de soma
e me sussurrou no ouvido
pra não tomá-lo,
ela me disse pra ficar sóbria
pra esperar,
pra entender
e eu esperei,
esperei até o efeito passar pra poder perceber o que tô percebendo aqui, agora, na frente do espelho
eu te odeio
Eu quero fazer coisas horríveis com você,
estamos ligados por esse sentimento horrível e escuro que tô carregando
essa coisa que me torna amaldiçoada e incapaz de me sentir plena, feliz, satisfeita
essa nuvem negra em cima da minha cabeça.
Alguém me oferece mais uma grama, outra grama, outra
e eu tô tomando
até a euforia bater, a vontade de acordar do lado,
de ouvir músicas bonitas à tarde toda,
eu tô tomando,
eu tô tomando, uma grama, outra grama, outra
e fingindo que tá tudo bem
Porque, quando eu parar de tomar,
quando eu parar de fingir
vou acabar com você,
vou arrancar cada grama de soma do teu corpo
e te ver sentir dor e adoecer,
como você fez comigo.
Eu vou despejar o ácido das minhas feridas na tua goela
e te ver queimar por dentro,
vou ter a coragem que você não tem e nunca vai ter,
eu vou te fazer sangrar no mesmo chão em que você me deixou pra morrer,
vou arrancar a sua língua pra que você nunca mais possa me machucar,
vou arrancar seus olhos,
furar seus ouvidos,
eu vou arrancar tua pele toda e queimar,
vou urinar no seu rosto, e vou sentir o prazer físico de me aliviar,
eu vou arrancar o seu coração e não, eu não vou comer,
eu não quero pegar essa sua doença.
Eu vou pisar nele.
Eu vou pisar nele.
Tantas vezes, tantas vezes, que me dá água na boca imaginar a carne se desfazendo sob os meus pés, se transformando em uma massa de sangue e carne, disforme.
Eu preciso te machucar, entende?
Porque você me machucou.
Porque não tem outra cura, porque eu finalmente te odeio, como você queria que fosse,
como deveria ter sido desde o começo.
2 gramas no total, eu tomo e me deito na cama
fecho meus olhos
e espero que passe
mas não quero que passe,
não mais.
(Peço desculpas por qualquer perturbação que possa causar, querido leitor. Mas não meço palavras. Hoje não. Eu sofro, e não vou sentir muito, por sentir tanto)
Sonho com baratas.
Você me sufoca, durante um sonho.
Eu, Selvagem,
estive tentando te dar amor
mas você não foi feito pra ser amado, foi?
Ah, não, você não foi feito pra isso, sentimentos desse tipo, pra pessoas desse tipo. Você quer limpeza, quer fordeza, quer gramas de soma e Golfe-Obstáculo, sentir beijos que não lhe foram dados, você quer essa sensação passageira, esse interesse breve, seu amor possui interruptor.
Desembaraço meus cabelos com força,
mas sem me machucar
e percebo que te odeio, que todas as gramas de Soma não são suficientes pra me fazer esquecer disso.
Oh, meu Ford,
eu te odeio e não se deve odiar ninguém.
É proibido, não é?
Enfio as unhas nas palmas das mãos
e eu te odeio, eu me deixo te odiar.
Um rapaz me pergunta, educadamente, se amo alguém, baixinho, como se fosse um pecado
e eu digo
não.
Mas eu odeio, e ódio e amor são a mesma coisa, em dias como esses.
Eu odeio você,
e tenho ignorado isso por tempo demais,
por medo das consequências que odiar alguém podem trazer.
Mas
será que podem ser diferentes disso?
Te odiar vai me partir em mais pedaços?
4 comprimidos de meia grama pra mim,
4 para Henry,
e derretemos no chão de madeira,
acalentados pela voz de vestido fúcsia, eu tô tão cansada,
eu tô tão cansada
que confundo tudo, mas não quero mais confundir,
estendo meus dedos na direção dele,
mas ele também sente dor, e não pode me ajudar.
Então, eu me levanto e dirijo pra casa,
ébria,
falsamente feliz,
a cabeça trabalhando numa fórmula pra te apagar do universo.
Cheguei em casa e ela me disse,
essa mulher minúscula, mínima
que eu tô aqui porque eu sou forte,
ela me disse coisas,
ela encheu meus bolsos de soma
e me sussurrou no ouvido
pra não tomá-lo,
ela me disse pra ficar sóbria
pra esperar,
pra entender
e eu esperei,
esperei até o efeito passar pra poder perceber o que tô percebendo aqui, agora, na frente do espelho
eu te odeio
Eu quero fazer coisas horríveis com você,
estamos ligados por esse sentimento horrível e escuro que tô carregando
essa coisa que me torna amaldiçoada e incapaz de me sentir plena, feliz, satisfeita
essa nuvem negra em cima da minha cabeça.
Alguém me oferece mais uma grama, outra grama, outra
e eu tô tomando
até a euforia bater, a vontade de acordar do lado,
de ouvir músicas bonitas à tarde toda,
eu tô tomando,
eu tô tomando, uma grama, outra grama, outra
e fingindo que tá tudo bem
Porque, quando eu parar de tomar,
quando eu parar de fingir
vou acabar com você,
vou arrancar cada grama de soma do teu corpo
e te ver sentir dor e adoecer,
como você fez comigo.
Eu vou despejar o ácido das minhas feridas na tua goela
e te ver queimar por dentro,
vou ter a coragem que você não tem e nunca vai ter,
eu vou te fazer sangrar no mesmo chão em que você me deixou pra morrer,
vou arrancar a sua língua pra que você nunca mais possa me machucar,
vou arrancar seus olhos,
furar seus ouvidos,
eu vou arrancar tua pele toda e queimar,
vou urinar no seu rosto, e vou sentir o prazer físico de me aliviar,
eu vou arrancar o seu coração e não, eu não vou comer,
eu não quero pegar essa sua doença.
Eu vou pisar nele.
Eu vou pisar nele.
Tantas vezes, tantas vezes, que me dá água na boca imaginar a carne se desfazendo sob os meus pés, se transformando em uma massa de sangue e carne, disforme.
Eu preciso te machucar, entende?
Porque você me machucou.
Porque não tem outra cura, porque eu finalmente te odeio, como você queria que fosse,
como deveria ter sido desde o começo.
2 gramas no total, eu tomo e me deito na cama
fecho meus olhos
e espero que passe
mas não quero que passe,
não mais.
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