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13x17 I do believe

Imagem: Pulpolux !!!
  
Disse que era normal. "Como pode ser?", pensei, "isso não tem nada de normal".
- É da adolescência. - mas eu já tinha 18.
- Passa com o tempo - "Não passa". 7, 18, 92, não passa.
- É humano - Não, é doença. Me dá umas pílulas cor de laranja.

Dois pontos na cabeça, meus amigos perguntam "como?". Digo que caí, conto a queda - onde, quando, por que, "foit tão bobo".
"Como?", pergunto pro reflexo no espelho.

- Você caiu, eu caí, caímos, ora.
Não caímos não, mas eu me lembro de ter caído.
(Era uma pedra rombuda, dessas avermelhadas. Ficou preta de sangue e minha orelha, úmida, os sons abafados. "Porra, Ulrika, corre" e minhas pernas cortando o ar, meus olhos cegos com o movimento)
"- Caiu como?
- Assim, caindo. Escorreguei na cozinha e bati a cabeça na quina da mesa, acredita?"


Eu acredito. Você não?

3x11 Fake Plastic Feelings


Big.
Big.
Big.
Big.

Meu cérebro repetiu isso várias vezes hoje. Big. Olhos claros, cabelo militar/hitler, porte de príncipe encantado. Big.

Eu tenho chamado por McCandless o dia inteiro. Onde esteve? Cada vez que eu me concentro no rosto dele, nos trejeitos que ele deveria ter, Big aparece, invadindo um pensamento ao qual não deveria pertencer.

E eu me pergunto: "Dor nas costelas? Onde está? Basta um dia pra que eu esqueça alguém que amei tanto? O QUE É ESSE MALDITO AMOR QUE ACABA COMO SE NUNCA TIVESSE EXISTIDO?"

Eu quis isso. Pedi por isso quando as circunstâncias eram outras. Mas isso me pertence! As mãos, os dentes, cada pequeno osso, cada falange disso é minha e eu tentei o dia inteiro trazer de volta, sozinha. Mas eu não consigo. Vai ver meu corpo está cansado de fingir que somos Ned e Chuck, que existe algo concreto a nos impedir.

- Ei, não vá embora! - grita meu coração, batendo forte por pouca coisa.
Mas, epa, lá vai ele, e eu espero outro, vindo tomar o seu lugar, como se fosse a primeira vez.




(Não. Não. Não dessa vez. É ele quem eu quero. McCandless. E eu faria qualquer coisa.
Minha mente sussurra "Big.... Big...". Não! Sinto como se estivessem tirando cada uma das minhas lembranças, colocando-as a força em uma das caixas no meu quarto da memória.
Isso exige atitudes loucas e desesperadas. Me tranco no banheiro e abro o chuveiro. Calor. "Big..."
Não. Mudo o mostrador e a água fria cai. Fecho os olhos e entro debaixo do chuveiro. Eu não consigo respirar. O frio me deixa sem ar desde que me lembro. "Shhh... McCandless...", mas é meu coração quem diz e minha mente é quem manda. O ar me falta de vez, encosto a cabeça na parede e olho minhas roupas molhadas. Finalmente, eu diria. Finalmente me afoguei em meus próprios sentimentos.)