Imagem: TingTing Huang
- B.? Você ouviu o que eu disse?
Eu não ouvi.
Ando distraída, comunicativa, me sentindo horrível, insuficiente, incompetente.
Eu estava pensando sobre essa fotografia.
Eu não me lembro sobre o que estava pensando.
Tenho que estudar, tenho que agir, mas tô parada olhando pro nada há uma hora.
Eu não estou mais aqui.
E, mesmo que não consiga me lembrar de onde estive nos últimos minutos, nas últimas horas, eu sei.
Meu corpo está se lembrando.
Como um efeito tardio,
sinto me tocarem quando não tem ninguém por perto,
acordo e respondo algo que ninguém me perguntou,
sinto essa vontade de fazer algo que não sei bem o que é, de dizer algo.
Você vê,
penso em você.
Quando danço
quando como
quando dirijo
e quando calço meus sapatos.
Quando danço.
E eu estou cansada, tão cansada
de me sentir assim.
Eu estava amarrando meus cadarços, no outro dia
e amei você, toda a sua existência e cada átomo que faz parte do seu corpo.
Mas eu não quero mais.
Você me dá colo e diz que vai ficar tudo bem,
mas não vai.
Nunca mais vai.
Não importa o que você diga,
não importa o que elas digam.
Nunca mais vai.
Então eu marco meu corpo, apago as chamas nas minhas veias
e espero que o sol se ponha pra fazer um pedido
pra pedir
esquecimento.
As luzes se apagam e alguém me sussurra todas as minhas falhas
e eu quero te pedir desculpas
mas isso é só o fogo nas minhas veias querendo o seu retorno
e eu sou forte o bastante pra não dizer nada, pra ficar no silêncio que existe entre nós dois.
E eu peço
Ou penso que peço
Sem pedir nunca porque, no dia seguinte,
quando eu amarro os cadarços
quando eu visto minhas calças
ou encosto a caneta no papel
quando eu danço
meu corpo inteiro acende
queima
como uma chama presa dentro de uma redoma
até se extinguir, sem ar
e me tornar cinza
E eu volto pra casa,
cuido das minhas feridas
E peço
Ou penso que peço
Uma hora dessas,
talvez eu peça.
E aí
quando amarrar os cadarços,
vestir minhas calças
quando eu dançar
bom, você já sabe.
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16x09 C & A
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
"Você tá bichada", diz Ariel, me ajudando a limpar o sangue do meu nariz.
"Eu quero ir pra casa", digo.
As luzes me incomodam, estou cansada e suja de sangue, toda borrada.
"Ah, Calibã. Calibã, Calibã, Calibã...", ela suspira, enquanto limpa o sangue do meu queixo."Até quando, Calibã? Até quando vai se esconder? Eu já não te disse que, no escuro, somos todos bonitos?"
"Mas eu não me sinto nada bonita, Ariel. Eu sei que não sou bonita."
"Então finja, Calibã. As pessoas acreditam em tudo."
"Você tá bichada", diz Ariel, me ajudando a limpar o sangue do meu nariz.
"Eu quero ir pra casa", digo.
As luzes me incomodam, estou cansada e suja de sangue, toda borrada.
"Ah, Calibã. Calibã, Calibã, Calibã...", ela suspira, enquanto limpa o sangue do meu queixo."Até quando, Calibã? Até quando vai se esconder? Eu já não te disse que, no escuro, somos todos bonitos?"
"Mas eu não me sinto nada bonita, Ariel. Eu sei que não sou bonita."
"Então finja, Calibã. As pessoas acreditam em tudo."
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13x11 She & Him
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: JamesCalder
Preparava-me para o banho.
Cobri os cabelos com uma touca e cobri a touca com minha camiseta, me olhando no espelho enquanto o fazia.
Eu B. me olhava, mas um menino é que me olhava de volta. Isso mesmo, um menino de olhos grandes, bochechudo: eu.
"Cadê meus olhos, cadê minha boca de menina?", pensei. Depois de tampado o cabelo, eu tinha perdido a minha identidade feminina.
Apertei os seios com força, como se fossem fugir, mas eles não tinham significado.
Quem me conhece melhor do que o espelho? Se ele diz que sou um menino, um homem, então eu sou.
Com um arrepio, soltei meu cabelo - ensebado pela quantidade indecente de creme - e fiquei sorrindo, buscando a feminilidade nos olhos, na boca.
Me reconheci e respirei aliviada. Depois senti o coração murchar ao pensar que Alex deve ter sentido o mesmo quando lhe roubei os cabelos.
Tomei sua identidade.
Preparava-me para o banho.
Cobri os cabelos com uma touca e cobri a touca com minha camiseta, me olhando no espelho enquanto o fazia.
Eu B. me olhava, mas um menino é que me olhava de volta. Isso mesmo, um menino de olhos grandes, bochechudo: eu.
"Cadê meus olhos, cadê minha boca de menina?", pensei. Depois de tampado o cabelo, eu tinha perdido a minha identidade feminina.
Apertei os seios com força, como se fossem fugir, mas eles não tinham significado.
Quem me conhece melhor do que o espelho? Se ele diz que sou um menino, um homem, então eu sou.
Com um arrepio, soltei meu cabelo - ensebado pela quantidade indecente de creme - e fiquei sorrindo, buscando a feminilidade nos olhos, na boca.
Me reconheci e respirei aliviada. Depois senti o coração murchar ao pensar que Alex deve ter sentido o mesmo quando lhe roubei os cabelos.
Tomei sua identidade.
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