Imagem: TingTing Huang
Dor de barriga, ando sozinha pelo piso frio desse lugar incrível, em busca de banheiros.
Subo escadas, desço escadas, e o único som de passos além dos meus é o som dos passos de um eventual transeunte.
Um homem me olha e eu digo boa noite. Estamos sozinhos num longo corredor e, subitamente, me lembro de que estou no cenário de vários filmes de horror.
Essas paredes me sussurram pedidos de socorro, me tocam os cabelos. Fico arrepiada ao ouvir o som dos encanamentos antigos e me tranco no banheiro, olho por debaixo da porta, torcendo pra não ver sapatos.
O silêncio nos corredores quase machuca meus ouvidos, antes que os sussurros recomecem, vozes de homens e mulheres contando histórias, justificando atos, gritando em meus ouvidos, me tocando e puxando, fantasmas e vultos escondidos entre os livros, nos banheiros, debaixo das escadas, me mordendo, rasgando minhas roupas, jogando meus livros no chão.
Começo a correr, e alguém me empurra, me chuta, soca meu rosto, enquanto eu imploro que pare, que parem, parem, parem, parem, acabem logo com isso, todos os pesadelos juntos, o medo, a raiva e a dor me consumindo e machucando, sem direção, sem sentido, até que ouço passos vindo na minha direção.
Levanto-me do chão, me recomponho e continuo a andar, deixando pra trás todos aqueles sussurros que nunca serão escutados por ninguém.
"Mas você ouviu", sussurra uma voz feminina, que eu reconheço de um pesadelo recorrente.
É, eu ouvi.
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32x17 Monica
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Sonhei com você. Sonho lúcido, incomum.
Você me abriu a porta, e deu sorriso.
Cozinhou e comemos juntos, como se tudo tivesse voltado ao normal.
Conversamos, também, sem brigar.
O tempo todo, eu sabia, não era real. Eu precisava te dizer que não era real, que a verdade é
Você me abriu a porta, e deu sorriso.
Cozinhou e comemos juntos, como se tudo tivesse voltado ao normal.
Conversamos, também, sem brigar.
O tempo todo, eu sabia, não era real. Eu precisava te dizer que não era real, que a verdade é
Você não se sente assim.
Eu não finjo saber como você se sente, mas não é assim.
Você me olhou, do outro lado do quarto, daquele jeito que só você consegue olhar,
como se tivéssemos esse segredo
capaz de mudar tudo
Eu não finjo saber como você se sente, mas não é assim.
Você me olhou, do outro lado do quarto, daquele jeito que só você consegue olhar,
como se tivéssemos esse segredo
capaz de mudar tudo
E eu soube que não ia estragar aquilo.
Que eu ia aproveitar cada segundo.
Que eu ia aproveitar cada segundo.
E eu fiz isso. Abracei você como se nunca mais fosse fazer
isso, e provavelmente não vou, nunca mais. E conversamos.
Eu não me lembro de nenhum assunto, de nenhuma palavra dita.
Mas foi tão bom.
Você não faz ideia.
Nos deitamos e você me disse algo, mas as palavras se perderam, derreteram
e se misturaram com os ruídos de mais uma tarde insossa e comum,
eu segurei sua mão
e enfiei a cabeça debaixo das cobertas
e pedi
Deus, Morfeu, Sonho, Mr. Sandman
por favor, não me deixe acordar
por favor, não deixe que eu acorde agora
por favor
por favor
por favor
Mas aí eu já sentia a textura das cobertas,
ouvia o barulho da rua,
cheiro de bolo no forno,
e você se tornava cinza sob a luz de uma tarde como qualquer outra.
Sua mão se desfez, seu rosto, seu sorriso
seu corpo inteiro
em pequenas partículas de pó
Mas foi tão bom.
Você não faz ideia.
Nos deitamos e você me disse algo, mas as palavras se perderam, derreteram
e se misturaram com os ruídos de mais uma tarde insossa e comum,
eu segurei sua mão
e enfiei a cabeça debaixo das cobertas
e pedi
Deus, Morfeu, Sonho, Mr. Sandman
por favor, não me deixe acordar
por favor, não deixe que eu acorde agora
por favor
por favor
por favor
Mas aí eu já sentia a textura das cobertas,
ouvia o barulho da rua,
cheiro de bolo no forno,
e você se tornava cinza sob a luz de uma tarde como qualquer outra.
Sua mão se desfez, seu rosto, seu sorriso
seu corpo inteiro
em pequenas partículas de pó
Abri os olhos
uma tarde
só mais uma tarde
E eu poderia derreter
me fazer em cinza, me quebrar em pedaços
uma tarde
só mais uma tarde
E eu poderia derreter
me fazer em cinza, me quebrar em pedaços
Ao invés disso,
me enrolei feito uma bola
sólida
viva
fechei os olhos
e voltei a dormir.
me enrolei feito uma bola
sólida
viva
fechei os olhos
e voltei a dormir.
(A diferença nesses dias
é que, dessa vez, eu sei:
se o sonho durasse mais um pouco,
acabaria por virar um pesadelo)
é que, dessa vez, eu sei:
se o sonho durasse mais um pouco,
acabaria por virar um pesadelo)
32x05 Cusack-Beckinsale
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Bebi, mas o álcool não fazia efeito.
Tentei fingir, mas não era a mesma coisa.
Dancei.
E fingi que estava tudo bem.
Que meu coração não estava em casa, chateado,
amuado,
esperando ela acordar sem ressaca.
Que meu coração não estava no celular, na nossa última conversa, que eu não queria sair dali e inventar um assunto pra falar com você.
Que eu não preferia estar em casa.
Que eu não preferia estar com você, na sua casa.
Ouvi cada música de nós dois,
o DJ me dedicou "Babel", sem saber que aquela música já tinha, em algum momento, partido meu coração.
Cantei.
Alto, claro, gritei as palavras e mandei tudo embora, pra sua casa, pra minha casa, pra sua cama, pra onde quer que essas lembranças fiquem.
E bebi.
Mas o álcool não fazia efeito.
Fiquei entediada.
E fui me sentar no escuro, ao lado desse cara aleatório, num lugar aleatório.
Ele falou comigo e eu olhei pra ele
"é, é, eu fico com você, eu só preciso de qualquer coisa que me distraia".
Conversa amena, tímida,
meio boba.
E eu me dei conta de que não queria que ele fosse embora.
Carência, talvez.
Lua em Virgem,
músicas da Florence,
mas eu só queria saber um pouquinho mais sobre esse cara aleatório fazendo piadas sobre assentos de ônibus.
Passenger's seat.
Uma menina foi falar comigo, me disse que o James estava passando mal
"e o dever chama", eu expliquei a ele.
E ele simplesmente
foi junto.
James, meio morto, meio vivo.
Eu olho pra ele,
olho de volta pra esse cara, um Pedro, de mil Pedros que eu já conheci,
só mais um Pedro,
talvez O Pedro,
tantas possibilidades,
ou não.
- Você precisa de ajuda?
E eu sei que vou me arrepender, já tô me arrependendo quando digo
- Não, obrigada. Eu vou levá-lo pra casa.
Apertamos as mãos,
tu Pedro,
eu B.
E isso é tudo, absolutamente tudo o que eu sei sobre você.
A gente podia ter se beijado,
eu podia ter gostado,
você podia ter gostado,
números de telefone,
conversas antes de dormir,
a gente sairia
e daria uns amassos,
só pra eu perceber que ainda não tô pronta pra seguir em frente.
Um pedro,
talvez O pedro.
Aperto tua mão sabendo que,
Brasília é um ovo.
Se for pra ser você, quem quer que você seja,
a gente vai se ver de novo.
Até logo,
ou até nunca mais.
Bebi, mas o álcool não fazia efeito.
Tentei fingir, mas não era a mesma coisa.
Dancei.
E fingi que estava tudo bem.
Que meu coração não estava em casa, chateado,
amuado,
esperando ela acordar sem ressaca.
Que meu coração não estava no celular, na nossa última conversa, que eu não queria sair dali e inventar um assunto pra falar com você.
Que eu não preferia estar em casa.
Que eu não preferia estar com você, na sua casa.
Ouvi cada música de nós dois,
o DJ me dedicou "Babel", sem saber que aquela música já tinha, em algum momento, partido meu coração.
Cantei.
Alto, claro, gritei as palavras e mandei tudo embora, pra sua casa, pra minha casa, pra sua cama, pra onde quer que essas lembranças fiquem.
E bebi.
Mas o álcool não fazia efeito.
Fiquei entediada.
E fui me sentar no escuro, ao lado desse cara aleatório, num lugar aleatório.
Ele falou comigo e eu olhei pra ele
"é, é, eu fico com você, eu só preciso de qualquer coisa que me distraia".
Conversa amena, tímida,
meio boba.
E eu me dei conta de que não queria que ele fosse embora.
Carência, talvez.
Lua em Virgem,
músicas da Florence,
mas eu só queria saber um pouquinho mais sobre esse cara aleatório fazendo piadas sobre assentos de ônibus.
Passenger's seat.
Uma menina foi falar comigo, me disse que o James estava passando mal
"e o dever chama", eu expliquei a ele.
E ele simplesmente
foi junto.
James, meio morto, meio vivo.
Eu olho pra ele,
olho de volta pra esse cara, um Pedro, de mil Pedros que eu já conheci,
só mais um Pedro,
talvez O Pedro,
tantas possibilidades,
ou não.
- Você precisa de ajuda?
E eu sei que vou me arrepender, já tô me arrependendo quando digo
- Não, obrigada. Eu vou levá-lo pra casa.
Apertamos as mãos,
tu Pedro,
eu B.
E isso é tudo, absolutamente tudo o que eu sei sobre você.
A gente podia ter se beijado,
eu podia ter gostado,
você podia ter gostado,
números de telefone,
conversas antes de dormir,
a gente sairia
e daria uns amassos,
só pra eu perceber que ainda não tô pronta pra seguir em frente.
Um pedro,
talvez O pedro.
Aperto tua mão sabendo que,
Brasília é um ovo.
Se for pra ser você, quem quer que você seja,
a gente vai se ver de novo.
Até logo,
ou até nunca mais.
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