Early Cuts: Forget me not

 

Imagem: TingTing Huang


Resido nos sonhos e corredores escuros da memória dos homens e mulheres que me olharam nos olhos. No aconchego das lembranças, espreguiço. 

Levanto da cama e subo as escadas, que rangem, gemem, sob o meu peso. 

Meu peso diminui, por sinal, a cada dia que passa. Mas os rangidos continuam, como se automáticos. Um dia, virarei pó e tenho a impressão de que os degraus continuarão rangendo, como se eu estivesse aqui. 

Considero que

Não sei onde estou, me perdi. Talvez tenha entrado na casa errada. Talvez. 
Não consigo achar a saída, sinto medo. 
Medo de gritar, de chamar a minha mãe. 
Começo a chorar. 

Abro e fecho as portas, desço as escadas, não reconheço nada. 

Entro em um banheiro, em desespero, chorando e soluçando, e paro diante do espelho. 

Tem uma mulher no banheiro comigo, uma estranha. Olhando pra mim, chorando e soluçando, o rosto inchado, vermelho. 

Cubro a boca com a mão e ela repete o meu gesto. 

Não, não pode ser real. 

Estou sonhando. Fecho os olhos e murmuro palavras soltas, perdidas, um feitiço completo cujos conectivos se perderam

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