3x1 Beautiful creep (War)



Machucavam meus pés, malditos tênis novos. Eu queria me sentar, queria correr, mas meus pés não deixavam, mo inimigo não deixaria. Minhas pernas eram metal, se movendo na direção que ele queria que se movessem ("heaven knows I'm miserable now").
As palavras dele batiam no muro de meu medo, erguido e inútil, feito uma parede de isopor e eu respondia com monossílabos, olhando a barra suja do meu jeans largo.
Eu sabia que tinha chegado
I didn't see it coming
With my head stuck in the sand
But now I'm losing a friend

Ele me perguntou se estava com medo, eu preferiria morrer.
And it's keeping me up
It's the ribbons I tie
I would rather just die

Tocou em mim, e eu não senti nada, apenas o costumeiro paredão do medo, feito uma roupa protetora.
Eu torci pra que fosse rápido, pra que não doesse. Oh, por favor, acabe logo com isso.
Começou pela minha mão, não esperou, o frio insistindo em me manter protegida, as costas, estava ali, feito um animal rastejando, me apertando, me sufocando, sem dor, porque eu nem estava ali. Minhas mãos viajaram rápido buscando apoio, proteção, buscando sentir a sensação que eu merecia. Eu merecia, mas não era aquilo que minha mente queria, não daquele jeito. Eu nem estava ali.
Oh, no, oh, no! So this is the end, now
I'm losing you
Oh, look at you!
Look what you're wasting

Olhei para as luzes dos postes, luzes que tinha pensado q veria diferentes, renovadas. Eram as mesmas velhas luzes, luzes fracas, fazendo a escuridão parecer mais próxima.
Tirou a boca da minha, e nem sequer uma célula minha protestou.
"Está com medo, ainda?"
Estou com medo, sim, meu corpo gritou, com medo de que eu nunca sinta o que você quer que eu sinta, medo de que seja sempre assim, que eu precise de sinos tocando na minha cabeça, maldita seja eu.
"Estou. Podemos ir embora?"


Eu preciso ser salva de mim mesma. Acho que vou comprar um autorama.

2x24 Prom is not for lovers (season finale)



Já pensou sobre como o último dia da sua vida provavelmente marca uma mudança de ciclo?
Eu acho que morri entre as luzes pisca-pisca, o suor e o cheiro de vodca daquela noite. Aliás, eu queria ter morrido. Porque a pessoa mais insensível do mundo disse que me amava, a garota com a auto estima mais baixa que a minha (impossível!, diz a legista quando meu corpo sem vida se levanta e começa a tagarelar, mais baixa que a sua? :O) conseguiu um namorado, Pippa parecia feliz, Jim, bêbado, Julia estava sendo Julia --', o que não é bem incomum, garotos bonitos estavam sendo bonitos e garotas bonitas estavam sendo garotas, pra variar.
E porque eu estava no banheiro, pensando sobre minhas idiotices, com o mp3 no ouvido em pleno baile de formatura. E tudo estava bem, porque nós estávamos bem, porque Lily estava em casa, no computador, provavelmente, e não vomitando pílulas coloridas, ou se esvaindo em sangue no chão de um banheiro público, o usual.
Só eu não estava perfeita. Eu estava vazia, eu estou sempre vazia. E eu nem tinha feito o que se deve fazer ainda. Mas eu queria ter morrido ali, no banheiro, ouvindo weezer.
Eu não teria feito o que se deve fazer, me despedido do meu medo irracional do número 22, mas eu não tinha tanto medo disso naquela hora. Eu não tinha medo, eu só tinha vontade de ficar na festa, de dançar, de rir, de abraçar meus amigos até meus braços doerem. E eu não fiz nada disso.
Eu só não morri. E não morrer foi a pior coisa que eu fiz, pior do que me apaixonar por desconhecidos, não passar no vestibular, beijar um garoto do qual eu tinha medo (ah. isso não foi ruim, não foi não), pior do que fugir de quem eu era feito louca.

Pior que viver, mesmo que tivesse escolha.

2x23 What a wonderful world

Eles vem e me tomam de mim, me empurram e arrastam.
Eu juro que tentei, deitada, olhando pro teto, imaginar minha vida, um dia da minha maldita vida, sem eles.
não consegui. acho q nunca vou saber se seria bom ou não, deixe estar, digo eu pra mim mesma.
De que adianta saber o q poderia ser se é imutável?

Então, eu me resigno a ir e sorrir, a não sorrir, a gritar e não gritar. Porque eles me fazem esquecer que, quando eu voltar pra casa, vou ficar sozinha com os meus pensamentos.

2x22 Party in the jungle


Eu estou destroçada. Nada me agrada mais do que a verdade, pura e simples.
Eu fico horas pensando, construindo histórias, jeitos de fazer com que as pessoas me apunhalem repetidas vezes.
Eu não sinto dor.
Acho que cheguei nesse ponto chave da minha vida, aquele momento em que você passa a pensar que suicidas não são estúpidos egoístas, eles são pessoas encurraladas.
Não quero morrer, não, não não. Eu quero me sentir viva.
Eu quero me entusiasmar com algo, eu quero não me sentir vazia, eu quero gostar do que eu escrevo, eu quero ter prazer em escrever.
Eu quero me importar com algo o suficiente.
Tenho magoado as pessoas, tenho feito com que elas gritem comigo, tenho sido propositalmente, hm, diferente.
Tenho pensado em física, doenças, lido sobre assassinatos e desilusões.
Eu quero que as pessoas gritem comigo e me sacudam, nem sei, talvez queira chamar atenção. O quão patética eu posso ser, minha Mosca?
Confesso. Eu preciso de atenção. Eu preciso de amor. Eu preciso que se importem comigo de verdade, que queiram que eu seja algo a mais do que eu sou, não quero mais gente me dizendo pra nunca mudar.
Todo mundo muda, por que eu continua parada nesse mesmo maldito X?
Alguém me arranje um mapa. Vou sair da Marasmolândia.

2x21 Problematique



Eu estou me afogando. Rápido demais.
Eu sempre pensei sobre como morreria e tudo mais. No fim das coisas como eu as conheço, ou talvez na continuação das coisas iguaizinhas, só que sem mim.
Eu odeio afogamentos.
E, ironicamente, estou me afogando.
Eu só gostaria que as pessoas levassem tudo embora, todos os problemas, em grandes caixas e me deixassem sozinha com as preocupações usuais.
Eu me apaixonei por um nada de novo.
E agora eu estou cheia de dúvidas terríveis e, o usual, não consigo escrever. Nada que não seja tolo.
Tudo parece tão novo e tão complicado, eu tenho me arriscado tanto e tentado ter um bom senso tirado do nada.
Eu estou tão assustada. Eu nunca estive tão assustada. Apesar de todos os meus planos, de todas as minhas idéias. Eu tenho medo de que a minha vida não passe disso.
E se eu andar e andar, e crescer, e tudo for sempre assim?
Eu sei que eu detesto mudanças mas e se não houver nada novo daqui pra frente?
E se eu tiver que fazer as escolhas todas agora pra me mover?

Me sinto parada em um lugar escuro e cheio de água. Posso dar alguns passos, pra morrer ou não. E posso ficar, esperando que tudo escureça de uma vez, porque já sei como vai ser, já passei por isso. A desvantagem é que vai doer do mesmo jeito de antes.

2x20 Vórtice

"O que você é?", ele me perguntou.
Eu estava confusa. Era uma boa pergunta.
Eu me deitei na toalha ao lado dele e olhei para o céu. No céu inteiro não parecia haver mais do que umas poucas estrelas. E elas estavam todas sobre nós.
"Stardust", eu me lembrei das estrelas que não observaram a humilhação de Tristan, talvez estivessem nos observando, talvez fosse especial.
Apoiei a cabeça com a mão
"Não, sou um vórtice"
Ele fez o mesmo e nossas cabeças ficaram da mesma altura. Estava tão escuro e eu não podia ver seu rosto. E se essa fosse minha escolha mais errada? E se eu estivesse me deixando ir, e se eu esquecesse quem eu era?
"Você parece ser muitas coisas. O que é um vórtice?"
Sorri.
"Muitas coisas".
Estava tão frio e nossa respiração era tão ruidosa. Nossas cabeças estavam tão próximas que eu podia sentir cheiro de pasta de dente e sabonete desconhecidos exalando do rosto dele.
Eu estendi minha outra mão e toquei o rosto dele, passei meus dedos pela face dele, tentando descobrir quem era, talvez até quem eu era.
Eu nunca havia visto seu rosto. E agora estava prestes a lhe dar minha alma.
Ele se aproximou e nossos narizes gelados se encostaram.
"Espero que esteja pronto. Pronto pras conseqüências.", eu disse.
"A única certeza que tenho é que não estou pronto".

2x19 I found myself.



Me encontro, me perco. Tolkien disse que nem todos os que vagueiam estão perdidos. Então talvez eu saiba onde me encontrar. Acho que gosto da sensação de estar tão perdida que mal posso reconhecer meus sentimentos.