3x14 Kissing Love Himself


Os lábios da semi-vitória são grandes e macios, suas mãos são quentes.
Meu professor de português dizia que sentimentos não podiam ser descritos. Sentimentos são beijos. E eu sou uma colecionadora de sentimentos.
Qualquer outra aptidão que tenha tido foi suprimida por essa ânsia de sentir que tenho.

E agora beijarei os lábios do amor unilateral.

Amor é fogo que arde sem se ver (...)

Me queime por dentro essa noite, eu imploro.

3x13 The Colors of Chaos


Localizo com os olhos as pequenas manchinhas no teto do quarto enquanto aperto o travesseiro com as mãos.
Alguns meses atrás, esse travesseiro estaria de encontro ao meu rosto e eu estaria desesperadamente conter o sentimento de fracasso, o fracasso emanando de mim, como se fracasso fosse uma doença contagiosa.
Meses atrás eu cobri minha cabeça, disse a mim mesma que era possível que eu sufocasse e morresse. Eu quis, mas não queria realmente, morrer ali também. Mas eu sabia que iria querer de novo, em breve.
Acho que essa certeza que eu tinha de que passaria pelo mesmo é que me faz não querer repetir aquilo.
Na minha cabeça, há também a nova constatação de que querer morrer é extremamente infantil. O que não é verdade. É só mais um pequeno pensamento tacanho na minha cabeça semi adulta.
Acho que é isso sim. Quando se tem certeza absoluta do fracasso - embora um leve requício de esperança -, ele não é tão ruim assim.

(É, diga isso pra mim, diga isso pra mim várias vezes até que eu acredite)

3x12 Give me strenght


Pressão.
Dos pais, dos amigos, da família, deles.

Pessoas reais, palpáveis, me decepcionam freqüentemente. Assim como eu, elas são vazias. se enchem com os pequenos pedaços de seu ambiente.
Mas as pessoas que criei, essas nunca me desapontaram. Como poderiam? Estou preparada para suas mudanças repentinas, seus amores...

Eu estive tão cansada que não consegui controlar a fertilidade da minha imaginação. Freqüentemente converso com eles. Mas nunca me pareceram tão palpáveis quanto ontem.
Eu queria muito ser forte o suficiente. E eles sabem disso...

I love you 5, Chuck chegou assobiando e mordeu meu ombro. Ele não sabe a força que aqueles dentes têm.
Lucy passou os cabelos pelo meu rosto, ela sabe que isso me faz rir.
Gareth se sentou na cama da minha irmã e ficou sentado, rindo pro nada.
Camille se deitou ao meu lado, a jaqueta roçando no plástico do colchao.
Ei Tristan!, eu disse. E ele pisca.
Jennifer não veio, é claro.
E, Lily, surpreendentemente, me abraçou forte, minha pequena giganta.

Enquanto eles estiverem por aqui, na minha torre de lembranças, não tenho nada a temer, nem mesmo o amor. Nem mesmo o esquecimento. É no que quero acreditar.

Early Cuts: A arte de não saber

Como eu poderia saber que pequenos atos influenciariam tanto o meu futuro?

Como um lugar na frente da sala te dá um coração?
Como a semântica te faz dever um beijo?
Como eu poderia saber que o ato de não acordar cedo faria com que uma sacola não entregue decidisse se alguém me ama ou não?
Como eu poderia saber que chamar a atenção para um questionário não entregue faria com que o Big olhasse dentro dos meus olhos?

Eu deveria ganhar um prêmio, sir, um prêmio. Pela arte de não saber.

Early Cuts: Be my lover too.

McCandless parece estar offline. As mensagens serão entregues quando esse contato entrar. Envie um email para este contato em vez disso. Adicionar número de celular ao contato.


Às vezes, eu queria que tudo acabasse. Aí ele faz algo, assim como dizer oi.

Alguém chamado Caique acaba de partir meu coração. Malditos Moldy Peaches.

3x11 Fake Plastic Feelings


Big.
Big.
Big.
Big.

Meu cérebro repetiu isso várias vezes hoje. Big. Olhos claros, cabelo militar/hitler, porte de príncipe encantado. Big.

Eu tenho chamado por McCandless o dia inteiro. Onde esteve? Cada vez que eu me concentro no rosto dele, nos trejeitos que ele deveria ter, Big aparece, invadindo um pensamento ao qual não deveria pertencer.

E eu me pergunto: "Dor nas costelas? Onde está? Basta um dia pra que eu esqueça alguém que amei tanto? O QUE É ESSE MALDITO AMOR QUE ACABA COMO SE NUNCA TIVESSE EXISTIDO?"

Eu quis isso. Pedi por isso quando as circunstâncias eram outras. Mas isso me pertence! As mãos, os dentes, cada pequeno osso, cada falange disso é minha e eu tentei o dia inteiro trazer de volta, sozinha. Mas eu não consigo. Vai ver meu corpo está cansado de fingir que somos Ned e Chuck, que existe algo concreto a nos impedir.

- Ei, não vá embora! - grita meu coração, batendo forte por pouca coisa.
Mas, epa, lá vai ele, e eu espero outro, vindo tomar o seu lugar, como se fosse a primeira vez.




(Não. Não. Não dessa vez. É ele quem eu quero. McCandless. E eu faria qualquer coisa.
Minha mente sussurra "Big.... Big...". Não! Sinto como se estivessem tirando cada uma das minhas lembranças, colocando-as a força em uma das caixas no meu quarto da memória.
Isso exige atitudes loucas e desesperadas. Me tranco no banheiro e abro o chuveiro. Calor. "Big..."
Não. Mudo o mostrador e a água fria cai. Fecho os olhos e entro debaixo do chuveiro. Eu não consigo respirar. O frio me deixa sem ar desde que me lembro. "Shhh... McCandless...", mas é meu coração quem diz e minha mente é quem manda. O ar me falta de vez, encosto a cabeça na parede e olho minhas roupas molhadas. Finalmente, eu diria. Finalmente me afoguei em meus próprios sentimentos.)

3x10 Pequenos ruídos



Não se mova.
Eu sinto o cheiro de pele, pura e simples pele e suor. Não se mova.
Qualquer ruído estragaria isso. Não me assuste, não se assuste.
Me deixe apenas ouvir sua respiração.
Devagar, devagar

I don't want anything more
Than to see your face when you open the door


Ele olha pra mim com aqueles olhos, aqueles olhos, os mesmos dos outros, mas não como os outros.
Só mais um pouco, vamos.

Um ruído, um simples ruído. Sua blusa roçando no meu vestido. E é o suficiente pra que acordemos.

Me encolho toda sob as cobertas e sonho com sua respiração ruidosa.
Estou mesmo desvairada.