29x17 Eu não quero mais brigar

Imagem: TingTing Huang

Ao som de Sweetheart, what have you done to us

Prendo meu cabelo lá no alto, tão pouco cabelo, e ele solta, voa. Não me irrito.
Nem tudo é do jeito que eu gostaria que fosse.

Rebobino a fita do tempo, pauso, avanço o filme de nós dois. E lá estou eu, quebrando pratos, quebrando quadros, rasgando papéis.

Pauso.

Toco meu rosto, me abraço forte.
- Não faça isso.
Ela não pode ouvir, eu sei. Mas eu simplesmente tenho que dizer.

Eu não quero mais brigar.
Eu quero me render, quero aceitar as batalhas perdidas, a guerra perdida.
Eu não quero mais ser quem morre.

Eu costumava achar que isso era covardia.
Não querer mais brigar era não querer mais lutar, não querer resolver as coisas.
Tolice.

Eu não quero mais brigar.
E me dói muito admitir isso.

Toco o rosto do meu eu passado, transtornado, desfigurado, confuso, insano.
- Não faça isso, por favor.

Play.

E ela, no meio de toda aquela raiva, de toda aquela dor, para. Coloca as armas no chão. E chora, uiva de dor bem no meio da cozinha.
- Vai ficar tudo bem, eu prometo.

Eu prometo.

29x16 Figs

Imagem: TingTing Huang

Não dormi.
1:00, 2:00. 4:00, depois 6:00 e eu de olhos bem abertos, sem sono, sem nada, o coração estralando as costelas de novo.

Eu tenho medo da vida.

Aí apaguei, acordei tarde, comi, dei risada, dei tanta risada. Estudei, assisti TV, calma. Criei um ambiente seguro pra mim, outra gaiola dentro da gaiola. Tô me mantendo segura. Tô me mantendo sã.

Mas ficar sã, ficar na gaiola, isso não me faz ficar mais forte.
Daqui a pouco é dia 22 e eu tenho que voltar pra lá, e eu não posso me perder de novo.

Enchi a mão de xampu, e lavei os cabelos, mecha por mecha, ao som de músicas da Mallu. Da Mallu, é. E quando ela cantou Sambinha bom, confesso que me deu um medo, um medo de doer, mas não doeu.
Eu respirei fundo e pensei em coisas boas, cabelos brancos, cachinhos curtos, pensei em muitos chocolates, que amores não são perdidos, em um show perdido em algum lugar da memória de Brasília, caído na grama, na lama, no concreto. A canção tocou até o fim, enquanto eu enchia o cabelo de creme e de amor, de amor meu pra mim, cada rolinho uma lembrança boa que eu quero guardar.

Enrolei muito no banheiro, ouvindo cada música que me rasgou a pele meses atrás (quase um ano!), que é música. Não é pra doer.

E aí saí. A pele intacta, o cabelo com cheiro gostoso de carinho e de meu. De mim.

Sentei no sofá, dei minha opinião no grupo das minhas amigas, meu lugar seguro. E uma delas insistiu que eu dissesse pra todo mundo o que pensava. Tive vergonha de dizer que tinha medo, que não ia dizer nada, que meu coração queria sair da boca só de pensar em digitar algo, que minha mão nunca tremeu tanto só porque eu ia dizer que não gostei de algo.

Eu tive tanto medo. E sei que não é normal. Que sou capaz de falar em público, mas não consigo mandar uma mensagem com minha opinião.
Tremi tanto, que não conseguia escrever.
Parei, respirei fundo, mil, trimilhões de vezes.
ô, B. Quem te deixou assim tão covarde?

Queria chorar. Acho curioso que ninguém saiba o quanto me custa mandar uma mensagem.
O peito fica em chamas, o estômago embrulha, os dedos tremem.
Mandei a mensagem, me desculpei pela mensagem, ando me desculpando por existir há um bom tempo.

E as pessoas concordaram comigo.
Gostaram das minhas ideias.

Eu poderia chorar. Gratidão.
Porque eu tô tremendo até agora.

Eu tenho medo da vida.

Eu invento coisas.
E não é só puro estalo, eu leio coisas, eu vejo coisas, eu quero inventar coisas que as pessoas entendam.

Quero ser mais corajosa.
Quero mostrar quem eu sou e o que importa pra mim.
Queria não ter medo de expressar minha opinião, mas queria que as pessoas entendessem esse meu medo.
Esse pavor.
Essa vontade de calar.

Eu tenho medo de viver.

Alguém esbarra em mim e eu peço desculpas.
Desculpe por estar aqui.

Eu não quero mais me sentir segura, porque não é mais suficiente.
Eu quero ser corajosa.
Eu quero me levantar e bater se preciso,
não quero ficar em silêncio.
Não quero me encolher quando alguém muda o tom de voz numa conversa.

Eu quero ser a pessoa que sei que posso ser.
Quero ser minha heroína, meu príncipe do cavalo branco.
Minha casa, meu cavalo, meu cão de caça.

Quero nunca mais tremer ao apertar enviar,

a não ser que seja uma mensagem de amor.
Aí tudo bem.
Esse medo do não eu consigo levar.

29x15 Baby Steps

Imagem: TingTing Huang

- Ei, vem cá. Saia daí, deixe eu te ver.
E ela descobre a cabeça, sai debaixo das cobertas, viva, palpável, pulsátil: esperança.

Andei lendo meus textos antigos espalhados pela casa, muita dor, vontade de deitar na cama e não acordar mais. Andei pelas ruas feito um fantasma, uma grande mentira contada quando eu era criança, feito gente grande, feito gente.

Ontem à noite, não consegui dormir. Fiquei ouvindo playlists, olhando pela janela, respondendo mensagens, e meu coração batia tão forte de encontro às costelas que senti medo de me machucar.
Eu tô com medo, e nem sei de quê.

Pensar sobre o futuro me faz ficar extremamente ansiosa, a ponto de evitar ao máximo estender meus pensamentos além do próximo fim de semana.

Colapso nervoso, burnout, estresse. Sei lá o que me deu, o que me dá.
Mas eu não estava bem.
Eu disse pra todo mundo que estava tudo bem, mas não estava. Que loucura mentir sobre isso. Que loucura dizer isso agora.
Acho que é essa vibe de sinceridade contagiante de um grupo do facebook, todas aquelas pessoas honestas e lindas contando coisas sobre suas vidas, enquanto eu observo em silêncio.

Bom, eu surtei.
E não vou admitir isso pra mais ninguém, eu acho. Eu surtei. E eu precisava de ajuda. Mas eu não queria ajuda.
De novo, não. Já tive muita ajuda nessa vida, obrigada, e isso vai me perseguir pelo resto da vida.
Então, quando o doutor me olhou nos olhos e me contou uma história, me disse que não poderia me ajudar se eu não contasse a verdade ---
- Tá tudo bem.

Mas não 'tava. Eu perdi o controle sobre mim mesma, sobre as minhas emoções, sobre o meu corpo, sobre a realidade.
E eu só percebi isso muito tarde, porque até eu cheguei a acreditar no "Tá tudo bem".
Eu não conseguia mais me expressar, não controlava meu corpo,
uma bateria de exames pra eu saber que estava toda errada e descompensada
e eu comecei a acreditar que ia morrer.

Ok, parece estúpido. Não foi tão simplista.
Recebi meus exames, fiz o que todo mundo faz: Google. Daí fui pra biblioteca, li o que tinha que ser lido.
O médico viu meus exames, ficou preocupado, pediu que eu fosse a outro médico.
E eu não fui.
Por que?
Exatamente por essa razão na qual você pensou.

Eu deitava na cama todos os dias e pensava
Eu vou morrer.
E não sentia nada sobre isso.
Nada, nada, nada mesmo, eu nunca chorei, eu nunca fui mais gentil com as pessoas por isso ou disse a verdade, ou mandei mais mensagens humilhantes.

Perdi a realidade. Só tinha certeza de que tinha algo crescendo dentro de mim, me engolindo de dentro pra fora, se alimentando de mim, que essa era a razão pela qual eu emagrecia cada vez mais.

Pedi socorro à minha maneira. Escrevi um trabalho sobre o assunto, ganhei "A+" e o professor leu em voz alta, sem saber que era sobre mim que ele lia.
Escrevi sobre minha desesperança em relatórios gigantes que voltavam com mensagens motivacionais que eu guardo com carinho.
E falei sozinha durante 5 minutos sobre meu problema, só pra que a professora dissesse "É justamente isso que ela disse, descreveu perfeitamente".

Eu precisava das pessoas e não queria precisar de ninguém. Eu tinha medo de voltar pra casa depois das aulas e não querer mais sair.
Fiz grandes amigos, que entenderam minha necessidade de não ir embora e ficaram comigo.

E eu percebi, em algum momento, que aquilo não era certo.
Não estava tudo bem.
E foi muito muito muito difícil admitir isso.

As aulas acabaram e eu passei raspando em algumas coisas, tudo desabando.
Lembro de dirigir até o consultório do médico. Foi uma viagem de alguns minutos só, mas eu só queria saber. Como é que isso chama, eu acho. Eu acho que me cansei de estar doente. E nem sei o porquê.

Ele fez tudo o que é feito normalmente, perguntas, exames, piadas. Me disse que achava que não era o que eu pensava. Que achava que era estresse. Pediu uma bateria de exames.

E o resultado?
Ainda não saiu.
Tirei uma quantidade canalha de sangue na última semana, nem sei de onde saiu tanto.

Mas o resultado não importa.
Ele não vai me fazer ficar bem.
Não tá tudo bem.
Mas vai ficar.

Eu sei que vai ficar,
porque eu lavo meu cabelo maluco com amor, não porque acho que se não lavá-lo 4 vezes, vou me sentir limpa.
Sei que vai ficar porque quando acordo, tomo um copo com água.
Sei que vai ficar porque não como pra suprir minha necessidade de qualquer coisa, como porque me faz bem.
Sei que vai ficar quando arrumo meus cabelos, uso maquiagem. Não porque não quero que as pessoas pensem coisas sobre mim, mas porque eu fico feliz.
Porque não entro em crise quando meu cabelo está horrível. Eu uso um chapéu. E gosto.
Sei que vai ficar bem porque afrouxei as rédeas, porque não leio livros que não quero ler. Leio na ordem sim, porque amo minha ordem. Mas não hesito (muito) em admitir que não vou ler um livro. Sinto muito, James Joyce.
Sei que vai ficar tudo bem porque eu sou capaz de chorar de rir sozinha.
E porque parte de mim quer ficar perto das pessoas que eu amo.
Porque eu não tenho medo de sair. E nem de voltar.
Porque eu até digo não, de vez em quando. E me sinto péssima haha, mas NÃO.

E, embora eu ainda não consiga dormir,
embora a ideia de voltar pra faculdade me dê náuseas,
assim como a ideia de escrever histórias, ou sequer imaginar algo,
e eu não queira que ninguém se aproxime demais;
Embora não esteja tudo bem:
Vai ficar.

E não vai ser amanhã.
Nem depois.
Mas isso também não importa agora.

Eu preciso ter paciência.
Não 'tá tudo bem.
Mas vai ficar.

Baby steps, B. Baby steps.

29x14 Atlantis

Imagem: TingTing Huang

Algumas coisas não foram feitas pra acontecer.

- Mas como é que vocês se conheceram?
Eu apertei sua mão debaixo da mesa, como quem diz
Como quem diz nada.
E você contou nossa história, da maneira como você via.

De como a gente se conheceu no pior dia possível, pegamos um táxi juntos. Deixou de fora da história toda a minha loucura, os pesadelos, os meus gritos, pra dizer que "a gente passou bastante tempo juntos".
"Mas tinha esse detalhe", você riu, "um de nós ia se casar. A verdade é que éramos todos muito amigos e as coisas estavam muito confusas naquela época. Então a gente não sabia bem o que estava acontecendo. Aí começamos a nos irritar muito um com o outro, a brigar, a surtar, a nos provocar. De repente, a gente não conseguia mais ser amigo. Mas a gente não conseguia ir embora."

Disso eu me lembro.
Metade das coisas desse apartamento já foram jogadas na sua cabeça.
Mas a gente não conseguia ir embora e não sabia porque.
Ficávamos nos cercando, esperando que o outro dissesse primeiro, esperando explodir com tudo.
Doido isso. Doído.
Amar e não saber que é amor, não poder admitir que é amor.

Lembra daqueles dias em que a gente não conseguia nem se olhar? E a gente nem sabia ainda o que era, o que estava acontecendo.
Você descobriu o que era primeiro. Parou de falar comigo, sumiu do mapa e voltou semanas depois.
A gente não conseguia ir embora.
Você descobriu o que era, mas não me contou.

E eu fiquei sem saber o que é que tinha dado errado na nossa amizade,
quando é que eu ia imaginar que dava pra gostar de outra pessoa? Que era permitido fazer isso.

Você foi fugindo de mim aos pouquinhos, me dando desculpas, gritando comigo por nada, e eu fui sentindo medo e saudade e medo e saudade e um dia você disse que não voltava mais, que não dava mais
Não dá mais o quê? - eu perguntei.
Mas aí eu já não precisava de resposta.

Não dava pra mim também.

Você foi embora,
eu fui embora.
Voltamos.
A gente não conseguia ir.

Mas algumas coisas não foram feitas pra acontecer.
Elas estão aí pra gente saber que existiram por um curto período de tempo,
pra gente se perguntar eternamente

E se?

29x13 The host

Imagem: TingTing Huang

Aviso: Este trecho, bem como os dois textos anteriores, foi escrito em 2013.

"Quem é parasita de quem, querido?
Quem rói pelas beiradas,
quem carrega as marcas dos dentes de quem?
Quem adoece?
Mas quem toma emprestado o corpo?
E de quem é a alma nele?"


Eu disse a uma amiga: "Isso não é amor, amor não dói, não é pra doer".
Mas eu não sei o que era, leio esse texto no canto de uma folha do meu caderno do cursinho,  passando quase despercebido, e sinto uma dorzinha, um incômodo. Um alívio.
Isso não é algo que uma pessoa feliz escreveria, uma pessoa que sabe o que está fazendo.
Eu não quero Otto de volta, eu não quero ninguém.
Não é uma dor nova, sempre dói, e dói muito.
E vira a gente pelo avesso, de um jeito que não se pode simplesmente desvirar.

Eu sobrevivi, Otto. Quero ir até a sua casa, bater na sua porta, te enfiar essa folha pela goela, gritar "Eu sobrevivi à nós, eu posso sobreviver a qualquer coisa", mas eu não poderia sobreviver a nós de novo. Olho pra essa folha e sinto uma coisa ruim, o estômago revirando, borboletas antigas ou náusea, nem sei.

O tempo passa e a gente esquece. Isso é bom, nos deixa capazes de viver de novo, de amar de novo. Mas eu não quero esquecer.
Você foi incrível, cuidou de mim na minha pior fase, de um jeito que eu nunca mais vou deixar ninguém cuidar, viu meus pesadelos, me ajudou a pentear o cabelo, me trouxe pra casa do hospital. Eu nunca nunca vou deixar de ser grata por isso.
Mas você partiu meu coração, e eu nem sabia que era possível que acontecesse de novo, de maneira tão brutal.
Sangrou tanto, doeu tanto, que eu prometi nunca mais chorar quando alguém fosse embora, e não chorei. Chorei por muitos motivos, mas não por esse, esse nunca mais.
Talvez seja fevereiro, talvez seja o cheiro dessa cidade, do meu apartamento, das minhas coisas, o gosto do chá, o gosto de chocolate branco da sua boca. Talvez seja o medo, a pressão, a vontade de fazer coisas que eu jurei pra você que não faria mais, o gosto dos cigarros que eu não sentia desde que você foi embora. Mas tudo têm voltado, como se eu estivesse recuperando a memória, como se você estivesse em todos os lugares.
Andei pensando sobre tudo o que está errado em mim, todas as coisas ruins que fiz pras pessoas de quem gostei. E eu quis que você estivesse aqui, pra me dizer que as pessoas são todas estragadas por uma razão ou outra, que eu não tô mais quebrada do que ninguém, que tem gente que entende,tem gente que não entende. Que você acha lindo, e deveras curioso, o motivo de eu escrever tantos números no corpo. Pra segurar minha mão quando eu estou mudando, dizer "oi" pra quem quer que eu seja, daquele seu jeito de quem sabe das coisas. Lembro de você dizendo que eu não deveria me envergonhar, "poucas pessoas tem universos dentro delas". Mas eu sinto vergonha, Otto. Me fizeram sentir vergonha, e medo, e sentir que eu era toda errada e descontrolada.
Doente.
Difícil demais de lidar.
Suja e pequena, do jeito que você me disse pra nunca me sentir.
Conseguiram me quebrar as pernas, e eu não sei se consigo me levantar.
Me fizeram sentir pequena em tantos sentidos, estúpida e cruel, e talvez eu seja.
A pior parte, é que talvez eu seja.

Eu queria você aqui, de novo.
Mas você foi embora.
"Você não me ama mais", você disse.
E eu disse mil coisas, fiquei com tanta raiva, tanto medo. Mas talvez eu não te amasse mais. O que não impediu que eu sofresse as dores intensas da morte de nós.
E eu entendo agora porque você foi embora.
Aquela coisa nos olhos, aquele beijo seco, o abraço solto.
Eu deveria ter ido também, mas não tenho e nunca terei a sua coragem.

Achei seu bilhete, entre as páginas do livro do Dickens. E senti tanta dor, depois de todos esses anos, vinda de um lugar que eu achava que nem existia, que eu tinha guardado tão fundo que eu achei que nunca mais fosse achar.
Mas você dá um jeito, você sempre dá um jeito.
Só que você foi embora.
Eu não te pedi que fosse, eu não queria que você fosse.

Então não volte.
Não me mande mensagens, nem sinais de fumaça, nem me espere no lugar de sempre, nem me deixe mensagens espalhadas por aí.

Eu sobrevivi à nós.
E foi a coisa mais difícil que eu já fiz.
Não me obrigue a fazer isso de novo.
Não volte.

Early Cuts: A lack of color

Imagem: TingTing Huang

Sinto falta de sentimentos verdadeiros.

Não, retiro o que disse, sinto falta de sentimentos por pessoas verdadeiras.

Early Cuts: Homesick (Belgium)

Imagem: TingTing Huang

Sobre retornos e despedidas que não aconteceram.

07:07
Vem pra casa - É essa história de marcas, 2 pares de pés na calçada, fundos, marcas de espera que vão se apagando aos poucos, desde que nós deixamos pra lá.

07:56
Não saio. Não olho pela janela. Tenho medo de que você não esteja lá. Tenho medo de que você esteja lá.

09:35
Você chega sem pedir licença, se infiltra na minha mente e eu fico com o olhar parado, a boca seca. O tempo para e eu te faço tantas perguntas, você me diz tantas coisas que eu quero escutar e eu me sinto, se possível, mais solitária ainda, quando o relógio volta a correr.