Imagem: TingTing Huang
(Peço desculpas por qualquer perturbação que possa causar, querido leitor. Mas não meço palavras. Hoje não. Eu sofro, e não vou sentir muito, por sentir tanto)
Sonho com baratas.
Você me sufoca, durante um sonho.
Eu, Selvagem,
estive tentando te dar amor
mas você não foi feito pra ser amado, foi?
Ah, não, você não foi feito pra isso, sentimentos desse tipo, pra pessoas desse tipo. Você quer limpeza, quer fordeza, quer gramas de soma e Golfe-Obstáculo, sentir beijos que não lhe foram dados, você quer essa sensação passageira, esse interesse breve, seu amor possui interruptor.
Desembaraço meus cabelos com força,
mas sem me machucar
e percebo que te odeio, que todas as gramas de Soma não são suficientes pra me fazer esquecer disso.
Oh, meu Ford,
eu te odeio e não se deve odiar ninguém.
É proibido, não é?
Enfio as unhas nas palmas das mãos
e eu te odeio, eu me deixo te odiar.
Um rapaz me pergunta, educadamente, se amo alguém, baixinho, como se fosse um pecado
e eu digo
não.
Mas eu odeio, e ódio e amor são a mesma coisa, em dias como esses.
Eu odeio você,
e tenho ignorado isso por tempo demais,
por medo das consequências que odiar alguém podem trazer.
Mas
será que podem ser diferentes disso?
Te odiar vai me partir em mais pedaços?
4 comprimidos de meia grama pra mim,
4 para Henry,
e derretemos no chão de madeira,
acalentados pela voz de vestido fúcsia, eu tô tão cansada,
eu tô tão cansada
que confundo tudo, mas não quero mais confundir,
estendo meus dedos na direção dele,
mas ele também sente dor, e não pode me ajudar.
Então, eu me levanto e dirijo pra casa,
ébria,
falsamente feliz,
a cabeça trabalhando numa fórmula pra te apagar do universo.
Cheguei em casa e ela me disse,
essa mulher minúscula, mínima
que eu tô aqui porque eu sou forte,
ela me disse coisas,
ela encheu meus bolsos de soma
e me sussurrou no ouvido
pra não tomá-lo,
ela me disse pra ficar sóbria
pra esperar,
pra entender
e eu esperei,
esperei até o efeito passar pra poder perceber o que tô percebendo aqui, agora, na frente do espelho
eu te odeio
Eu quero fazer coisas horríveis com você,
estamos ligados por esse sentimento horrível e escuro que tô carregando
essa coisa que me torna amaldiçoada e incapaz de me sentir plena, feliz, satisfeita
essa nuvem negra em cima da minha cabeça.
Alguém me oferece mais uma grama, outra grama, outra
e eu tô tomando
até a euforia bater, a vontade de acordar do lado,
de ouvir músicas bonitas à tarde toda,
eu tô tomando,
eu tô tomando, uma grama, outra grama, outra
e fingindo que tá tudo bem
Porque, quando eu parar de tomar,
quando eu parar de fingir
vou acabar com você,
vou arrancar cada grama de soma do teu corpo
e te ver sentir dor e adoecer,
como você fez comigo.
Eu vou despejar o ácido das minhas feridas na tua goela
e te ver queimar por dentro,
vou ter a coragem que você não tem e nunca vai ter,
eu vou te fazer sangrar no mesmo chão em que você me deixou pra morrer,
vou arrancar a sua língua pra que você nunca mais possa me machucar,
vou arrancar seus olhos,
furar seus ouvidos,
eu vou arrancar tua pele toda e queimar,
vou urinar no seu rosto, e vou sentir o prazer físico de me aliviar,
eu vou arrancar o seu coração e não, eu não vou comer,
eu não quero pegar essa sua doença.
Eu vou pisar nele.
Eu vou pisar nele.
Tantas vezes, tantas vezes, que me dá água na boca imaginar a carne se desfazendo sob os meus pés, se transformando em uma massa de sangue e carne, disforme.
Eu preciso te machucar, entende?
Porque você me machucou.
Porque não tem outra cura, porque eu finalmente te odeio, como você queria que fosse,
como deveria ter sido desde o começo.
2 gramas no total, eu tomo e me deito na cama
fecho meus olhos
e espero que passe
mas não quero que passe,
não mais.
38x03 Somebody else
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garota solteira procura,

Imagem: TingTing Huang
Penteio os cabelos, alheia ao fato de que as coisas estão mudando, de que os deuses possuem planos que não compreendo, de que meu corpo manda mensagens que não visualizo.
Minha mãe se assusta porque as pessoas me amam, mas eu não entendo. Eu não entendo. "Eu não fui feita pra isso", minto.
Saio da aula, compro sorvete e tomo na frente da sua casa. Porque eu quero te ver, mas você não volta pra casa. Você não volta mais.
Então eu saio pelas ruas à caça de qualquer coisa que me distraia do meu cotidiano horrível, uma festa cheia de luzes e eu beijo alguém de cujo nome não me lembro, eu danço e eu não sou capaz de gostar de ninguém. Meu Deus, como eu te amo, como eu te odeio, você me estragou, ou eu já era estragada, sei lá.
Bebo mais um pouco, e ele me manda mensagem. Eu visualizo, respondo imediatamente, eu sei o que está acontecendo, mas eu quero ver até onde vai.
Uma garota me chama no banheiro, me diz pra fugir de você, me diz que você machuca as pessoas, que é tão estragado quanto eu, que você é o pior tipo de pessoa que existe. Eu tento socar o rosto dela, mas percebo que é só o espelho, quando os cacos de vidro cortam meu punho e a dor fica insistente demais pra ignorar.
Enfaixo o braço no casaco e volto pra casa andando, sem rumo, porque eu percebo que não quero você. Eu não quero você, eu não quero você. Mas eu não consigo não querer você, acendo um cigarro e me sento no meio-fio, na frente da sua casa, eu só quero que você venha me machucar. Venha me machucar, me pegue pela mão, me arraste pra sua casa, pro seu quarto, pra sua cama, pra
Vomito.
Eu não quero você. Eu quero uma cura pra isso, não você.
Limpo a boca e cambaleio até a minha casa, durmo de roupa, fedendo à vômito e álcool, cigarro e decepção.
Acordo cedo com uma mensagem dele, e dou risada sem querer.
Respondo, e ele responde, e respondemos, e eu não consigo me desligar desse diálogo ameno, e eu não consigo me desligar dele. Me permito fechar os olhos, pensar como seria se
E, talvez, nesse exato momento, um estranho em um bar talvez esteja dizendo a ele pra fugir, que eu sou a pior pessoa do universo, mas eu quero saber até onde isso vai. Tenho um interesse quase doentio em saber até onde isso vai, que eu espero que passe assim que eu começar a beber de novo.
Vou até à cozinha, como morangos, tomo um copo de leite azedo e meu corpo inteiro fica arrepiado de nojo
Jogo tudo no ralo, leite, você, eu, ele, ela, os próximos dias.
O que tiver que ser, será.
38x02 Old Flames
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garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Oráculo de Delfos, ela me disse
pra tomar cuidado, tome cuidado, quando ela chegasse.
Mas eu não tenho medo de nada,
ou tenho
eu me esqueço rápido,
nada faz sentido até fazer
Até você me mandar mensagem no meio da noite
dizendo coisas desconexas
e eu respondo
e você responde
e eu respondo
e você responde
Como se você soubesse
como se finalmente soubesse
o que elas disseram pra mim num quarto escuro com cheiro de tecido
Mas você não sabe, sabe?
Isso é só parte de uma ilusão,
de uma brincadeira de mal gosto, um trote,
e eu pergunto a ela "Por que você faz essas coisas?"
mas ela não responde, ela nunca responde.
Mas você responde
e eu respondo
e você responde
e eu respondo
e espero pela sua resposta
as palavras do oráculo se confundem na minha mente
"você vai começar a confundir as coisas"
e eu percebo que tô confundindo as coisas haha
e que deveria ser óbvio
que é óbvio pra todo mundo
menos pra mim
Isso não é real.
Não é coincidência, é um estado de espírito
passageiro
uma vela acesa no caminho escuro do labirinto
que se apaga quando ela for embora
e me deixa aqui
esperando pela sua resposta
mas você não responde mais,
passou a vontade
Por que é que a minha não passa?
Oráculo de Delfos, ela me disse
pra tomar cuidado, tome cuidado, quando ela chegasse.
Mas eu não tenho medo de nada,
ou tenho
eu me esqueço rápido,
nada faz sentido até fazer
Até você me mandar mensagem no meio da noite
dizendo coisas desconexas
e eu respondo
e você responde
e eu respondo
e você responde
Como se você soubesse
como se finalmente soubesse
o que elas disseram pra mim num quarto escuro com cheiro de tecido
Mas você não sabe, sabe?
Isso é só parte de uma ilusão,
de uma brincadeira de mal gosto, um trote,
e eu pergunto a ela "Por que você faz essas coisas?"
mas ela não responde, ela nunca responde.
Mas você responde
e eu respondo
e você responde
e eu respondo
e espero pela sua resposta
as palavras do oráculo se confundem na minha mente
"você vai começar a confundir as coisas"
e eu percebo que tô confundindo as coisas haha
e que deveria ser óbvio
que é óbvio pra todo mundo
menos pra mim
Isso não é real.
Não é coincidência, é um estado de espírito
passageiro
uma vela acesa no caminho escuro do labirinto
que se apaga quando ela for embora
e me deixa aqui
esperando pela sua resposta
mas você não responde mais,
passou a vontade
Por que é que a minha não passa?
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38x01 Lembrol
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- B.? Você ouviu o que eu disse?
Eu não ouvi.
Ando distraída, comunicativa, me sentindo horrível, insuficiente, incompetente.
Eu estava pensando sobre essa fotografia.
Eu não me lembro sobre o que estava pensando.
Tenho que estudar, tenho que agir, mas tô parada olhando pro nada há uma hora.
Eu não estou mais aqui.
E, mesmo que não consiga me lembrar de onde estive nos últimos minutos, nas últimas horas, eu sei.
Meu corpo está se lembrando.
Como um efeito tardio,
sinto me tocarem quando não tem ninguém por perto,
acordo e respondo algo que ninguém me perguntou,
sinto essa vontade de fazer algo que não sei bem o que é, de dizer algo.
Você vê,
penso em você.
Quando danço
quando como
quando dirijo
e quando calço meus sapatos.
Quando danço.
E eu estou cansada, tão cansada
de me sentir assim.
Eu estava amarrando meus cadarços, no outro dia
e amei você, toda a sua existência e cada átomo que faz parte do seu corpo.
Mas eu não quero mais.
Você me dá colo e diz que vai ficar tudo bem,
mas não vai.
Nunca mais vai.
Não importa o que você diga,
não importa o que elas digam.
Nunca mais vai.
Então eu marco meu corpo, apago as chamas nas minhas veias
e espero que o sol se ponha pra fazer um pedido
pra pedir
esquecimento.
As luzes se apagam e alguém me sussurra todas as minhas falhas
e eu quero te pedir desculpas
mas isso é só o fogo nas minhas veias querendo o seu retorno
e eu sou forte o bastante pra não dizer nada, pra ficar no silêncio que existe entre nós dois.
E eu peço
Ou penso que peço
Sem pedir nunca porque, no dia seguinte,
quando eu amarro os cadarços
quando eu visto minhas calças
ou encosto a caneta no papel
quando eu danço
meu corpo inteiro acende
queima
como uma chama presa dentro de uma redoma
até se extinguir, sem ar
e me tornar cinza
E eu volto pra casa,
cuido das minhas feridas
E peço
Ou penso que peço
Uma hora dessas,
talvez eu peça.
E aí
quando amarrar os cadarços,
vestir minhas calças
quando eu dançar
bom, você já sabe.
- B.? Você ouviu o que eu disse?
Eu não ouvi.
Ando distraída, comunicativa, me sentindo horrível, insuficiente, incompetente.
Eu estava pensando sobre essa fotografia.
Eu não me lembro sobre o que estava pensando.
Tenho que estudar, tenho que agir, mas tô parada olhando pro nada há uma hora.
Eu não estou mais aqui.
E, mesmo que não consiga me lembrar de onde estive nos últimos minutos, nas últimas horas, eu sei.
Meu corpo está se lembrando.
Como um efeito tardio,
sinto me tocarem quando não tem ninguém por perto,
acordo e respondo algo que ninguém me perguntou,
sinto essa vontade de fazer algo que não sei bem o que é, de dizer algo.
Você vê,
penso em você.
Quando danço
quando como
quando dirijo
e quando calço meus sapatos.
Quando danço.
E eu estou cansada, tão cansada
de me sentir assim.
Eu estava amarrando meus cadarços, no outro dia
e amei você, toda a sua existência e cada átomo que faz parte do seu corpo.
Mas eu não quero mais.
Você me dá colo e diz que vai ficar tudo bem,
mas não vai.
Nunca mais vai.
Não importa o que você diga,
não importa o que elas digam.
Nunca mais vai.
Então eu marco meu corpo, apago as chamas nas minhas veias
e espero que o sol se ponha pra fazer um pedido
pra pedir
esquecimento.
As luzes se apagam e alguém me sussurra todas as minhas falhas
e eu quero te pedir desculpas
mas isso é só o fogo nas minhas veias querendo o seu retorno
e eu sou forte o bastante pra não dizer nada, pra ficar no silêncio que existe entre nós dois.
E eu peço
Ou penso que peço
Sem pedir nunca porque, no dia seguinte,
quando eu amarro os cadarços
quando eu visto minhas calças
ou encosto a caneta no papel
quando eu danço
meu corpo inteiro acende
queima
como uma chama presa dentro de uma redoma
até se extinguir, sem ar
e me tornar cinza
E eu volto pra casa,
cuido das minhas feridas
E peço
Ou penso que peço
Uma hora dessas,
talvez eu peça.
E aí
quando amarrar os cadarços,
vestir minhas calças
quando eu dançar
bom, você já sabe.
37x21 O terrível dia jamais descrito (Season Finale)
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garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
Estava organizando as temporadas, ao invés de estudar, de explicar pra minha irmã como é que uma camisinha vai parar no quarto de alguém, de ler meu livro ou fazer qualquer coisa útil, quando me deparei com o terrível dia jamais descrito. Eu decidi, há um tempão, que jamais escreveria sobre ele porque não sabia como.
Acho que doía, também.
Acho que incomoda, um pouco, o que quer que isso queira dizer.
Mas não tenho medo da dor ou do incômodo.
Vamos lá, vamos terminar essa temporada com bravura. Vamos quebrar regras.
24 de julho de 2015.
Eu estava lá.
Acordei cedo, voltei pra casa bem cedo, como nunca tinha voltado antes.
O dia todo era bonito, eu ouvia o álbum recém saído do forno da Florence, e fingia que não estava indo ver se a gente tinha volta.
Não me lembro da minha roupa naquela manhã.
Roupa de dirigir.
Lembro de usar meus óculos de coração, os cor de laranja, e de pensar que o mundo inteiro queimava.
Eu não sabia o que ia acontecer naquela noite. Sabia o que queria que acontecesse. Mas não tinha coragem de imaginar. Eu tinha muito medo.
Eu tinha muito medo de chorar.
Estava doente.
Digo isso porque agora me parece muito nítido, mas eu não percebia, então.
Trazia na bolsa um monte de sudokus e palavras cruzadas, que me acompanharam durante algumas das piores fases da vida, como um lembrete de que, quando tudo está ruim, eu sempre podia fugir pra dentro de mim.
Arrumei meu cabelo. Na época, estava em transição, meus cabelos estavam furiosos, eu me sentia a medusa, cachos tortos, em desalinho, como se alguém os tivesse dado vida própria e os congelado em seguida.
Eu usei azul.
Azul é a minha cor favorita, às vezes.
Blue.
Caiu bem.
Eu queria ficar bonita, mas bonita feito uma pessoa comum em uma tarde comum.
Penteei os cabelos, usei maquiagem, mas não tanta, porque queria parecer que estava ali só porque tinha que ir.
Fiz o caminho mais cedo, eu queria esperar, eu queria estar lá quando você chegasse.
Sentei no deck, e fiquei olhando o pôr do sol, esperando você chegar, com medo da sua chegada, com medo do futuro, com medo da falta de estrelas pra quem pudesse pedir, com medo de não saber o que pedir.
Você chegou e, olha, você estava lindo. Nossa.
Eu estava de novo, desajeitada, meio maluca, sozinha, escrevendo em papéis e nos cantos dos sudokus, trazendo um presente sem pacote, uma caixa cheia de mim e das coisas que eu não pude te dar. Cheia de amor sem sentido, sem destinatário.
Deixei que você lesse, eu queria que você lesse, era seu, não era? Mas não era mais.
E foi uma droga perceber que não era mais.
Porque ainda tinha amor ali, ainda tinha amor em mim, o que eu ia fazer com aquilo??
Pra quem eu ia dar, se não pra você?
Soco no estômago, saímos pra comer, de acordo com o que eu planejara.
Eu precisava de tempo, ficar estável, peguei meu carro e fui pelo caminho mais longo e mais familiar que conhecia.
Eu precisava ficar estável, eu precisava não sentir nada.
Eu precisava respirar fundo e não te querer mais, eu precisava que você me quisesse, eu precisava--
Chegamos ao shopping, mas não entramos de mãos dadas, não teve sorvete e nem você me deu bronca por alguma razão boba. Fingi que estava diferente, em uma tentativa desesperada de te fazer voltar, mas hoje acho que isso não fez, nem faz diferença.
Comi carne, e estava ruim, mas eu não reclamei.
Conversamos.
Sobre coisas amenas.
Coisas amenas, eu e você, conversando sobre coisas amenas, uma morte lenta.
"Não, não, não, tá errado. Me fala da tua casa, da tua vida, da saudade que você sente de nós dois, vamos pra minha casa, dorme comigo essa noite e a gente resolve tudo amanhã, volta pra mim, volta comigo pra sua casa, eu te faço o café da manhã e a gente começa do zero, a gente finge que nada aconteceu, eu nunca mais discuto por coisas pequenas, eu não vou mais brigar, eu não vou mais ficar indecisa, eu vou ser melhor, eu vou--", era o que passava pela minha cabeça. Mas eu nunca disse, eu nunca diria, eu sou a mulher mais orgulhosa que já andou por essa terra, e até isso me orgulha.
Então eu sorri, e falei com a minha voz estável. Eu fui estável. Porque era o que eu achava que deveria ser.
E tinha tanta coisa que eu queria dizer, que eu queria cobrar, que eu queria te dar, e a minha estrela, e tudo aquilo que a gente ainda ia fazer
mas eu não tinha voz, nem bravura
nem nada.
Eu só tinha o meu orgulho, pra me manter de pé, pra me fazer te soltar quando a gente se abraçou uma última vez, pra me levar pra casa, pra minha casa, não pra sua, pra me tomar o celular quando eu só queria escrever tudo o que estava entalado na minha garganta, me apertando o peito, pra colocar o colchão na sala porque entrar no quarto e ver as coisas de nós dois espalhadas doía, pra me abraçar e dizer que ia ficar tudo bem, mesmo quando eu sabia que não ia ficar, pra me fazer cafuné enquanto eu chorava pela primeira vez, oficialmente.
Meu Deus, como foi horrível aquele dia, terrível. Parece tolo, agora.
E nem de longe tão ruim quanto os que vieram depois.
Mas ruim.
E não sou insensível a ponto de dizer que o seu também não foi ruim. Deve ter sido, tão ruim quanto. Mas acho que nunca vou saber.
O que sei é que esse foi o meu dia terrível.
Não o primeiro, não o último, mas especialmente terrível.
Como todos os dias terríveis.
Se eu teria feito algo diferente?
Tudo, eu diria, mas não tenho certeza.
Porque eu realmente gosto de azul.
E eu realmente gostava desse cara, mas
Eu sei que as pessoas imaginariam que eu diria que deveria ter deixado o orgulho de lado, mas ele me trouxe até aqui.
Ele me manteve de pé,
me fez comer quando eu não queria,
pentear meus cabelos, ir pra aula fingir que estava tudo bem, tirar notas boas,
falar com meus amigos, nem que fosse pra responder "Tudo bem sim :) e você?".
Ele me abraçou e me impediu de pedir ajuda, é, mas também me impediu de tomar atitudes drásticas, de dizer o que sabia que não adiantava ser dito e de ficar em casa chorando as pitangas.
Então, eu mudaria o dia terrível?
Talvez, possivelmente.
Mas provavelmente não.
Estava organizando as temporadas, ao invés de estudar, de explicar pra minha irmã como é que uma camisinha vai parar no quarto de alguém, de ler meu livro ou fazer qualquer coisa útil, quando me deparei com o terrível dia jamais descrito. Eu decidi, há um tempão, que jamais escreveria sobre ele porque não sabia como.
Acho que doía, também.
Acho que incomoda, um pouco, o que quer que isso queira dizer.
Mas não tenho medo da dor ou do incômodo.
Vamos lá, vamos terminar essa temporada com bravura. Vamos quebrar regras.
24 de julho de 2015.
Eu estava lá.
Acordei cedo, voltei pra casa bem cedo, como nunca tinha voltado antes.
O dia todo era bonito, eu ouvia o álbum recém saído do forno da Florence, e fingia que não estava indo ver se a gente tinha volta.
Não me lembro da minha roupa naquela manhã.
Roupa de dirigir.
Lembro de usar meus óculos de coração, os cor de laranja, e de pensar que o mundo inteiro queimava.
Eu não sabia o que ia acontecer naquela noite. Sabia o que queria que acontecesse. Mas não tinha coragem de imaginar. Eu tinha muito medo.
Eu tinha muito medo de chorar.
Estava doente.
Digo isso porque agora me parece muito nítido, mas eu não percebia, então.
Trazia na bolsa um monte de sudokus e palavras cruzadas, que me acompanharam durante algumas das piores fases da vida, como um lembrete de que, quando tudo está ruim, eu sempre podia fugir pra dentro de mim.
Arrumei meu cabelo. Na época, estava em transição, meus cabelos estavam furiosos, eu me sentia a medusa, cachos tortos, em desalinho, como se alguém os tivesse dado vida própria e os congelado em seguida.
Eu usei azul.
Azul é a minha cor favorita, às vezes.
Blue.
Caiu bem.
Eu queria ficar bonita, mas bonita feito uma pessoa comum em uma tarde comum.
Penteei os cabelos, usei maquiagem, mas não tanta, porque queria parecer que estava ali só porque tinha que ir.
Fiz o caminho mais cedo, eu queria esperar, eu queria estar lá quando você chegasse.
Sentei no deck, e fiquei olhando o pôr do sol, esperando você chegar, com medo da sua chegada, com medo do futuro, com medo da falta de estrelas pra quem pudesse pedir, com medo de não saber o que pedir.
Você chegou e, olha, você estava lindo. Nossa.
Eu estava de novo, desajeitada, meio maluca, sozinha, escrevendo em papéis e nos cantos dos sudokus, trazendo um presente sem pacote, uma caixa cheia de mim e das coisas que eu não pude te dar. Cheia de amor sem sentido, sem destinatário.
Deixei que você lesse, eu queria que você lesse, era seu, não era? Mas não era mais.
E foi uma droga perceber que não era mais.
Porque ainda tinha amor ali, ainda tinha amor em mim, o que eu ia fazer com aquilo??
Pra quem eu ia dar, se não pra você?
Soco no estômago, saímos pra comer, de acordo com o que eu planejara.
Eu precisava de tempo, ficar estável, peguei meu carro e fui pelo caminho mais longo e mais familiar que conhecia.
Eu precisava ficar estável, eu precisava não sentir nada.
Eu precisava respirar fundo e não te querer mais, eu precisava que você me quisesse, eu precisava--
Chegamos ao shopping, mas não entramos de mãos dadas, não teve sorvete e nem você me deu bronca por alguma razão boba. Fingi que estava diferente, em uma tentativa desesperada de te fazer voltar, mas hoje acho que isso não fez, nem faz diferença.
Comi carne, e estava ruim, mas eu não reclamei.
Conversamos.
Sobre coisas amenas.
Coisas amenas, eu e você, conversando sobre coisas amenas, uma morte lenta.
"Não, não, não, tá errado. Me fala da tua casa, da tua vida, da saudade que você sente de nós dois, vamos pra minha casa, dorme comigo essa noite e a gente resolve tudo amanhã, volta pra mim, volta comigo pra sua casa, eu te faço o café da manhã e a gente começa do zero, a gente finge que nada aconteceu, eu nunca mais discuto por coisas pequenas, eu não vou mais brigar, eu não vou mais ficar indecisa, eu vou ser melhor, eu vou--", era o que passava pela minha cabeça. Mas eu nunca disse, eu nunca diria, eu sou a mulher mais orgulhosa que já andou por essa terra, e até isso me orgulha.
Então eu sorri, e falei com a minha voz estável. Eu fui estável. Porque era o que eu achava que deveria ser.
E tinha tanta coisa que eu queria dizer, que eu queria cobrar, que eu queria te dar, e a minha estrela, e tudo aquilo que a gente ainda ia fazer
mas eu não tinha voz, nem bravura
nem nada.
Eu só tinha o meu orgulho, pra me manter de pé, pra me fazer te soltar quando a gente se abraçou uma última vez, pra me levar pra casa, pra minha casa, não pra sua, pra me tomar o celular quando eu só queria escrever tudo o que estava entalado na minha garganta, me apertando o peito, pra colocar o colchão na sala porque entrar no quarto e ver as coisas de nós dois espalhadas doía, pra me abraçar e dizer que ia ficar tudo bem, mesmo quando eu sabia que não ia ficar, pra me fazer cafuné enquanto eu chorava pela primeira vez, oficialmente.
Meu Deus, como foi horrível aquele dia, terrível. Parece tolo, agora.
E nem de longe tão ruim quanto os que vieram depois.
Mas ruim.
E não sou insensível a ponto de dizer que o seu também não foi ruim. Deve ter sido, tão ruim quanto. Mas acho que nunca vou saber.
O que sei é que esse foi o meu dia terrível.
Não o primeiro, não o último, mas especialmente terrível.
Como todos os dias terríveis.
Se eu teria feito algo diferente?
Tudo, eu diria, mas não tenho certeza.
Porque eu realmente gosto de azul.
E eu realmente gostava desse cara, mas
Eu sei que as pessoas imaginariam que eu diria que deveria ter deixado o orgulho de lado, mas ele me trouxe até aqui.
Ele me manteve de pé,
me fez comer quando eu não queria,
pentear meus cabelos, ir pra aula fingir que estava tudo bem, tirar notas boas,
falar com meus amigos, nem que fosse pra responder "Tudo bem sim :) e você?".
Ele me abraçou e me impediu de pedir ajuda, é, mas também me impediu de tomar atitudes drásticas, de dizer o que sabia que não adiantava ser dito e de ficar em casa chorando as pitangas.
Então, eu mudaria o dia terrível?
Talvez, possivelmente.
Mas provavelmente não.
37x20 Trick or treat
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garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
- Diga. Diga de novo.
Tô sentada chorando no meio desse quarto escuro, e o barulho me irrita, pela primeira vez. O ruído da tesoura, implacável, cortando o tecido, me enlouquece.
Eu não deveria ter vindo.
Porque existem coisas que não estou pronta pra saber.
- Não era isso o que você queria? - pergunta a donzela, me observando com seu único olho.
- Eu não sei.
E não é mentira.
Eu não sei.
- Diga de novo, por favor.
E ela diz.
Ela me conta sobre um homem atraente, fútil, me fala sobre ilusões. Diz que ele é alegre, passa essa impressão de sorte e realização, mas que age com desamor e de forma desorientada. Nada de novo. Eu pergunto a ela sobre seus sentimentos e ela me diz que são efêmeros, desejo, alegria, prazer. E eu me preparo para a bordoada a que estou acostumada, tô esperando que ela me diga que não, mas ela diz, repete
que vamos ser felizes.
- Você tá me zoando.
Se ela tivesse arrancado meu coração do peito a dentadas, eu sentiria menos dor.
- Eu odeio vocês. Vocês estão brincando comigo, eu não sou um brinquedo. Vocês estão me machucando.
Todas se voltam na minha direção, mas é a Donzela quem responde
- Você faz as escolhas, B. Você escolheu vir aqui, você escolheu passar por isso e, pelo que vejo, vai fazer muitas escolhas parecidas. Mas são escolhas. Existem outras opções. Lembre-se disso.
Eu não quero me machucar.
Tô olhando pra elas sem saber como explicar, como dizer, como fugir, como
- Seja leal, honesta. Cumpra com sua palavra. Você não vai se machucar, se fizer isso.
Eu quero fazer perguntas, eu quero entender quando é que isso aconteceu, o que foi que mudou, o que vai mudar, mas tô muito enjoada pra abrir a boca.
Além disso,
não tô pronta ainda pra saber o que mais acontece no próximo episódio.
Acho que odeio spoilers.
- Diga. Diga de novo.
Tô sentada chorando no meio desse quarto escuro, e o barulho me irrita, pela primeira vez. O ruído da tesoura, implacável, cortando o tecido, me enlouquece.
Eu não deveria ter vindo.
Porque existem coisas que não estou pronta pra saber.
- Não era isso o que você queria? - pergunta a donzela, me observando com seu único olho.
- Eu não sei.
E não é mentira.
Eu não sei.
- Diga de novo, por favor.
E ela diz.
Ela me conta sobre um homem atraente, fútil, me fala sobre ilusões. Diz que ele é alegre, passa essa impressão de sorte e realização, mas que age com desamor e de forma desorientada. Nada de novo. Eu pergunto a ela sobre seus sentimentos e ela me diz que são efêmeros, desejo, alegria, prazer. E eu me preparo para a bordoada a que estou acostumada, tô esperando que ela me diga que não, mas ela diz, repete
que vamos ser felizes.
- Você tá me zoando.
Se ela tivesse arrancado meu coração do peito a dentadas, eu sentiria menos dor.
- Eu odeio vocês. Vocês estão brincando comigo, eu não sou um brinquedo. Vocês estão me machucando.
Todas se voltam na minha direção, mas é a Donzela quem responde
- Você faz as escolhas, B. Você escolheu vir aqui, você escolheu passar por isso e, pelo que vejo, vai fazer muitas escolhas parecidas. Mas são escolhas. Existem outras opções. Lembre-se disso.
Eu não quero me machucar.
Tô olhando pra elas sem saber como explicar, como dizer, como fugir, como
- Seja leal, honesta. Cumpra com sua palavra. Você não vai se machucar, se fizer isso.
Eu quero fazer perguntas, eu quero entender quando é que isso aconteceu, o que foi que mudou, o que vai mudar, mas tô muito enjoada pra abrir a boca.
Além disso,
não tô pronta ainda pra saber o que mais acontece no próximo episódio.
Acho que odeio spoilers.
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them,
vontade
37x19 Keep your heart strong
Postado por
garota solteira procura,
Imagem: TingTing Huang
2005
Eu estava deitada no chão, chorando, dramática, mais infeliz do que eu achava que poderia ser na vida toda.
- Por que você gosta dele? Ele é idiota. E nem sabe que você existe.
Naquele momento, eu pensei uma coisa que penso até hoje, em momentos como aquele "se eu ganhasse uma moeda pra cada vez que já ouvi isso..."
E isso diz algo sobre mim, eu suponho.
Mas, naquele momento, eu continuei deitada, contendo qualquer ruído, e chorando, sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.
Eu achava que nunca ia parar de doer.
E David estava lá, me julgando, me dizendo que eu estava sendo estúpida, que eu
Tanta coisa, tanta coisa se perdeu na lembrança daquela noite.
Ele estava preocupado, zangado
porque eu estava apenas iniciando um comportamento que viria a repetir minha vida toda,
eu estava escolhendo o impossível,
amando uma pessoa que eu tinha inventado.
Eu poderia tê-lo amado.
Amado pessoas que me amaram e eu nunca entendi a razão.
Mas eu queria o impossível,
eu queria me deitar no chão e chorar,
eu queria a dor de não poder ser amada.
- Levanta daí.
Mas eu não me levantei.
Eu queria sucumbir, eu não queria mais nada,
a vida nem fazia mais sentido,
então ele se deitou no chão comigo, derrotado,
e me fez cafuné, enquanto dizia coisas boas
coisas bonitas, das quais eu queria me lembrar, mas se perderam,
porque o meu estilo de vida não permite que as coisas boas permaneçam.
Só o que é ruim fica.
Ele me olhou nos olhos, cochichou no meu ouvido
e só agora, quase 12 anos depois,
é que me bate uma curiosidade de saber o que ele disse.
De saber me ver pelos olhos dele.
Por que é que eu estava chorando, afinal?
Disso eu me lembro, é claro.
Mas não importa, não agora.
O que importa são as palavras de que não me lembro,
a pessoa que se deitou do meu lado, sem poder fazer nada,
a coceira que aquele tapete me deu depois,
a cor de verniz do guarda roupas antigo.
12 anos depois, é só isso o que importa.
E, daqui a 12 anos,
o que vai importar não é a repetição de padrões ou a chateação que causam certas coisas,
mas aquele dia em que você usou seu quimono e ele olhou pra você como se você fosse única no mundo,
ou uma tarde passada na chuva,
coisas boas que as pessoas dizem, das quais você nem precisa lembrar direito pra saber como te fazem sentir,
aquela tarde em que você leu um livro que te fez sentir mais forte,
e a sensação boa de se manter sã,
as pessoas que te mantiveram sã.
Então, respire fundo,
aguente firme,
chore deitada no chão, se precisar
nada disso fica.
Felizmente, ou não,
tudo é por enquanto.
2005
Eu estava deitada no chão, chorando, dramática, mais infeliz do que eu achava que poderia ser na vida toda.
- Por que você gosta dele? Ele é idiota. E nem sabe que você existe.
Naquele momento, eu pensei uma coisa que penso até hoje, em momentos como aquele "se eu ganhasse uma moeda pra cada vez que já ouvi isso..."
E isso diz algo sobre mim, eu suponho.
Mas, naquele momento, eu continuei deitada, contendo qualquer ruído, e chorando, sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.
Eu achava que nunca ia parar de doer.
E David estava lá, me julgando, me dizendo que eu estava sendo estúpida, que eu
Tanta coisa, tanta coisa se perdeu na lembrança daquela noite.
Ele estava preocupado, zangado
porque eu estava apenas iniciando um comportamento que viria a repetir minha vida toda,
eu estava escolhendo o impossível,
amando uma pessoa que eu tinha inventado.
Eu poderia tê-lo amado.
Amado pessoas que me amaram e eu nunca entendi a razão.
Mas eu queria o impossível,
eu queria me deitar no chão e chorar,
eu queria a dor de não poder ser amada.
- Levanta daí.
Mas eu não me levantei.
Eu queria sucumbir, eu não queria mais nada,
a vida nem fazia mais sentido,
então ele se deitou no chão comigo, derrotado,
e me fez cafuné, enquanto dizia coisas boas
coisas bonitas, das quais eu queria me lembrar, mas se perderam,
porque o meu estilo de vida não permite que as coisas boas permaneçam.
Só o que é ruim fica.
Ele me olhou nos olhos, cochichou no meu ouvido
e só agora, quase 12 anos depois,
é que me bate uma curiosidade de saber o que ele disse.
De saber me ver pelos olhos dele.
Por que é que eu estava chorando, afinal?
Disso eu me lembro, é claro.
Mas não importa, não agora.
O que importa são as palavras de que não me lembro,
a pessoa que se deitou do meu lado, sem poder fazer nada,
a coceira que aquele tapete me deu depois,
a cor de verniz do guarda roupas antigo.
12 anos depois, é só isso o que importa.
E, daqui a 12 anos,
o que vai importar não é a repetição de padrões ou a chateação que causam certas coisas,
mas aquele dia em que você usou seu quimono e ele olhou pra você como se você fosse única no mundo,
ou uma tarde passada na chuva,
coisas boas que as pessoas dizem, das quais você nem precisa lembrar direito pra saber como te fazem sentir,
aquela tarde em que você leu um livro que te fez sentir mais forte,
e a sensação boa de se manter sã,
as pessoas que te mantiveram sã.
Então, respire fundo,
aguente firme,
chore deitada no chão, se precisar
nada disso fica.
Felizmente, ou não,
tudo é por enquanto.
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